F1
15/07/2014 11:30

Conta-giro: Título alemão na Copa do Mundo reflete aplicação de filosofia como feito no automobilismo e na sociedade

Uma rápida olhada para o panorama da Alemanha coloca rapidamente em perspectiva uma coisa: a filosofia. Eles têm, e agem no automobilismo e no futebol da mesma forma que na política e na economia. Talvez por isso sejam fortes em todos esses pontos
Warm Up
PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro


O ÚLTIMO DOMINGO FOI A CONSUMAÇÃO de um trabalho, um projeto que a Alemanha desenvolveu durante uma década e meia em seu futebol. A percepção de que o futebol que se jogava no país após campanhas decepcionantes em grandes competições fez os homens de preto do bretão teutônico se encontrarem, se planejarem e traçarem uma meta do como iriam proceder nos anos subsequentes para que seu futebol fosse algo do que se orgulhar. Categorias de base, treinadores e divisões inteiras entraram no processo.

As gerações seguintes mostraram o acerto. A de 2006, comandada pelo ídolo campeão mundial de 1990 - Jürgen Klinsmann - introduziu; a de 2010, já com Joachim Löw, ensaiou; a de 2014 consagrou mais que uma geração, mas a ressureição de uma escola que voltou sem ter ido. E no Rio, no palco mais sagrado de todos (ou o que dele restou), o Maracanã, a Mannschaft faturou seu prêmio.
Seleção alemã celebra tetracampeonato no Rio de Janeiro (Foto: Getty Images)
A Copa do Mundo apenas apontou mais um dos triunfos alemães no esporte moderno. O automobilismo não responde diferente. O trabalho feito na crista da onda Michael Schumacher e seus sete títulos mundiais da F1 deu um resultado semelhante. É o país com maior número de representantes na pista para 2014 — são quatro. Em 2011, chegaram a ser seis. Nas últimas 20 temporadas, entre Schumacher e Sebastian Vettel, por 11 vezes o título ficou na terra de Angela Merkel.

Falando em Vettel, o piloto desenvolvido no programa da Red Bull deu suas primeiras voltas na F1 em 2007, já aproveitando para começar a impressionar, algo que seguiu fazendo em 2008. Quando assumiu o volante da equipe número um dos energéticos, confirmou o que ninguém mais duvidava. Não pôde competir com o difusor duplo da Brawn GP em 2009, mas dominou brutalmente o cenário nos quatro anos que seguiram. Mais novo piloto a vencer uma corrida, mais novo a ser campeão, bicampeão, tricampeão e tetracampeão. Aos 27 anos de idade, Vettel é um imortal das pistas.

Em 2014, porém, as coisas não começaram tão graciosas como nos últimos anos. Os novos motores V6 turbo e a incapacidade da Renault em desenvolver algo que pudesse competir minimamente com o feito pela Mercedes deixaram Vettel atrás desde a concepção do trabalho. Para complicar, seu novo companheiro, Daniel Ricciardo, casou melhor com o RB10 do que o campeão. Os problemas técnicos também estiveram muito mais afeitos a aparecer no carro #1. Com as primeiras nove etapas já transcorridas, Seb só terminou à frente de Ricciardo uma vez, e ocupa a sexta posição do Mundial, atrás das Mercedes, do companheiro, além de Fernando Alonso e Valtteri Bottas.
Sebastian Vettel e Michael Schumacher: as duas grandes gerações de pilotos da Alemanha (Foto: Red Bull/Getty Images)
Porém, embora os resultados frios ainda não mostrem, parece consenso que Vettel tem conseguido acelerar mais. Talvez em Hockenheim, no próximo domingo (20), seja a hora da primeira vitória. Ou talvez no GP seguinte, na Hungria, em um traçado que se encaixa melhor nas características rubro-taurinas.

A atual temporada, entretanto, continua sob o domínio germânico. A Mercedes, que retomou sua história na F1 em 2010, é a equipe a ser batida e não parece que alguém possa, de fato, superá-la neste ano. Além de liderar com folga o Mundial de Construtores, Nico Rosberg é quem comanda a tabela de pontos entre os pilotos. 

Desde 2000, está na Alemanha também a principal categoria do turismo mundial. O Deutsche Tourenwagen Masters, muito mais conhecido como DTM e que surgiu repaginando a antiga Deutsche Tourenwagen Meisterschaft, encerrada em 1996 após ser considerada cara demais.

Nos 14 últimos anos, o DTM colocou vários pilotos de renome internacional ao lado de promessas e encheu autódromos alemães e das cercanias. Mika Häkkinen, Tom Kristensen e Paul di Resta são alguns dos muitos nomes que fizeram da categoria um importante centro de gravidade, por assim dizer, do automobilismo tedesco.

A bonança vai mais longe que campos e pistas. Nas Olimpíadas de 2012, por exemplo, a Alemanha esteve presente com 392 atletas, a sexta maior delegação, e faturou 44 medalhas, com 11 douradas. Canoagem, remo, hipismo, atletismo, ciclismo, vôlei de praia e hóquei de grama tiveram seus representantes no alto do pódio. Judô, ginástica artística, esgrima, natação, tênis de mesa e taekwondo também tiveram representantes alemães no pódio.

Sexto país com mais ouros; quinto com mais medalhas. A reafirmação do que se sabe: a Alemanha é um país esportivo. Sem as políticas específicas ou abusivas de esporte de Estados Unidos e China, respectivamente, os alemães não bebem na fonte da sua face antiga oriental: potência de medalhas, mas a um custo não tão bonito.
Nico Rosberg e a Mercedes dominam a F1 em 2014 (Foto: Getty Images)
Os alemães preferem ser um país esportivo a uma potência olímpica, e fazem da maneira mais alinhada a seu modo. Na esfera política e econômica, as coisas parecem da mesma forma. Muito menos abatido pela crise econômica de 2008 do que seus vizinhos, o país segurou as pontas da União Europeia, e assim se consolidou como grande dínamo do continente. São da chanceler Merkel as palavras mais ouvidas sobre os direcionamentos da Zona do Euro, dos pacotes econômicos para os economicamente esburacados Irlanda, Espanha e Portugal, por exemplo, além das conversas sobre a manutenção grega na UE.

Desde que a banca quebrou na Europa, ninguém é ouvido tão atentamente como a Alemanha. A economia com projeção de crescimento intenso nos próximos anos com a retomada da confiança pós-crise dos investidores, promete um futuro encorajador.

Não que precise, mas 2014 escancara ainda mais que os alemães não apenas fazem certo, como seguem sua própria filosofia de atuação. Seja com Merkel, com Vettel ou Philipp Lahm.

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