F1
05/07/2018 05:15

De Ferran encara desafio similar ao vivido com Honda, mas conta com “reputação na indústria” para reerguer McLaren

A bomba da última quarta-feira (3) saiu logo pela manhã: Gil de Ferran assumiu o posto de diretor esportivo da McLaren, com o pedido de demissão do contestado Éric Boullier. Agora, o brasileiro terá um grande desafio, talvez seu maior como dirigente, mas que lembra muito sua primeira passagem em cargos deste gênero na F1
Warm Up / FELIPE NORONHA,  de São Paulo
 Gil de Ferran é o professor de Fernando Alonso para a Indy 500 (Foto: IndyCar)

A última quarta-feira (3) amanheceu no Brasil com uma notícia daquelas que, mesmo que inegavelmente esperada, saiu como uma 'bomba': Éric Boullier renunciou ao cargo de diretor de corridas da McLaren, após anos de desempenho fraco de seus carros nas pistas da F1. E por que a citação ao Brasil? Porque, com a saída do francês, Gil de Ferran, que trabalhava como consultor da escuderia nos planos de ida para a Indy, assumiu como novo diretor esportivo.

Ao mesmo tempo em que isso pode significar o fim - ou adiamento - da equipe que a McLaren planejava colocar na Indy, pode ser a revolução que o time de Woking tanto espera, o fim do suplício que tem sido a vida dos carros laranjas na principal categoria do automobilismo mundial.

Não que De Ferran seja a solução sozinho. Mas o próprio Zak Brown, diretor-executivo da McLaren, já afirmou que todos na equipe precisam colocar os pés no chão e reconstruir a escuderia. E o brasileiro já fez isso anteriormente.
Gil de Ferran acompanhou Fernando Alonso no GP do Alabama da Indy (Foto: Chris Jones/Indycar)
Sua outra 'aventura' em cargos técnicos na F1 foi com a Honda, entre 2005 e 2007. As dificuldades eram parecidas, então: os resultados estavam abaixo do esperado e, principalmente, das promessas feitas, como ocorre no momento com o time laranja.

Naquela ocasião, foi a partir da chegada do brasileiro que a Honda subiu de patamar na F1: o time vinha de uma temporada média ainda como BAR-Honda e, ao se tornar uma equipe solo, viu o novo campeonato se iniciar como decepção, principalmente em razão da falta de confiabilidade - tal como a McLaren atual.

Com o tempo, porém, De Ferran e sua equipe conseguiram contornar a situação, fazendo a Honda andar tão bem quanto Renault e Ferrari, as duas principais equipes da temporada, na segunda metade do ano. Jenson Button e Rubens Barrichello subiram na classificação e em apenas uma corrida um deles ficou sem pontos: Barrichello, no Japão.

Baseado nesta ideia, é possível entender que a McLaren espera que De Ferran, amigo de Fernando Alonso e que trabalhou com o espanhol na aventura nas 500 Milhas de Indianápolis em 2017, possa reerguer o time a partir da próxima temporada, utilizando o restante do ano para observação e crescimento, como fez com a Honda.
Fernando Alonso e Gil de Ferran (Foto: Indycar)
Em entrevista ao GRANDE PRÊMIO em maio, quando oficializou a ida à McLaren com a ideia de presença na Indy, o ex-piloto comentou sobre sua "boa reputação na indústria" do automobilismo, que fazia com que "conversas diferentes" sempre acontecessem. Indicativo do que estava por vir neste começo de julho?

É difícil cravar, mas é óbvio que há relação: a McLaren confiou em alguém que, no último mês, deve ter apresentado boas ideias e uma cadeia de bons relacionamentos internos. 
Simon Pagenaud e Gil de Ferran correram juntos na de Ferran Motorsports (Foto: Reprodução/Twitter)
A reputação, é claro, não surgiu sozinha, aleatoriamente. Na Indy, o brasileiro mostrou resultados quando teve sua própria equipe, a De Ferran Dragon Racing, que durou uma temporada: em 2010, alcançou quatro top-10 com Raphael Matos como piloto.

Um ano antes, ele já havia comandado, como diretor e piloto, a De Ferran Motorsports na American Le Mans Series, alcançando três pódios em oito corridas, conseguindo liderar seis delas em algum momento.

O ponto é: quando colocou seu toque em equipes de automobilismo, De Ferran conseguiu resultados. Se não venceu, fez o que podia em curtos períodos. Do lado da McLaren, a questão é: há paciência para que, desta vez, Gil de Ferran possa trabalhar a longo prazo, como Brown já mostrou que deseja?
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