Indy
01/02/2018 11:50

Economia e “novos rumos da emissora” tiram Téo José da Bandeirantes e põem dúvida sobre transmissão da Indy

Narrador da Indy desde 1993, pela extinta TV Manchete, Téo José não vai ser mais a voz da categoria na Band. A emissora do Morumbi optou por não renovar o contrato do jornalista goiano para a temporada 2018 em razão de uma série de problemas financeiros que também limaram vários profissionais do esporte. O foco de Téo, contudo, é um só: “Meu olhar está lá na frente, está lá no futuro”
Warm Up / FERNANDO SILVA, de Sumaré / FELIPE NORONHA, de São Paulo
 Téo José (Foto: Bandeirantes/Divulgação)

A notícia foi dada em primeira mão pelo jornalista Flávio Ricco, do 'UOL', na manhã desta quinta-feira (1). Depois de 12 anos, Téo José não teve seu contrato renovado pela Band. Após meses de negociações, uma reunião ocorrida na última quarta-feira na cúpula da emissora do Morumbi, representada por Juca Silveira, selou seu destino. Muito por conta da crise econômica que assola a Band, ficou acertada a sua saída do canal.  Um grande baque, sem dúvidas, para a transmissão da Indy no país. Com a morte de Luciano do Valle, ocorrida em 2014, Téo José era a principal voz da Band na categoria. Contudo, o goiano de 54 anos narra a Indy desde 1993, quando trabalhou na extinta TV Manchete.
 
Assim, não é exagero dizer que Téo José também é uma icônica voz da Indy no Brasil. Além de todo seu trabalho com o automobilismo, o narrador também se notabilizou por trabalhos em transmissões de Copas do Mundo, Liga dos Campeões e até eventos fora do esporte, como o Carnaval do Rio de Janeiro, São Paulo, Recife e o desfile de Parintins. Téo José sempre se mostrou um narrador polivalente. Ricco informa na sua coluna que as três maiores audiências da Band no ano passado foram alcançadas justamente com Téo José no comando das transmissões como narrador da Liga dos Campeões. 
 
Téo José falou com exclusividade ao GRANDE PRÊMIO e não escondeu o sentimento de tristeza com a saída da Band, ainda mais diante de um ano que se desenha tão promissor para a Indy. Contudo, Téo ressaltou o momento difícil da emissora paulistana e lembrou que outros profissionais que também trabalharam ao seu lado nas coberturas da Indy, como os repórteres Gustavo Berton e Antônio Pétrin, também foram demitidos nos últimos meses. Sem uma equipe completa, o próprio futuro da Indy na Band passa a ser uma incógnita.
Voz da Indy no Brasil, Téo José deixa a Band após 12 anos de transmissões (Foto: Bandeirantes/Divulgação)
“A gente já vinha negociando há um tempo, e apesar do momento econômico que a Band vive, a continuidade da Indy e da Liga dos Campeões está na programação para 2018. Então eu achava, realmente, que iria renovar meu contrato por mais uma temporada. Mas com essa situação econômica, e com os novos rumos da emissora, isso se complicou bastante. Não houve condições para renovação. Estou triste, porque, poxa!, são 12 anos de Band”, declarou o narrador, que também teve passagens importantes não apenas pela Manchete, mas foi a grande voz da Indy no auge da categoria, no SBT, além de trabalhar na PSN e na Rede TV! antes de chegar ao outrora conhecido como o ‘Canal do Esporte’ em 2006.
 
Em que pese seu sentimento pela saída da emissora, Téo garante que deixa a Band com a certeza do dever cumprido. “Tenho minha consciência muito tranquila de que, nesses 12 anos, tudo o que eles me entregaram para fazer, eu dei retorno. Principalmente em termos de resultado: audiência, faturamento, qualidade. Fico com a consciência tranquila, mas estou no mercado. Acho que ainda tenho muita coisa a fazer na minha carreira e estou extremamente motivado, com o olhar totalmente lá na frente. O que passou, passou”, afirmou.
 
O narrador afirmou que o fim do seu contrato não foi necessariamente encarado como uma surpresa. “Estava em Goiânia, cheguei em São Paulo na terça-feira, ontem fui para essa conversa, e esperava que acontecesse uma definição, para o bem ou para o mal. Os dois lados acharam por bem dessa forma, e vida que segue”, comentou Téo, que deixa claro: sua jornada está muito longe do fim.
 
