Indy
12/05/2018 21:40

Newgarden comete erro e Rossi sofre com Andretti. Enquanto isso, Bourdais e Dixon encostam em ótimo começo de ano

Josef Newgarden e Alexander Rossi não foram tão encantadores no GP de Indianápolis quanto nas primeiras quatro provas de 2018. Trata-se de uma injeção de ânimo para quem vem atrás, como os constantes Sébastien Bourdais e Scott Dixon, além do vencedor do dia, Will Power
Warm Up / GABRIEL CURTY, de São Paulo / VITOR FAZIO, de Porto Alegre / EDUARDO PASSOS, de São Paulo
 A largada do GP de Indianápolis (Foto: IndyCar)

Ao fim de 2018, talvez o GP de Indianápolis seja apontado como uma espécie de divisor de águas. Os dois pilotos que ganhavam ar de favoritismo, Josef Newgarden e Alexander Rossi, não tiveram um sábado (12) dos mais brilhantes. Enquanto isso, dois nomes antes pouco citados começaram a aparecer com mais seriedade na briga pelo título – Sébastien Bourdais e Scott Dixon – já não parecem tão improváveis. No autódromo em que a Indy nasceu e se agigantou, não parece exagero dizer que a temporada renasceu com nova configuração.
 
Para começo de conversa, Newgarden foi 11º após rodar sozinho na segunda metade da corrida. O atual campeão deu o azar de ver Rossi, pouco inspirado, tirar um quinto lugar da cartola – resultado que não reflete a atuação pouco inspirada do piloto da Andretti, mas que rende pontos do mesmo jeito. É legal ver a diferença entre os rivais caindo para dois pontos, mas talvez seja ainda mais ver outros pilotos com a chance de reagir. Nesse grupo está Will Power, vencedor do dia em Indianápolis e agora sétimo no campeonato
 
“Foi uma corrida incrível, na verdade”, comentou Power. “O Wickens veio com pneus vermelhos enquanto eu estava com pretos e, olha, eu nunca acelerei tanto. Depois eu fiquei com vermelhos e tentei dar o troco. Precisei poupar muito combustível no fim e tentar ir rápido ao mesmo tempo, porque sei como o Dixon é bom em poupar e andar rápido. Nunca forcei tanto durante uma corrida inteira. Eu estava indo a 100% o tempo inteiro”, seguiu.
Will Power teve uma vitória importante no misto de Indianápolis (Foto: IndyCar)
Um resultado como o deste sábado serve como fôlego para ter um mês de maio inesquecível, incluindo aí as 500 Milhas de Indianápolis do dia 27.
 
“É ótimo para a equipe inteira, para o pessoal que trabalha no meu carro pegar um impulso. Tivemos um começo de ano meio vagaroso. Lembro que na última vez que venci essa corrida fui segundo na Indy 500. Eu me senti bem durante o mês inteiro”, recordou.

Se Power entrou para briga, Scott Dixon foi ainda mais longe. É impressionante o poder que tem o veterano. Primeiro que é meio surreal que ele esteja apenas 31 pontos atrás de Newgarden na classificação depois de um começo de ano em que foi buscar seu primeiro pódio hoje. Além disso, tirou coelho da cartola para ter esse resultado em Indianápolis, visto que não tinha grande ritmo e quase não passou ninguém na pista.
Scott Dixon e a Ganassi brilharam nos boxes (Foto: IndyCar)

É aí que entra o lado cerebral e estrategista de Dixon. Poupando muito bem o equipamento, o neozelandês se colocou no pódio nos boxes e, quando precisou, atacou Wickens e virou segundo colocado. Quase ganhou sabe-se lá como. É um cara que não erra e que está sempre passos na frente do que a equipe o proporciona de equipamento. Candidato óbvio ao título.
 
