F1
30/10/2017 05:00

Na Garagem: Mansell sofre acidente no Japão e Piquet é tricampeão mundial de F1

Primeiro brasileiro a se sagrar tricampeão do mundo na F1, Nelson Piquet celebrou o título em 1987, no circuito de Suzuka, depois que seu maior rival, Nigel Mansell, sofreu um acidente dois dias antes da corrida e não teve a chance de largar no domingo. A conquista histórica de Piquet veio após três vitórias na temporada
Warm Up
FERNANDO SILVA, de Sumaré

Sexta-feira, 30 de outubro de 1987. Suzuka, Japão. Nigel Mansell guiava sua Williams Honda FW11B de maneira alucinada e lutava como um leão — honrando o apelido — para tentar conquistar a pole-position de um GP decisivo. Era a chave para reduzir a diferença de 12 pontos que o separava do líder do campeonato, companheiro de equipe e, talvez, maior rival na carreira: Nelson Piquet. Contudo, após escapar na sequência de S do circuito japonês, o britânico rodou e bateu muito forte na barreira de pneus, quase chegando a capotar.
 
Sem condições de correr no domingo — ainda que uma lenda da F1 na época dizia que Dr. Sid Watkins o liberou para disputar a prova —, Mansell deixou definitivamente a luta pelo título, que ficou com Piquet. Hoje com 65 anos, o carioca entrou para a história ao ser o primeiro brasileiro tricampeão mundial na F1. Há exatamente três décadas.
 
A temporada de 1987 foi marcada pela rivalidade entre Piquet e Mansell, que já haviam disputado 'pau a pau’ o título do ano anterior. Entretanto, foi o cerebral ‘Professor’ Alain Prost quem garantiu a taça de 1986. Na primeira corrida de 1987, o GP do Brasil, Prost aproveitou a força do seu McLaren Tag Porsche MP4-3 para vencer no agora saudoso autódromo de Jacarepaguá. Piquet foi o segundo colocado, enquanto Mansell foi apenas o sexto.
O duelo entre Piquet e Mansell marcou a temporada 1987 da F1 (Foto: Forix)

Veio então o GP de San Marino, em Ímola. Durante os treinos, Piquet guiava o Williams FW11, dotado de suspensão ativa, que ele mesmo desenvolvia. Mas, na sexta-feira, sofreu um dos acidentes mais graves da sua carreira. O pneu do seu carro furou quando ele estava a quase 300 km/h. O então bicampeão do mundo rodou na entrada da velocíssima curva Tamburello e bateu forte no muro de forma lateral. Com o impacto, Piquet sofreu lesões no tórax, pernas e no pé esquerdo, além de traumatismo craniano, e não disputou a corrida, que foi vencida por Mansell, novo líder da temporada.
 
Piquet voltou à ativa no GP da Bélgica, que, naquela temporada, foi a terceira prova do ano. No veloz circuito de Spa-Francorchamps, Mansell e Piquet comprovaram a força da Williams e fizeram dobradinha na primeira fila do grid de largada, deixando Ayrton Senna em terceiro e Prost apenas em sexto. Mas, na corrida, quem se deu bem mesmo foi o francês.
 
Aproveitando os abandonos de Senna, Mansell e Piquet, Prost garantiu mais uma vitória, com direito a dobradinha da McLaren — o sueco Stefan Johansson foi segundo — e voltou à liderança da temporada. O resultado em Spa foi tão surpreendente que o saudoso Andrea De Cesaris, de Brabham, foi o terceiro, seguido por Eddie Cheever, da Arrows, e Satoru Nakajima, da Lotus. Na classificação do campeonato, Piquet era o quarto, com apenas seis pontos — empatado com Senna —, enquanto Prost disparava na ponta, com 18. O vice-líder era Johansson, com 13.
Na segunda corrida do ano, Piquet sofreu grave acidente na famosa curva Tamburello (Foto: Reprodução)
A reação de Piquet começou em Mônaco, no fim de maio. O fim de semana no Principado foi perfeito para os brasileiros da F1. Senna, guiando o fino com a Lotus-Honda, garantiu mais uma vitória nas ruas de Monte Carlo, com Piquet completando a dobradinha tupiniquim. Como Prost e Mansell não pontuaram em Mônaco, a diferença de Nelsão para os ponteiros começava a diminuir, enquanto Senna entrava de vez na luta pelo título.
 
No GP dos Estados Unidos, em Detroit, nova dobradinha brasileira, de novo com Senna em primeiro e Piquet ao seu lado no pódio. Ayrton, com o triunfo, assumia a liderança do campeonato com 24 pontos, enquanto Prost, terceiro, chegava aos 22. Piquet, em franca ascensão, já era o terceiro, deixando Johansson e Mansell para trás. O britânico começava a perder terreno para Piquet no duelo interno na Williams.
 
