F1
24/07/2017 05:00

Renault considera acordo com McLaren de Alonso em jogada que envolve Sainz. Mas só se plano A com Kubica não der certo

Com as posições praticamente definidas nas principais equipes, a Renault se tornou a bola da vez na F1 tanto pelo lado da equipe quanto pelo da montadora. Mas tudo começa na prioridade Robert Kubica. Se o teste após o GP da Hungria não sair como esperado, a marca vai dar peso à opção de ter Carlos Sainz numa operação que envolve uma parceria com a McLaren em 2018 e o desejo de Fernando Alonso. Ainda há uma terceira via; em todas, Jolyon Palmer está descartado
Warm Up / VICTOR MARTINS,  de São Paulo
 Robert Kubica testou com a Renault em Valência (Foto: Renault)

A carência de pilotos capazes de liderar uma equipe — ou ao menos compor uma dupla capaz de ter boa performance — transformou um que não disputa uma corrida na F1 há mais de seis anos e meio como o grande personagem do mercado. Com todas as limitações que os acidentes lhe causaram na vida e no braço direito, Robert Kubica ainda é objeto de desejo num grid que aguarda seu primeiro treino real com um carro da ‘Era Moderna’. E a questão não se resume a uma simples troca com o limitado Jolyon Palmer na Renault. Tem a ver também com o lado montadora da marca francesa e até mesmo com os desejos de Fernando Alonso.
 
O GRANDE PRÊMIO soube que Kubica vai testar mesmo o R.S.17 no segundo dia de testes da inter-temporada na Hungria. Assim, o polonês anda em 2 de agosto, depois de o carro ter passado nas mãos de Nicholas Latifi, canadense da F2. A meta é fazer com que Kubica ande mais de 600 km para ter a permissão de testar os vários tipos de pneus que a Pirelli oferece.
 
A Renault, então, vai fazer uma análise cuidadosa. A princípio, o plano é colocá-lo para andar em um dos treinos livres da sexta-feira do GP da Itália. Mas há um GP da Bélgica antes, e não está descartada a hipótese de Kubica, andar em algum momento no mítico Spa-Francorchamps.  
A prioridade da Renault é colocar Kubica no lugar de Palmer. Mas a equipe trabalha com um plano B (Foto: Renault)

Assim, o plano A da Renault e prioridade absoluta é ter Kubica em sua organização. Só que há um outro cenário em que a companhia está se envolvendo: a McLaren. Tanto Ferrari quanto Mercedes não estão nada dispostas em resolver a vida do time de Zak Brown porque entendem que estariam municiando a rival com uma arma poderosa no formato de motor turbinado a partir de 2018. Como a equipe não quer continuar com a Honda, só restariam as conversas com Cyril Abiteboul e companhia. 
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E esta questão também não se resume a uma simples troca de unidade de potência. Porque a precavida Honda — que não deve nem ficar na Sauber, segundo o ‘Bild’ — não quer deixar a F1 e está conversando com a Toro Rosso. Fechando o acordo, Alonso reata uma aliança que lhe deu os dois títulos na F1, mas não fica totalmente confortável. Porque o espanhol, segundo ouviu o GRANDE PRÊMIO, não quer deixar seu compatriota Carlos Sainz sofrendo as consequências que lhe minaram os últimos anos com o quebrante motor. E vai fazer pressão, claro, para que a Renault dê um jeito de pagar uma multa de rescisão de contrato à Red Bull avaliada em € 8 milhões – cerca de R$ 30 milhões – e coloque Sainz em um de seus carros.

Curioso é que, neste caso, Alonso primeiramente torceria contra o amigo Kubica. Ou, se Robert voltar, para que Kubica ponha tempo e acabe com Nico Hülkenberg na segunda metade da temporada – o que não parece provável. Só em um ou outro cenário, Sainz teria reais chances – agora que está ‘à venda’ pelo grupo Red Bull.
Carlos Sainz Jr. é a alternativa da Renault caso Kubica não vá bem no teste na Hungria (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
A terceira via da Renault é Sergio Pérez. Que já esteve com um pé lá e acabou sendo obrigado a ficar na Force India para esta temporada. Mas isso só vai acontecer se, e somente se, as duas opções acima acabem descartadas. Aí, o mexicano voltaria a formar dupla com Hülkenberg.
 
Voltando a Kubica, é difícil que, tendo condições e pilhado do jeito que está, não encontre um lugar em 2017. Se não for na Renault, a Williams seria uma opção caso Felipe Massa queira se aposentar em definitivo da F1 ou a escuderia avalie que não pode deixar o polaco dando sopa.