“Certamente foi um começo de ano difícil e um fim de semana difícil aqui. Mas tivemos um bom dia em termos de estratégia. Estávamos 2s mais rápidos que todo mundo em determinado momento. Todos os outros estavam andando com pneus pretos e a gente deve ter recuperado uns 20s só nesse trecho. É bom finalmente ir ao pódio esse ano. Fico surpreso que eles tenham feito o combustível render desse jeito. Eles [Chevrolet] evoluíram muito nesse sentido. Eu acelerei tudo que pude, apesar do carro estar um pouco traseiro ao lidar com o tráfego. Quando eu tentava acelerar um pouco mais, acabava gastando mais os pneus traseiros. Precisei acalmar um pouco uma hora para tentar outra vez, mas não consegui recuperar a distância. Mas estou orgulhoso da Honda”, comentou Dixon.
Robert Wickens fez mais um grande trabalho (Foto: IndyCar)
Quando se pensa em nomes possíveis na briga pelo título, não dá para deixar Wickens de lado. Seria injusto: o canadense, estreante, teve ritmo para ir ao pódio em quatro das cinco corridas. Conseguiu três – em São Petersburgo houve o infame toque com Rossi no fim. Depois de um terceiro lugar em Indianápolis, Robert mostrou, acima de tudo, a capacidade de capitalizar em um fim de corrida que não lhe foi favorável.
 
“É a primeira vez na minha carreira que tenho que economizar combustível assim”, contou Wickens. “Um pouco caótico, mas estou muito feliz que não ficamos sem. Apesar de que, a todo instante, eles me davam um número e eu não conseguia atingi-lo. Eles estavam meio que dizendo “precisamos disso, precisamos disso” e eu estava “estou tentando, simplesmente não consigo atingir o número”. Tivemos que superar isso porque não fui capaz de economizar combustível no início. De todo jeito, foi uma tarde estressante. Estava feliz no início, mas essa questão de economizar combustível meio que deixou as coisas imprevisíveis”, avaliou.
Sébastien Bourdais vive grande fase (Foto: IndyCar)
Bourdais também teve uma dose de estresse. O francês sofreu muito com o consumo de combustível no fim e temeu uma pane seca. O resultado que poderia ter tom catastrófico, talvez com um pit emergencial nas últimas voltas, acabou sendo um muito bem recebido quarto lugar.
 
“São pontos realmente bons para nós”, comemorou Bourdais. “Eu só senti que não fiz o melhor possível para maximizar o resultado. No fim, conseguimos outro quarto lugar e, honestamente, eu não sabia o que conseguiríamos. Estivemos fracos na maior parte da corrida, o que tornou as coisas muito difíceis. Eu achei que finalmente acertaríamos o jeito com a pista, mas não. O equilíbrio só esteve bom quando colocamos pneus vermelhos novos”, refletiu.
 
A missão de poupar combustível a qualquer custo foi prejudicada pela necessidade de brigar por posições nas últimas voltas. Bourdais relata que quase cedeu ao desejo de pisar fundo, assim como alguns rivais.
 
“Os outros pilotos estiveram muito agressivos no fim e eu não sabia se simplesmente deixava os indicadores de combustível para lá e ia junto deles”, disse. “Eu já não estava atingindo o consumo necessário e tinha muita pressão vinda de trás, então pensei que simplesmente não possuíamos ritmo e teríamos que abrir mão de algumas posições. Depois disso, eu estava meio que como um lobo solitário lá, fazendo meu serviço e tentando deixar o consumo um pouco melhor. Enfim, o importante é que conseguimos os pontos do quarto lugar e aparentamos estar muito bem no campeonato”, considerou.
Josef Newgarden tinha o pódio nas mãos... (Foto: IndyCar)
E a entrada especialmente desses três na disputa pelo título se deve, principalmente, ao erro bobo e totalmente raro que Newgarden cometeu na corrida. Quando tinha um pódio nas mãos se fosse paciente, o americano mergulhou onde não dava, perdeu o controle e rodou sozinho, caindo para o fundo do pelotão.
 
