Indy
08/09/2016 08:45

53 pontos atrás do líder, Franzoni parte para final da USF2000 com objetivo único: “Ser campeão e garantir 2017”

Victor Franzoni tem uma tarefa complicadíssima para ser o campeão de 2016 da USF2000: tirar 53 pontos para o líder em uma equipe inferior. Mesmo assim, o brasileiro mostrou-se confiante e explicou que só assim consegue garantir antecipadamente sua participação no Road to Indy em 2017
Warm Up / GABRIEL CURTY, de São Paulo
 Victor Franzoni venceu a primeira corrida da USF2000 em Toronto (Foto: USF2000)

O desempenho de Victor Franzoni na temporada 2016 da USF2000 é excelente. Aos 20 anos de idade, o brasileiro está prestes a completar o terceiro campeonato na categoria que equivale à quarta divisão da Indy. Os números são excelentes: nove pódios em 14 provas disputadas.
 
Os feitos de Franzoni em 2016 ficam ainda mais impressionantes se lembrarmos que ele não está no melhor time da categoria. Aliás, a Cape, dos líderes Parker Thompson e Anthony Martin, é o time que domina a USF2000 com sobras há um bom tempo. 
 
Faltando apenas a rodada dupla de Laguna Seca deste final de semana para o encerramento da temporada, Victor ainda tem chances matemáticas de título: são 53 pontos para Martin e 32 para Thompson.
 
O grande desempenho em 2016, porém, pode acabar não servindo para Franzoni seguir dentro do Road to Indy. Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, o piloto conta que somente o título daria certeza de continuidade nas categorias de base da Indy.
 
"Meu objetivo para o fim do campeonato é tentar ganhar, não tenho muita opção. Para garantir o ano que vem eu preciso do título, já que está muito complicado arrumar patrocínio. O Brasil passa por um momento difícil e as empresas americanas geralmente apoiam pilotos americanos. Preciso ganhar para garantir o ano que vem", disse.
Victor Franzoni venceu em Toronto (Foto: USF2000)
Em 2016, Victor garantiu sua segunda vitória na USF2000, triunfando com autoridade a corrida 1 em Toronto com direito a cravar a volta mais rápida e tudo. Com vitória, tantos pódios e sem treinos para evoluir o carro, Franzoni não tem dúvidas de que vive seu melhor ano em termos de competitividade.
 
"A temporada está muito boa, é a melhor da minha vida. Fui ao pódio em praticamente todas as etapas, só em St. Pete que não. Estivemos rápidos o ano inteiro, também acho que eu evoluí muito, aprendi bastante. Não tivemos treino antes do campeonato pelo acordo que fizemos e, hoje, só estamos atrás da Cape, somos o segundo melhor time, então acho que é uma temporada muito boa", comentou.
Victor Franzoni conquistou seu segundo triunfo em Toronto (Foto: USF2000)
Franzoni relembra que a ArmsUp desenvolveu o acerto o ano inteiro apenas nos treinos livres. Com orçamento mais enxuto, o time teve de se desdobrar para ser competitivo e, frequentemente, ter o brasileiro andando na frente da dupla da Cape. Mesmo assim, a competição acabava sendo desigual.
 
"Acho que o que faltou pra gente foi treino. Durante a temporada não treinamos nenhuma vez e é liberado treinar quantas vezes quiser. Faltou dinheiro. Nós ficamos para trás nisso, já que sempre é difícil brigar com os caras da Cape porque eles têm tudo pronto bem antes, o acerto deles já é muito bom. Para o que nós temos, fizemos muito, estamos sempre no pódio, às vezes até batemos a Cape, completei todas as provas do campeonato. Fomos muito bem", seguiu.
 
Victor parte para Laguna Seca tentando uma improvável virada, mas as maiores possibilidades claramente estão com Martin e Thompson. Franzoni também falou um pouco sobre seus dois grandes rivais em 2016, exaltando o talento do australiano, para ele, muito mais piloto que o canadense.
 
"Eu acho o Anthony melhor. O Parker precisa largar em primeiro para ir bem. Se ele não consegue, ele bate, cai para trás, não tem uma cabeça muito boa. O Anthony tem uma cabeça melhor e também é mais rápido. O Parker não é tão bom, mas tem um ótimo carro. Para mim é mais o carro que leva ele do que ele que leva o carro. O Anthony é diferente, já andava muito bem quando estava na John Cummiskey, enquanto o Parker não fazia nada na JDC", avaliou.
Victor Franzoni frequentou muito o pódio em 2016 (Foto: USF2000)
O passo natural para Franzoni, após atingir o topo da USF2000, seria passar para a Pro Mazda em 2017. Mas as coisas no automobilismo não são simples assim, então, o brasileiro já trabalha com outras possibilidades.
 
"Meu foco para 2017 é correr de qualquer coisa. Se for na Pro Mazda, melhor, já que está dentro do Road to Indy, o maior campeonato dos EUA e um dos melhores do mundo. Eu quero tentar continuar nele, mas se não der certo, preciso tentar correr de qualquer coisa por aqui", explicou.
 
Ainda que seja jovem, Franzoni já tem suas metas de vida bem traçadas. O piloto deixa bem clara sua intenção de seguir nos EUA e, para isso, cogita até passar de dentro para fora das pistas.
A festa de Victor Franzoni em Toronto (Foto: USF2000)
"A Indy é onde quero tentar chegar, mas esse é aquele objetivo mais sonho. Não penso mais em Europa, nem em voltar para o Brasil, quero ficar nos EUA. Quero viver do automobilismo. Se for correndo, melhor. Se não der, quero montar uma equipe de kart, de carro, alguma coisa assim. O objetivo é sempre morar nos EUA e fazer algo relacionado ao automobilismo, não quero sair daqui ", falou.
 
Franzoni tem 294 pontos e dificilmente vai perder a terceira colocação geral para Jordan Lloyd. As provas que definem o campeão e o vice de 2016 na USF2000 acontecem neste sábado e neste domingo em Laguna Seca, em evento que inclui as finais da Pro Mazda e da Indy Lights. 
 
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