Só que o ‘Leão’ reagiu no retorno da F1 à Europa. Freando a evolução do jovem Senna, Mansell cravou duas vitórias seguidas, na França, em Paul Ricard, e em casa, no circuito de Silverstone. Piquet não ficou muito atrás e terminou as duas corridas na segunda colocação. Naquele momento, após o GP da Inglaterra, Mansell acumulava três vitórias, enquanto Piquet tinha cinco segundos lugares. A disputa pelo título era intensa. Senna ainda liderava o Mundial com 31 pontos, mas Mansell e Piquet somavam 30 cada.
 
A guerra de nervos dentro da Williams era enorme entre seus pilotos. De um lado, Piquet defendia a adoção da suspensão ativa, pois entendia que, com a inovação, o carro ficava mais equilibrado, competitivo e suave para guiar. Mansell, por sua vez, era um adepto da suspensão convencional. Piquet foi para Hockenheim com a suspensão ativa. Mansell, não.
O pódio do GP da Alemanha de 1987, com Piquet, Johansson e Senna (Foto: Forix)

Piquet precisava de uma vitória. Não somente por conta da sua luta pelo tri, mas, principalmente, para sobreviver ao duelo interno na Williams, cuja cúpula trabalhava nitidamente em favor do britânico Mansell. E a vitória veio. Ou melhor, as vitórias.  Mansell largou na pole em Hockenheim, mas quem triunfou foi o brasileiro, que viu o motor do rival abrir o bico. Novamente em Hungaroring, Mansell foi pole, mas não completou a prova. Piquet triunfou, seguido por Senna, na primeira dobradinha brasileira liderada pelo piloto da Williams naquele ano.
 
Passada mais da metade daquela temporada, Piquet finalmente assumia a liderança e, depois do GP da Hungria, somava 48 pontos, contra 41 de Senna. Prost, que vinha em performance regular, mas constante, tinha 30, empatado com Mansell, rápido e, ao mesmo tempo, bastante irregular. O ‘Leão’ tinha de mostrar serviço se ainda quisesse ser campeão naquele ano.
 
O GP da Áustria, em Zeltweg, teve um começo dos mais conturbados, com três largadas. Lá na frente, Mansell mostrou que ainda estava vivo na luta pelo título e venceu a corrida, completando novo 1-2 da Williams com Piquet em segundo. Teo Fabi, da Benetton, fechou o pódio da prova que foi marcada por um acidente fora da pista de corrida. Em pé na caçamba de uma pick-up a caminho do pódio, Mansell, que estava ao lado de Piquet e Fabi, bateu a cabeça em uma passarela.
 
Três semanas depois, no GP da Itália, Piquet levou a melhor e conquistou sua terceira e última vitória naquela temporada. O resultado de Monza foi ainda melhor porque Mansell cruzou a linha de chegada do mítico circuito italiano em terceiro, com Senna entre os rivais da Williams. Àquela altura, Piquet somava 63 pontos, contra 49 de Senna e 43 de Mansell. Como a Williams tinha o melhor carro, o título parecia questão de tempo para Piquet.
A vitória no GP da Itália deixou Piquet muito perto do tricampeonato da F1 (Foto: Forix)
Na corrida seguinte, o GP de Portugal, no Estoril, Piquet aumentou sua vantagem perante Senna e Mansell, que não completaram a corrida. A vitória, também pela terceira vez no ano, ficou com Alain Prost, que já não se configurava mais em uma séria ameaça ao tri de Piquet, que terminou em terceiro, cruzando a linha de chegada atrás de Gerhard Berger, da Ferrari. Dessa forma, Nelson tinha 67 pontos, contra 49 de Senna e 43 de Mansell.

Era tudo ou nada para o ‘Leão’. Era vencer ou vencer e ainda contar com a sorte para tirar 24 pontos de vantagem para Piquet. Missão quase impossível para o ‘Red Five’, mas bem que ele tentou. Foram duas vitórias em seguida, na Espanha — após épico duelo contra o rival — e no México. No circuito Hermanos Rodríguez, a Williams decidiu que não levaria equiparia o FW11B com suspensão ativa, o que favorecia Mansell, apoiado por Patrick Head, que desejava ver outro piloto do seu país como campeão do mundo. Assim, o britânico conseguiu reduzir para 12 pontos a vantagem do brasileiro, faltando duas corridas para o fim da temporada: Japão e Austrália, para onde a Williams também não levaria suspensão ativa.

 

E foi no dia 30 de outubro de 1987 que Piquet entrou novamente para a história do esporte como o primeiro brasileiro tricampeão do mundo, igualando mitos como Jackie Stewart, Jack Brabham e Niki Lauda. O ‘Leão’ só teria a chance de conquistar o título da F1 cinco anos depois, novamente correndo pela Williams.
 
Exatamente um ano depois de Piquet chegar ao tricampeonato, Ayrton Senna, na mesma Suzuka, conquistou seu primeiro título mundial. Depois de fazer uma das melhores corridas da sua carreira, o brasileiro, então com 28 anos, travou duelo histórico com Alain Prost e triunfou em sua primeira temporada pela McLaren. 
VIGIAR E PUNIR

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