F1
03/12/2014 17:10

Comissão conclui que Bianchi não reduziu o bastante antes de acidente no Japão e isenta presença de trator na área de escape

Comissão formada pela FIA para investigar as causas do acidente de Jules Bianchi concluiu que uma série de fatores levou à batida, apontou falha no carro da Marussia e sugeriu mudanças no regulamento
Warm Up
RENAN DO COUTO, de São Paulo
A comissão de notáveis formada pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) para apurar as causas do acidente de Jules Bianchi concluiu que o francês foi o principal responsável pela batida que aconteceu no GP do Japão, no dia 5 de outubro, em Suzuka. O relatório, divulgado nesta quarta-feira (3), disse que o piloto falhou ao não reduzir o suficiente a velocidade ao contornar a curva 7 e minimizou a presença de um trator na área de escape sem que o carro de segurança fosse acionado.

O grupo, presidido por Peter Wright e que contava com mais nove pessoas, dentre elas o bicampeão Emerson Fittipaldi e os ex-dirigentes da Ferrari Ross Brawn e Stefano Domenicali, constatou que se Bianchi tivesse tirado o pé, não teria perdido o controle do carro. Também foi apontada uma falha nos sistemas de segurança da Marussia, embora ela não tenha sido determinante para o que ocorreu.
Os cuidados no atendimento a Bianchi depois do choque com o guindaste (Foto: AFP)
As causas

MEMBROS DA COMISSÃO
Peter Wright
Presidente da Comissão de Segurança
Ross Brawn
Ex-dirigente das equipes Benetton, Ferrari, Honda, Brawn e Mercedes
Stefano Domenicali
Ex-chefe de equipe da Ferrari
Gerd Ennser
Chefe dos comissários
Emerson Fittipaldi
Bicampeão da F1
Eduardo de Freitas
Diretor de provas do WEC
Roger Peart
Presidente da Comissão dos Circuitos e da federação canadense
Antonio Rigozzi
Advogado, juiz da Corte de Apelação da FIA
Gérard Sailant
Presidente do Instituto FIA e da Comissão Médica
Alexander Wurz
Presidente da Associação de Pilotos
De acordo com o relatório, apresentado ao Conselho Mundial da FIA, que se reuniu em Doha, “Bianchi não reduziu o bastante para evitar perder o controle no mesmo ponto da pista que Sutil”. Uma volta antes, Adrian Sutil, da Sauber, havia escapado no mesmo ponto, exigindo que o guincho o removesse. “Se os pilotos respeitam ao que exige uma situação de bandeiras amarelas duplas, nem os competidores e nem os fiscais deveriam ser colocados em perigo”, diz o texto.
 
Ainda é reforçado que, sem o benefício de poder olhar para trás e avaliar, “não há razão aparente para que o safety-car precisasse ser acionado antes ou depois do acidente de Sutil”.
 
O relatório aponta que Bianchi deixou a pista ainda antes do que Sutil e que acertaria um ponto seguro da barreira de pneus. “Infelizmente, o guincho estava na frente, e ele bateu passando por baixo de sua traseira em alta velocidade”, cita.
 
Então, é indicada a falha no MR-03. Durante os dois segundos em que o carro de Bianchi passou pela área de escape, o francês chegou a pisar nos pedais do freio e do acelerador ao mesmo tempo, usando os dois pés. “O sistema FailSafe é desenhado para cortar potência do motor, mas foi inibido pelo Coordenador de Torque, que controla o brake-by-wire (freio eletrônico). A Marussia de Bianchi tem um sistema único de BBW, que provou ser incompatível com as configurações do FailSafe”, adverte-se.
 
Isso pode ter afetado a velocidade do acidente, “mas não foi possível quantificar isso de forma confiável”, a comissão alerta. “Contudo, pode ter sido que Bianchi se distraiu pelo o que estava acontecendo e o fato de que suas rodas dianteiras travaram, e ele não conseguiu desviar do guincho”.
 
A seção das causas é concluída elogiando o trabalho da equipe de resgate, que “contribuiu significativamente para salvar a vida de Bianchi”, e ressaltando que a implantação de cockpits fechados ou saias de proteção nos guinchos não teria sido suficiente para evitar as lesões sofridas pelo piloto. É informado que o impacto do carro de 700 kg com o trator de 6500 kg a 126 km/h não tem como ser absorvido pelas estruturas de segurança que podem ser montadas no F1.
 
As propostas
 
As mudanças propostas incluem uma regra mais rigorosa para situações de bandeira amarela — o safety-car virtual entrará em vigor no próximo ano, estabelecendo uma velocidade máxima para os carros em tais situações  — e que o regulamento determine que a largada só poderá ser dada até quatro horas antes do pôr-do-sol — exceto nas corridas noturnas. No caso do GP do Japão, a prova começou às 15h locais, menos de três horas do anoitecer em Suzuka. Para piorar, um tufão se aproximava do país e prejudicava as condições climáticas.
 
Além disso, é recomendado que a drenagem dos circuitos seja revista e passe a incluir todas as pistas de acesso, e que a FIA implante um procedimento mais extenso de educação aos pilotos que obtém a superlicença.
 
Por fim, os pneus de chuva da Pirelli são isentados, porém pede-se que esse tipo de composto seja mais testado em prol da segurança. Nos últimos meses, a Pirelli de fato reclamou que tem poucas oportunidades para trabalhar em uma condição semelhante àquelas que encontra nas corridas, em especial a falta de testes no piso molhado.
 
A situação de Bianchi
 
Quase dois meses depois, Bianchi continua em estado grave devido à lesão axonal difusa provocada pelo impacto com o trator. Ele foi transferido no fim do mês passado para um hospital em Nice, onde sua família vive, e não está mais em coma. Porém o francês não recobrou a consciência.
 DIRETAS GP

A REVISTA WARM UP e o GRANDE PRÊMIO abriram nesta terça-feira (2) sua já tradicional votação de 'Melhores do ano'. Depois de votação interna dos jornalistas da equipe da AGÊNCIA WARM UP, cinco candidatos foram indicados em cada uma das 11 categorias, e os vencedores serão definidos pelos leitores em votação popular que fica aberta por uma semana, até o dia 8 de dezembro.
 
O recordista de indicações é Rubens Barrichello, campeão da Stock Car, que concorre nas categorias 'Melhor piloto que compete no Brasil', 'Melhor piloto de Turismo/Endurance/Rali' e 'Melhor piloto brasileiro'. A categoria principal, 'Melhor piloto de 2014', tem os seguintes candidatos: Daniel Ricciardo, Lewis Hamilton, Marc Márquez, Valentino Rossi e Will Power.

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Melhores de 2014
COREIA DE VOLTA

A FIA apresentou nesta quarta-feira (3) o calendário da temporada 2015 da F1. Com 21 etapas, a grande novidade do programa é – o ainda não confirmado – retorno da Coreia do Sul.
 
O calendário foi divulgado no conselho mundial da entidade em Doha, no Catar. Mais uma vez, a temporada começa na Austrália, com a primeira etapa do campeonato marcada para 15 de março.

Leia a reportagem completa no GRANDE PRÊMIO.


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