F1
27/05/2017 11:45

Mesmo sem pole, Vettel sai como vencedor da classificação ao ver Hamilton ladeira abaixo e perdido em Mônaco

Kimi Räikkönen brilhou - algo que não acontecia há alguns anos. Mas o destaque maior para o campeonato é, claro, a briga entre Sebastian Vettel e Lewis Hamilton. Pela primeira vez, os dois estão agressivamente separados
Warm Up
PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
 

A estrela do treino que definiu a classificação para o GP de Mônaco, na manhã deste sábado (27), pode até não ter sido Sebastian Vettel, mas é dele o destaque maior porque é quem tem nas mãos o poder de assumir o controle do campeonato. O motivo é simples: pela primeira vez no parelho Mundial de F1 de 2017 um dos líderes da temporada conseguiu grande vantagem. É a primeira grande diferença, destas que pode definir o campeonato para alguém. Vettel pode não ter sido o monarca da vez no Principado, mas vai colocar 11 posições entre si e Lewis Hamilton - que terá de passar por onde não há espaço e por pilotos que não estão acostumados com brigas contra o tricampeão.

Sem motivos para se estressar com o companheiro ao olhar Hamilton em situação tão frágil, Vettel ofereceu congratulações e uma expectativa incrementada para o domingo. “Parabéns ao Kimi. É fato que sempre dá para ser um pouco mais rápido, e o carro estava muito bom. Não sei o motivo dos problemas da Mercedes, mas nós conseguimos melhorar de treino em treino”, comentou Vettel. "É um dos pontos altos da nossa temporada", se animou.
 
Hamilton saiu nervoso, assim como passou todo o fim de semana prolongado no Principado. O inglês é sabidamente alguém que não vive seus melhores momentos em Mônaco, não é o maior fã da pista e admite tudo isso sem maiores delongas. Em 2016, porém, chegou a esta pista em enorme desvantagem para Nico Rosberg e precisava de uma resposta. Deu a resposta, ganhou a corrida - com certa ajuda da Red Bull... - e voltou ao campeonato. 
 
Só que Hamilton precisa de tudo perfeito para ser letal em Mônaco. E, como ficou claro desde a última quinta-feira, sua Flecha Prateada estava bem longe da perfeição neste 2017 em que precisa dar uma resposta por fim de semana na briga com a Ferrari e com Vettel. Hamilton vai partir de 12º com sorte, porque as punições a Jenson Button e Stoffel Vandoorne diminuem dois postos da enorme fila que o vice-líder terá que superar. “Eu teria lutado para estar entre os cinco primeiros se tivesse conseguido chegar ao Q3", admitiu. "Precisamos descobrir o que está acontecendo com o carro.”

Uma corrida de recuperação em Mônaco sempre representa uma enorme quantidade de perigo de sair prematuramente e sem qualquer tipo de láurea. Hamilton está apenas seis pontos atrás de Vettel, mas a ladeira está às vésperas de se tornar bem mais íngreme.
Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel (Foto: AFP)

Pensando em título, Vettel não vai colocar mais de uma corrida de vantagem com um segundo lugar - serão, então, no máximo 24 pontos. Na melhor das hipóteses, abre 31 - se ganhar e Hamilton não marcar pontos. A questão é que entre Vettel e a vitória existe uma grande história.
 
E aí, sim, a estrela da classificação. Kimi Räikkönen fez história. Se tornou o piloto com maior tempo entre poles em todos os tempos na F1. A última vez havia sido em 2008, no GP da França - que de lá para cá já saiu do calendário e foi confirmado de volta. Foram 8 anos, 8 meses e 23 dias - 3.219 dias no total. Quase 8 meses mais que o antigo recordista, Mario Andretti.
 
A cor de Räikkönen segue a mesma desde então - o rosso ferrarista - , mas os tempos são completamente diferentes. Kimi era o campeão mundial naquele momento. Deixou a F1 ao final da temporada 2009, foi viver uma vida nos ralis, e resolveu voltar alguns anos depois. Na Lotus, ganhou corridas e até brigou pelo título. O caminho pavimentado para voltar à Ferrari jamais foi, neste retorno, o mesmo que assumiu na segunda tentativa em quadros vermelhos. Neste quarto ano, chegou completamente discutido. E, não levem a mal, o ano de Räikkönen continua ruim, mas agora tem um ponto de virada.
 
