FE
25/05/2015 15:00

Di Grassi vê desclassificação como exagerada para reparo pequeno e “de boa fé” feito por mecânico

Desclassificado do eP de Berlim no último sábado, Lucas Di Grassi admitiu que havia uma irregularidade em seu carro e defendeu que a FIA cumpra sempre o regulamento. No entanto, disse que tirar uma vitória de um piloto por algo que não afeta a performance é exagerado
Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
 Carro de Lucas Di Grassi (Foto: AP)
VIU O QUE ACONTECEU COM MASSA NA LARGADA EM MÔNACO?
Lucas Di Grassi acredita que houve um rigor excessivo dos comissários em sua desclassificação do eP de Berlim, disputado no último sábado (23). O piloto admitiu que seu carro possuía uma irregularidade, mas entende que não era o bastante para que a vitória lhe fosse tirada.

Di Grassi largou em segundo, passou o italiano Jarno Trulli já na largada e disparou na ponta. Jamais foi ameaçado e venceu com folga. O único susto foi depois da bandeirada, quando o carro teve uma pane e parou.
 
Entretanto, após a segunda vitória na temporada, seu carro foi escolhido pelos comissários para uma varredura completa. Tudo foi averiguado, e assim encontrou-se a irregularidade na aleta do aerofólio dianteiro.
 
Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Di Grassi explicou: “Um mecânico, na boa fé, a gente nem sabe quando, fez um reparo e colou um pedaço de alumínio dentro da peça, a aleta da asa dianteira. Algo super pequeno, uma pecinha de 30g, simplesmente para reforçar, como um rebite ou algo do tipo. E, pelas regras, é proibido, a peça tem de ser 100% original”.
Di Grassi foi ao alto do pódio, mas depois perdeu a vitória na canetada (Foto: AP)
A grande questão para o brasileiro, antes líder do campeonato, mas agora na terceira posição, é que tal mexida não propiciou nenhum ganho de performance. 
 
Di Grassi disse que, em outras categorias regidas pela FIA, já viu casos até piores que este serem absolvidos, ou então ser solicitado à equipe que efetuasse a mudança e que, em caso de reincidência, uma punição severa fosse aplicada. Ainda assim, a Audi ABT não recorreu da decisão tomada em Berlim.
 
“Desclassificar uma vitória em uma briga por campeonato por um conserto em uma peça que não tem influência nenhuma em performance foi algo muito duro, que me deixou bastante frustrado e irritado com a decisão. Se está abaixo do peso, usou mais potência, a desclassificação é clara: você obteve vantagem”, falou.
 
“Só que, neste caso, em um campeonato que está no primeiro ano, que os carros são frágeis, tem um problema de confiabilidade, a equipe não fez nada além de tentar economizar, não ter que trocar toda hora uma peça, fez um conserto que é claramente ilegal. A equipe deveria ter avisado a FIA. Mas o mecânico não avisou a equipe, a equipe não avisou a FIA, então aconteceu desta forma”, completou.
 
Levando tudo isso em conta, Di Grassi até pensou que os comissários pudessem ser compreensivos. Por isso ficou também surpreso.
Irregularidade na extremidade da asa dianteira provocou desclassificação (Foto: AP)
E como se explica a enorme vantagem para o segundo colocado? Trulli, que ficou segurando o pelotão nas primeiras voltas: “Consegui passar o Trulli na hora certa, e ele segurou a galera inteira. Então controlei bem a energia, o carro estava muito bom. E realmente, depois que o Buemi e todo mundo passou, a distância se manteve em 10s até o final da corrida. Até diminuiu para o [Jérôme] D’Ambrosio no final. Mas eu atribuo a facilidade da vitória a isso, passar o Trulli logo no começo e conseguir abrir essa margem nas primeiras dez voltas”.
 
Faltam duas etapas para o fim da temporada, sendo que a última é uma rodada dupla em Londres. Portanto, Di Grassi segue confiante em suas chances de título contra o novo líder Nelsinho Piquet e o segundo colocado Sébastien Buemi.
 
“É a segunda vitória que eu perco por algo fora do meu controle. Em Buenos Aires, a suspensão quebrou. E a segunda foi essa. São 50 pontos. Se eu tivesse 50 pontos a mais, seria um outro campeonato. Agora é tentar vencer de novo a etapa, tentar recuperar os pontos perdidos tanto para o Piquet quanto para o Buemi. Acho que vai ser difícil, vai ser acirrado, vamos disputar até o final, mas tem a chance. São só dez pontos, uma vitória são 25. Isso pode mudar na próxima corrida já”, acrescentou.
 
O campeonato tem continuidade no dia 6 de junho, com prova nas ruas de Moscou.