F1
13/03/2015 23:05

Van der Garde e Sauber chegam a acordo, e Nasr garante enfim estreia na F1 neste fim de semana na Austrália

No momento em que o julgamento na Corte de Victoria iria começar no sábado em Melbourne, o advogado de Giedo van der Garde informou que havia chegado a um acordo com a Sauber e retirado a ação de execução de ordem contra a equipe. Assim, Felipe Nasr e Marcus Ericsson podem finalmente ficar tranquilos e correr na Austrália
Warm Up
VICTOR MARTINS, de São Paulo
Terminou neste sábado (14) de manhã em Melbourne a primeira parte do caso que deve perdurar por um bom tempo na temporada 2015 da F1. Antes do julgamento final na Corte de Victoria, as duas partes, Giedo van der Garde e Sauber, chegaram a um acordo. A ação que foi impetrada no tribunal, que pedia para que Van der Garde fosse colocado em um dos carros, do contrário poderia haver um confisco e Monisha Kaltenborn presa, foi retirada.

A primeira ação na Corte australiana e aquela que foi movida em dezembro na Justiça da Suíça seguem firmes. Esta última que foi anulada refere-se ao que inglês é definido como 'contempt of court', uma ordem para fazer ser obedecida a decisão judicial.

Detalhes ainda estão por ser dados, mas com a decisão judicial, Felipe Nasr e Marcus Ericsson estão garantidos no restante do fim de semana do GP da Austrália de F1.

Van der Garde demonstrou que não saiu de todo contente do caso. "Como eu sou um piloto muito passional, a decisão foi bem difícil para mim", disse. "Mas eu também desejo respeitar os interesses da FIA e da Sauber, bem como de Nasr e Ericsson. Meus agentes vão continuar as conversas com a Sauber no começo da semana que vem para achar uma solução aceitável para ambas as partes. Eu estou confiante de que vamos encontrar uma solução e vou informar à imprensa assim que a tiver", completou.

Os dois pilotos só puderam andar no segundo treino livre desta sexta-feira em Melbourne, já que durante o primeiro o imbróglio ainda se desenrolava. Nasr ficou com o 11º tempo e Ericsson, 15º. O GRANDE PRÊMIO acompanha os bastidores do caso e as atividades em pista AO VIVO e em TEMPO REAL.
Entenda o 'caso Van der Garde'

A história remonta o fim do ano passado. Ainda com o campeonato em andamento, a Sauber anunciou a contratação de Marcus Ericsson, então sem poder correr pela Caterham— que se ausentou de duas das últimas três provas temporada. Era o primeiro sinal de que a equipe não honraria um dos contratos então em vigor. Tanto Adrian Sutil quanto Giedo van der Garde tinham acordos válidos para 2015. Os dois pilotos tiveram a exata noção de que não serviam mais quando Felipe Nasr foi confirmado.

Sutil e Van der Garde foram devidamente comunicados. Por SMS. O alemão reclamou, mas deixou quieto; o segundo, não. O segundo foi levar o desaforo à Justiça suíça. Em dezembro, os tribunais helvéticos deram ganho de causa ao holandês. Mas em nenhum momento a Sauber fez qualquer menção para cumprir a ordem.

Van der Garde, então, iniciou uma preparação física como nunca fizera em sua vida. Sem poder guiar carro algum, aguardou calado a pré-temporada da F1 e notou que a Sauber não errou a mão de novo como fez em 2014. Se o azul e amarelo C34 não é o mais rápido do grid, ao menos anda no meio do pelotão. 

No fim de semana passado, Van der Garde, pessoas próximas e seu advogado viajaram para Melbourne. Na segunda-feira, deram entrada com uma
ação na Corte do estado de Victoria para tentar garantir o que lhe era de direito e havia sido confirmado pela Justiça da Suíça.

Foi quando a Sauber mostrou ao mundo claramente que tinha feito algo de muito errado. Em vez de questionar alguma brecha no contrato que Van der Garde não haveria cumprido, o advogado de defesa partiu para alegações pueris, da qual a maior se evidenciava num "inaceitável risco de morte" que o piloto corria por nunca ter andado no carro. Ali também levantou-se a questão da superlicença que Giedo não tinha, mas o próprio havia confirmado que pedira à Federação Nacional de Automobilismo da Holanda.  


A Corte australiana deu evidente ganho de causa a Van der Garde. Depois de pensar, a Sauber resolveu apelar do resultado

Na quinta-feira, a tal apelação da equipe repetiu exatamente a mesma linha de defesa. Os advogados de Van der Garde deitaram e rolaram e trouxeram mais detalhes do caso: tanto o acordo do piloto era válido que a Sauber escreveu para o Quadro de Reconhecimento de Contratos — órgão da FIA que regula a questão — que ele fora encerrado em 6 de fevereiro deste ano, isto é, a Sauber negociou e anunciou Nasr e Ericsson quando Van der Garde ainda era seu piloto de fato.

Mas este comunicado de término de contrato acabou tendo valor no caso.


Novamente vitorioso nesta segunda instância, Van der Garde entrou com outra ação na Corte australiana: o chamado 'contempt of court' era o pedido para que a Sauber cumprisse devidamente o que foi estabelecido. A solicitação foi pesada: se o time de Monisha Kaltenborn não obedecesse, os carros e outros itens seriam confiscados nos boxes do circuito Albert Park e a chefe poderia ser presa.

O julgamento acabou arrastado para o sábado em Melbourne, e neste ínterim, Van der Garde apareceu no circuito à paisana, não conseguiu entrar no paddock com a credencial que tinha, esperou 25 minutos até passar pela catraca, foi à garagem da Sauber, viu os mecânicos lhe darem as costas e saírem em debandada, vestiu o macacão de Ericsson e ficou do lado do seu carro, tirou a roupa e foi embora: justamente porque a sua superlicença não havia sido emitida, já que o QRC ainda entendia que o piloto não tinha um contrato.

O choque da Sauber ao receber Van der Garde (Charge: Rodrigo Berton)
Precavida, Monisha deu ordem para que os carros não deixassem os boxes no treino livre 1; no segundo, Nasr e o sueco puderam ir à pista.

Nos bastidores, Sauber e Van der Garde iniciaram tratativas para chegar a um acordo. E por trás de toda história, há o interesse do sogro de Van der Garde, Marcel Boekhoorn, em comprar a Sauber. Em novembro, o empresário cuja fortuna é avaliada em quase R$ 6 bilhões esteve na sede da equipe suíça para negociar. Voltou em seu helicóptero de luxo com um não na cara e uma meta a cumprir.


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