A vitória de Räikkönen no domingo, se ela vier, também vai transformar o finlandês no piloto com maior espaçamento entre triunfos no Principado. Antes de ser campeão mundial, Kimi venceu por lá em 2005, quando vestia o preto e prata da McLaren. Nunca mais conseguiu, nem no ano em que levantou o caneco do campeonato. Dono de 20 vitórias na F1, ganhar de novo pode renascer sua temporada, mas também pode ser o ponto de exclamação numa carreira brilhante. Um adeus às conquistas exatamente na mais famosa corrida. E onde ele fala como quem não tem a maior familiaridade. "É complicado ser rápido neste circuito."
 
Enquanto Vettel foi soberano ao longo dos treinos livres, Räikkönen não deixou qualquer dúvida sobre quem é que estava dando as cartas quando a classificação chegou. Fez voltas mais rápidas no Q2 e no Q3, dono das melhores parciais em cada setor, e chega à corrida em Monte Carlo numa situação de favoritismo que não vive há muitos anos. Provavelmente desde o GP da Bélgica de 2009.
Stoffel Vandoorne (Photo: Xavi Bonilla / Grande Premio)

O 2015 que se recusa a acabar
 
Não tem jeito da McLaren sair dos problemas que acometem a equipe desde o começo da parceria com a Honda. Stoffel Vandoorne e Jenson Button mostraram ao mundo que a vergonha da fábrica japonesa é justificada. Numa pista em que a necessidade da potência é tão menor, o carro laranja da equipe de Woking mostrou ser evidentemente melhor do que parece no resto do ano. Button e Vandoorne conseguiram levar os carros ao Q3 com certa tranquilidade, especialmente o novato belga. E de onde largam? 13º para Vandoorne e 20º para Button.
 
Jenson nem bem voltou e tomou um jab bem encaixado no queixo. Viu a equipe trocar o MGU-H, parte da complexa unidade de força, e causar a perda automática de 15 posições. Pouco importa que fez o nono tempo na pista, então.  A despedida, porém, está divertindo o campeão mundial de 2009. "Minha última classificação foi provavelmente a mais divertida", disse ao sair do carro. E acusou: "A culpa é de Fernando". A brincadeira, claro, é motivada pelo fato de Button ter pego apenas a última gota d'água dos problemas que Alonso teve até este momento.
 
Vandoorne já tinha três posições de punição no bolso por conta do incidente com Felipe Massa em Barcelona, mas andava tão bem que havia grande possibilidade de uma boa posição de largada mesmo assim. Seria melhor se ele não acertasse o muro nos últimos segundos do Q2. Sem suspensão, não voltou à pista e ficou em décimo - caiu para 13º e pode piorar se a McLaren julgar que a batida danificou a caixa de câmbio. 
 
A punição cósmica para a assinatura da McLaren com a Honda parece jamais se exaurir. 
Felipe Massa (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Tchau, Williams
 
Um erro, a bandeira amarela que impediu a última volta e Felipe Massa vai largar no 14º lugar. O veterano foi muito mal, não se discute, mas o carro da Williams não permite algo muito melhor. Assim como na Espanha. É uma tendência, parece cada vez pior na maioria das pistas que não dependem apenas de pisar loucamente no acelerador.
 
"Também não sei se iria melhorar muito a minha posição onde eu estou, para falar a verdade. Talvez 12º, 11º, mas acho que nem isso para falar a verdade. O carro não é tão competitivo nessa pista", falou Massa à TV Globo logo após a corrida. 
 
E Lance Stroll?, o leitor pergunta. Não bateu, andou na frente das duas Sauber e herdou uma posição por conta da punição de Button. Vai largar em 17º, mas sem qualquer sinal de melhora. 
Fernando Alonso (Foto: IndyCar)
E Alonso?
 
Não temos informações sobre o paradeiro de Alonso no momento da classificação, mas é improvável que ele tenha achado tempo para lamúrias sobre não largar em sexto na F1 enquanto tem a chance de fazer história daqui a algumas horas em Indianápolis. Talvez comendo uma panqueca americana com xarope de ácer?
 
GENIAL, ALONSO FOI ESPETACULAR NA CLASSIFICAÇÃO EM INDIANÁPOLIS E ENTRA NO PÁREO PELA VITÓRIA




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