F1
11/12/2017 08:17

Brawn reage à ameaça da Ferrari, fala em “respeitar e ouvir” times icônicos, mas avisa: “Toda parceria tem limites”

Diretor-esportivo da F1, Ross Brawn se disse surpreso com a reação negativa de alguns à proposta de regulamento de motores para 2021. Dirigente respondeu ameaça da Ferrari e ressaltou que toda parceria tem seus limites
Warm Up / Redação GP,  de São Paulo
 A largada do GP de Abu Dhabi (Foto: Ferrari)

Diretor-esportivo da F1, Ross Brawn foi pego de surpresa pela reação negativa de algumas equipes ao regulamento de motores proposto para 2021. A Ferrari, por exemplo, chegou a ameaçar abandonar o esporte.
 
Com o objetivo de tornar as unidades motrizes mais baratas e acessíveis, a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) apresentou no fim de outubro a nova era de motores da F1. Depois de muito debate, a opção foi seguir com o V6 turbo, com a remoção do MGU-H e o aumento de rotações em 3000 mil rpm ― saltando dos cerca de 15000 atuais para 18000 rpm.
 
Além da Ferrari, Mercedes e Renault também se mostraram descontentes com a proposta, o que pegou Brawn de surpresa.
Ross Brawn ficou surpreso com a reação negativa ao regulamento de motores proposto (Foto: FIA)

“Eu fiquei bem surpreso com essas reações”, disse Brawn em entrevista à publicação alemã ‘Auto Bild’. “Eu estive em algumas reuniões e pensei que a direção estava clara. Todos concordaram de forma unanime com as novas metas que os motores deveriam atingir. E nós baseamos as novas regras nisso”, seguiu.
 
Ainda assim, Brawn acredita que a divergência é normal, mas algo que pode ser contornado sem maiores problemas.
 
“É como em um restaurante, onde alguns gostam do aperitivo, mas não do cardápio principal e vice-versa”, comparou. “É por isso que agora estão acontecendo novos debates. Se as fábricas oferecerem soluções melhores, nós estamos abertos, mas ficar com a nova unidade de potência não é uma opção”, frisou.
 
O dirigente explicou que o Liberty Media tem como prioridade oferecer o esporte que os fãs querem ver e ouvir e considerou que “de 60 a 70%” de todos os fãs da F1 querem motores mais barulhentos.
 
Questionado sobre a ameaça da Ferrari de deixar a F1, Brawn respondeu: “Esta é uma pergunta retórica”.
 
“Claro, não queremos perder a Ferrari. A Ferrari se beneficia da F1 e a F1 se beneficia da Ferrari. Mas toda parceria tem limites”, considerou. “Então é uma questão do que a Ferrari pode aceitar e do que nós podemos. Nós queremos encontrar soluções que mantenham todos na F1, e, acima de tudo, não queremos perder nenhum time icônico”, continuou.
 
“Eles são uma parte importante da F1 e nós temos de respeitá-los e ouvi-los”, concluiu.
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