“Já tive situações difíceis de carreira, como a falência da PSN, a interrupção dos esportes no SBT, e, sempre num tempo muito rápido, acabei me recolocando e tendo projetos bacanas para fazer. E é o que espero agora, mesmo sabendo que o mercado do jornalismo no geral, não só no esporte, não anda passando por bons momentos”, ponderou.
Na Band, Téo José fez uma parceria de sucesso com o comentarista e também piloto Felipe Giaffone (Foto: Bandeirantes/Reprodução)
 
A Indy continua na Band?
 
Foi assim que a Band era conhecida, sobretudo nos tempos em que o saudoso Luciano do Valle comandava uma programação esportiva intensa que não se vê mais nos dias de hoje e com a massificação dos canais por assinatura. Mas em 2018, com o enfraquecimento da equipe esportiva jornalística, Téo José teme por um espaço cada vez menor, sobretudo para a Indy.
 
“Para ser bem sincero, não sei como vai ser o desenho dessa programação de 2018. O que a gente sente, pelo enxugamento do departamento de esportes, é que talvez o esporte tenha menos espaço. São os movimentos que estão acontecendo neste momento. Não vejo, de imediato, outro tipo de investimento no esporte. Com relação à Indy, saiu eu, que era o narrador; saiu o [Gustavo] Berton, que era o repórter principal; e também o [Antônio] Pétrin, que além de ser repórter por muito tempo, também já fez as vezes de comentarista. Quer dizer, não sei como vai ser”, comentou.
 
Téo entende que, por enquanto, Band vai continuar sendo a emissora oficial da Indy no Brasil, uma vez que existe contrato. “Acredito que a Indy vai estar na grade tanto da Band como também no BandSports”. Entretanto, o narrador goiano ainda não sabe qual tratamento vai ser dado à categoria.
 
“Sinceramente, não conversei com eles sobre isso e não sei como vai ser o tratamento dado para a Indy nesse ano. E é um ano em que a Indy vem com novidades, com o Matheus (Leist), talvez o (Pietro) Fittipaldi, o carro novo, então vai ser um ano bem legal para a Indy. Acho que, depois de três ou quatro temporadas, mesmo com a saída do Helio (Castroneves), vai ter uma temporada fantástica. Gostaria muito de viver isso mais uma vez, mas não tem problema. Já tive interrupção com a PSN, quando a Indy ficou na Record. Então, quem sabe encontro a Indy mais uma vez”, salientou.
A Indy vem com grandes novidades em 2018, sobretudo o carro (Foto: Benito Santos)
O que se especula entre o noticiário de televisão é que a Band pode reservar uma nova grade aos domingos, com um programa comandado pelo jornalista e apresentador José Luís Datena. Um dominical, a depender do horário, entraria em conflito com as corridas da Indy, majoritariamente transmitidas ao vivo no período da tarde.

O GRANDE PRÊMIO procurou a Bandeirantes para comentar a saída de Téo José de seu quadro de funcionários. Por meio de sua assessoria de imprensa, a emissora respondeu que “a equipe da Indy está mantida, apenas um narrador deixou a empresa”. A Band diz que o acordo de transmissão da Indy “está em vigor e segue normalmente em TV aberta”. Contudo, o fato é que até mesmo a equipe de produção do canal envolvida com a Indy foi dispensada.
 
 
O futuro de Téo José
 
O narrador encerrou mais um ciclo em uma carreira vitoriosa e marcada por grandes momentos. Mas Téo José não quer saber de parar, longe disso. 
 
“Estou em São Paulo, volto para casa no sábado. Fico em Goiânia até o carnaval. Mas estou no mercado. Estou vendo portas, tenho uns projetos pessoais que, independentemente disso, vou dar uma acelerada, mas não quero parar, não. Vou acelerar. 2018 é um ano importante, com grandes eventos pela frente, vejo que o futebol europeu vem tendo bastante interesse, campeonato brasileiro. É um ano interessante, tem muita coisa pra fazer. Meu olhar está lá na frente, está lá no futuro”, concluiu a voz da Indy no Brasil.