Por sorte, não tomou volta e ainda conseguiu chegar em 11º numa bela recuperação, minimizando o estrago. Poderia ser pior, mas deveria ser muito melhor. Agora, só dois pontos o separam de Rossi e são 26 para Bourdais.
 
"Tínhamos um carro para pódio, com certeza. É difícil jogar isso fora. Acho que eu me equivoquei ali. Eu tentei algumas vezes em cima do Bourdais, não consegui e me afobei. Achei que ele fosse me dar espaço, até deu, mas não o suficiente. Meu erro, eu arruinei um pódio. Pelo menos recuperei o que deu, a força do motor Chevrolet ajudou. A 200ª vitória para a Penske foi ótima. Feliz pelo Will e pelo time. Vamos para a Indy 500", disse Newgarden.
Alexander Rossi foi bem melhor que a Andretti na corrida (Foto: IndyCar)
O outro grande favorito ao título não fez feio, não, mas sua equipe o prejudicou muito. A Andretti simplesmente não se acertou no misto de Indianápolis e sofreu muito com três carros. Sorte dela que Rossi está inspirado e ainda salvou um top-5.
 
"Estava bem preocupado depois da sessão da manhã. Por algum motivo, o carro estava lento e foi do nada, um mistério. Agora, que sorte que temos quatro carros na equipe. Pegamos o acerto do Hunter-Reay e eu diria que isso salvou o final de semana. Foi uma bela recuperação, parabéns a todos por isso, só um pouco frustrado por ter perdido o quarto lugar. Acho que podíamos ter salvo combustível no stint final, mas não conseguimos, precisamos ver o que rolou, mas no geral foi uma boa recuperação. Já ansioso pelos trabalhos para a Indy 500, quero buscar essa segunda vitória", falou o americano vice-líder.
Hélio Castroneves e Tony Kanaan andaram bem em Indianápolis (Foto: IndyCar)
Helio Castroneves teve uma reestreia de muito respeito na Indy. Tudo bem que o começo foi complicado e que vários pilotos passaram o veterano, mas o brasileiro se recuperou bem, pegou a mão do carro e chegou em um ótimo sexto lugar, somando bons pontos e indo para a especialidade Indy 500 com a moral lá em cima.
 
"Foi como se eu nunca tivesse deixado a categoria. Boa estratégia da equipe. Começamos com os pneus duros, foi complicado, mas eu sabia que não deveria lutar com os demais ali. Que daria o troco com pneus macios e foi assim mesmo. A equipe foi fenomenal nos boxes, vai ser demais ter esse grupo na Indy 500, eles podem muito. Sinto pelo Simon, mas o Sato me bateu por trás, perdi o carro e toquei no Simon, que conseguiu reagir de forma fenomenal. É demais estar de volta e estou pronto para a Indy 500", declarou o três vezes vencedor da principal prova do calendário.
 
Tony Kanaan fez, possivelmente, sua melhor corrida na temporada, mas a Foyt o deixou muito na mão. O brasileiro teve ritmo para sonhar até com top-5, mas perdeu muito terreno nos boxes e amargou a 14ª colocação.
Matheus Leist sofreu muito (Foto: IndyCar)
"Nós tivemos uma boa corrida na pista, mas os pit-stops não foram no mesmo nível. Tudo que eu ganhava na pista eu perdi nos boxes. Precisamos ajeitar isso antes da próxima corrida", resumiu.
 
Matheus Leist foi outro que teve desempenho comprometido. O brasileiro entrou no grupo dos pilotos que ficaram sem combustível no final, teve de parar uma vez a mais que os rivais e fechou em 21º.
 
"Foi uma corrida dura. Tinha um carro difícil, tive alguns problemas o tempo todo. Infelizmente, não foi nosso dia de novo. Vamos para a próxima", falou o jovem gaúcho.