F1
10/11/2016 20:56

Wehrlein se esbalda com churrascaria e aproveita Brasil. Mas fecha cara quando assunto é Ocon na Force India

Pascal Wehrlein conseguiu um feito pouco provável ao colocar a Manor na zona de pontuação, deixando a Sauber em último lugar no Mundial de Construtores. Com personalidade, apesar da notória timidez, o jovem de 22 anos se considerava pronto para dar um passo além no ano que vem. Mas a Mercedes, aquela que o mantém há dois anos como reserva de Lewis Hamilton e Nico Rosberg, o decepcionou ao escolher Esteban Ocon para ocupar um lugar na Force India no ano que vem
Warm Up, de Interlagos / FERNANDO SILVA, de Interlagos
 Pascal Wehrlein (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Pascal Wehrlein está no seu segundo ano no Brasil e, como bom ‘gringo’ em terras tupiniquins, se esbaldou com o churrasco na famosa ‘Fogo de Chão’ nos dias que antecedem a penúltima etapa do campeonato. Em 2015, porém, a felicidade era outra: o piloto esteve em Interlagos como convidado da Mercedes depois de ter se sagrado como o mais jovem campeão da história do DTM. A montadora alemã já tinha traçado o seu destino: fazê-lo ganhar experiência em uma equipe pequena para, em alguns anos, talvez substituir Lewis Hamilton ou Nico Rosberg nas Flechas de Prata, que hoje dominam a F1. 
 
Wehrlein cumpriu com louvor seu papel e alcançou o improvável: levou a pequenina Manor à zona de pontos com o décimo lugar no GP da Áustria, conseguindo a proeza de deixar o time britânico à frente da Sauber, que segue zerada no Mundial de Construtores. Depois de um baita trabalho, diga-se de passagem, Pascal acreditou que seria recompensado no fim do ano. Mas a provável recompensa virou decepção quando a Force India, com a bênção da Mercedes, confirmou Esteban Ocon como o novo titular para a temporada 2017 nesta quinta-feira (10).
 
A inesperada vaga no time de Silverstone foi aberta depois que Nico Hülkenberg confirmou a transferência para a Renault no ano que vem. Tão logo foi anunciada a saída do vencedor das 24 Horas de Le Mans no ano passado, Wehrlein logo foi alçado à condição de favorito a ocupar a vaga do compatriota na Force India. Porém, muitos nomes foram levantados, alguns com mais ou menos força: Kevin Magnussen, Esteban Gutiérrez, Marcus Ericsson e Felipe Nasr. Mas riu melhor quem riu por último. Ocon acabou sendo escolhido pela Mercedes, que fornece os motores para a Force India. Wehrlein ficou na mão e com apenas uma alternativa para o ano que vem na F1: continuar onde está.
 
Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, o jovem de 22 anos, nascido em Sigmaringen, cidade cravada ao sul da Alemanha, se mostrou um tanto tímido, mas feliz por estar no Brasil. “Foi minha primeira vez no Fogo de Chão, e eu adorei! É ótimo aqui [risos]. Há ótimos lugares para se estar em um fim de semana de corrida, mas não há muito tempo para ver muita coisa lá fora, como as praias... Gosto muito do país, da comida também”, disse o jovem Pascal, filho de pai alemão e mãe nascida nas Ilhas Maurício, no Oceano Índico.
Tímido, Pascal Wehrlein só não escondeu a decepção por não ter sido escolhido pela Mercedes para ser piloto da Force India (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Ao mesmo tempo, Pascal se mostrou chateado por não ter sido escolhido pela Mercedes em conjunto com a Force India. “É difícil... Claro, venho fazendo os melhores resultados possíveis. Era uma meta para mim, porque o objetivo para mim é ser campeão e ganhar corridas um dia, mas isso não muda na forma como eu lido com isso”, contou.
 
Pascal não encara a decisão com surpresa, mas com certo ar de incredulidade. “Não sei, pra ser sincero. Havia muitos rumores, muitas coisas acontecendo, muita gente me perguntando, mas não sabia ao certo o que estava acontecendo. É engraçado sobre o quanto as pessoas perguntavam isso para mim, porque eles o contrataram e não eu, mas continuo como sempre. Mas não posso mudar o que aconteceu, as coisas são como são”, disse o dono do carro #94 da Manor.
 
No fim das contas, as decepções fazem parte do aprendizado de um piloto que ainda terá muito para viver na F1. Prestes a fechar sua primeira temporada na categoria que é o topo do esporte a motor, o sentimento de Wehrlein é de dever cumprido.
 
“Minha primeira temporada na F1... estou muito feliz com a minha performance. Depois de estar os três últimos anos no DTM, em carros de turismo, então estar neste primeiro ano na F1 é totalmente diferente. Praticamente toda pista é uma novidade para mim, então é tudo parte de um aprendizado. Mas estou bem feliz como um todo. Estamos em décimo no Mundial de Construtores, o que é importante, estamos à frente da Sauber, então é bom”, salientou o ‘aprendiz’ Pascal. 
Pascal Wehrlein conseguiu a proeza de pontuar com a Manor em 2016 (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
“Aprendi muitas coisas neste ano. Ainda estou aprendendo. A F1 é muito diferente. Pistas novas, um carro novo, o envolvimento com uma equipe nova como a Manor, uma nova equipe para mim, então tem sido incrível”, continuou.
 

A transição do DTM para a F1 foi facilitada justamente em razão da sua função como piloto reserva da Mercedes, assumindo a condução do carro prateado sobretudo em testes, enquanto os titulares Hamilton e Rosberg descansavam. Foi assim que o alemão acabou ganhando uma preciosa experiência ao testar, pela Mercedes, os novos pneus que vão ser adotados pela Pirelli no ano que vem em virtude da mudança o regulamento técnico.
 
“Os novos pneus têm mais aderência, é um bom passo em frente ter mais aderência, especialmente os traseiros. A tração parece ser muito melhor. Mas precisamos esperar e ver como vai ser a performance dos pneus com os novos carros. Pelo menos com o carro de 2015 notei um downforce maior, então acho que os carros do ano que vem vão ser bons, vamos ver”, disse o piloto, que espera tirar proveito das novas regras da F1. “O ano que vem vai ser um grande desafio em razão de um carro novo, de um novo regulamento, então é sempre possível você crescer e evoluir desde o começo, é uma grande oportunidade”, comentou.
 
Wehrlein parece estar destinado a ficar mais um ano na Manor, embora já tenha dito antes que não se incomodaria em seguir onde está. O alemão sabe, também, que será difícil ser promovido ao posto de titular da Mercedes, sobretudo pelos dois anos de contrato que Hamilton e Rosberg ainda têm com o time de Brackley. Só lhe resta esperar e ver o que vai acontecer. 
 
“Há um longo tempo até lá. Eles merecem ser titulares, mas tenho feito meu melhor, então vamos ver. Os dois são grandes pilotos. Lewis é um grande campeão, talvez Rosberg seja campeão neste ano, então você sempre pode aprender muito com eles, já que ainda sou muito novo na F1. Todos aqui esperam uma grande oportunidade, assim como eu”, emendou o germânico que, malandramente, saiu pela tangente e evitou apontar quem merece mais ser campeão nesse ano: “Acho que os dois merecem porque conseguiram ser bem rápidos ao longo do ano”, concluiu aquele que ainda terá de esperar um pouco mais para dar o esperado passo em frente na F1.

O GRANDE PRÊMIO cobre 'in loco' o GP do Brasil de F1 com Flavio Gomes, Evelyn Guimarães, Fernando Silva e Rodrigo Berton. Acompanhe o noticiário aqui