Indy
10/05/2014 21:59

Pagenaud herda vitória em prova marcada por forte acidente em Indianápolis. Castroneves termina em terceiro

Nome do fim de semana como um todo, Simon Pagenaud beneficiou-se das estratégias nos pits para conquistar sua primeira vitória na temporada e se aproximar dos líderes do campeonato, Will Power e Ryan Hunter-Reay, este segundo. Helio Castroneves foi terceiro no primeiro GP no misto de Indianápolis
Warm Up
VICTOR MARTINS, de São Paulo
Era o nome do fim de semana e, ainda que por linhas tortas, confirmou isso. Simon Pagenaud venceu GP de Indianápolis na tarde deste sábado (10) e se tornou o primeiro ganhador da edição da prova disputada no misto do Speedway. O francês guiou rápido a corrida toda, mas beneficiou-se amplamente pelas estratégias nos pits — do seu, muito bem feito pela Schmidt Peterson, e da falha dos demais que vinham na ponta e foram parando para splash &go em cadeia.
A bandeirada a Pagenaud (Foto: IndyCar)
Ryan Hunter-Reay terminou na segunda posição e aproximou-se da liderança do campeonato, um ponto atrás de Will Power, seguido bem de perto pelo próprio Pagenaud. Helio Castroneves terminou na terceira colocação e recebeu um troféu no dia de seu aniversário.

Tony Kanaan teve desempenho apagado e conduziu sua Ganassi apenas ao décimo lugar em uma prova que foi marcada pelo fortíssimo acidente da largada, que envolveu o colombiano e pole Sebastián Saavedra.


Confira como foi o GP de Indianápolis

Deu a largada, e Saavedra ficou no grid. Ficou e aí foi alvo fácil dos demais, que ficaram sem visão. Enquanto quem vinha nas filas posteriores à primeira conseguiram desviar, Carlos Munõz não viu e acertou em cheio o #17 do colombiano, atravessando na transversal e indo parar no muro que separa as arquibancadas – em acidente que lembrou muito o de JJ Lehto com Pedro Lamy naquele GP de San Marino de 20 anos atrás. No segundo seguinte, Mikhail Aleshin completou o strike em Saavedra, destroçando seus carros.
O terrível acidente da largada envolveu Sebastián Saavedra, Mikhail Aleshin e Carlos Muñoz (Foto: IndyCar)
Saavedra estava com a mão levantada no momento dos acidentes. Hesitou um pouco em deixar o carro, mas nada lhe aconteceu. A mesma coisa aconteceu com Aleshin.

À TV americana, Sebastián mostrou-se notória e evidentemente desolado. “Não ter uma chance por causa de uma falha elétrica me deixa puto”, comentou, evidentemente sem polidez. Muñoz, depois de ser examinado no centro médico, preferiu reclamar das largadas paradas. “Não deveriam acontecer com estes carros”, resmungou.
Saavedra saiu com algumas dores (Foto: IndyCar)
Alheio ao acidente, Montoya, em oitavo, também ficou parado no grid. Ou seja, em questão de segundos, três dos quatro colombianos da Indy foram afetados. É a zica mais rápida de um país nas pistas registrada nestes tempos. Ao menos, Juan Pablo conseguiu continuar na prova.

Terror à parte, Hunter-Reay assumiu a ponta, passando Hawksworth, que era segundo no grid.

A relargada só aconteceu na volta 8, com Hunter-Reay deixando a briga para o resto do pelotão. Pagenaud tentou passar Hawksworth, sem êxito. Na passagem seguinte, o inglês da Bryan Herta #98 embutiu no vácuo e, no fim do retão principal, incrivelmente levantou o público ao passar o campeão de 2012, norte-americano, assumindo o primeiro lugar. No embalo, Pagenaud veio para o segundo posto, deixando Hunter-Reay para brigar com Dixon, quarto.
Jack Hawksworth tinha o melhor carro do grid e passou Pagenaud para liderar boa parte da prova (Foto: IndyCar)
Se o público e os demais esperavam que Pagenaud fosse chegar para disputar a ponta, o engano apareceu com um par de voltas. Hawksworth começou a abrir distância, sendo cerca de 0s2 mais rápido a cada passagem. Lá atrás, devidamente recuperado, Montoya já colava no companheiro Castroneves, realizando a manobra de ultrapassagem entre as curvas 1 e 2 para ganhar a oitava posição no giro 17.

As primeiras estratégias de boxes começaram a se desvelar a partir da volta 20. As Penske e as Ganassi, por exemplo, pararam rapidamente, ao passo que os líderes preferiram esticar a primeira perna. Pagenaud e Dixon foram os primeiros dentre os ponteiros, indo na 28; Hakwsworth e Hunter-Reay, na seguinte. As posições não mudaram, mas a distância caiu consideravelmente entre os dois primeiros.

Não deu outras duas voltas para que Hakwsworth tornasse a abrir uma larga vantagem, também aproveitando-se do uso dos pneus macios (vermelhos).

Considerando que o traçado do misto de Indianápolis traz consigo largas áreas de escape e as disputas deixaram de ser intensas, a prova entrou em uma fase banho-maria. Uma rápida passada, então, na situação dos brasileiros: Castroneves se posicionava em sétimo, depois de passar James Hinchcliffe, enquanto Tony Kanaan vinha em 11º reportando problemas em seu push-to-pass, que não funcionava; só mais um item no calvário vivido por TK na Ganassi.

Ô ânimo só voltou na volta 42. Power abriu para passar Dixon no fim da reta principal, conseguiu e tal. Aí o campeão do ano passado, sei lá que se passou na cabeça, tentou dar o troco na curva 4 numa manobra pra lá de otimista. O neozelandês da Ganassi acabou dando no meio do carro de Power, mas foi o único a se dar mal. Foi parar na brita, provocando nova bandeira amarela.

Hakwsworth e Pagenaud aproveitaram o momento para suas segundas paradas, e isso promoveu a troca de lugares por conta do melhor trabalho da Schmidt Peterson. Sem parar, Hunter-Reay passou ao primeiro posto, sendo comboiado pelo parceiro Hinchcliffe. Na sequência, e em estratégia diferenciada, vinha a dupla da Dale Coyne – Justin Wilson e Carlos Huertas. Castroneves subiu para quinto.

Oportunidade de galhofa: o motor do safety-car estourou. Imagina só o Corvettão lá fumegando. A Indy é linda.

Aí teve a relargada. Wilson foi para cima de Hinchcliffe, passou e trouxe o ímã Huertas. Só deu tempo para uma nova bandeira amarela: Martin Plowman estava lá no miolo do circuito e sem muito o que fazer da vida quando perdeu completamente a freada para a curva em 90º à esquerda, a 7. Daí, pegou a alta zebra de apoio, decolou e acertou em cheio e por cima a traseira do carro do pobre Franck Montagny.

Relargada de novo, e já vai a crítica: a Indy criou um novo sistema em que o líder tem de vir lentamente e só acelerar em um determinado ponto demarcado metros antes da linha de chegada. Aí todo mundo que vem atrás, afobado, forma uma linha indiana e não sabe o que o primeiro do pelotão pensa da vida, tampouco quem vem à frente. Já havia dado problema em St. Pete; agora, Montoya deu um totó em Graham Rahal, jogando o filho de Bobby, também seu chefe, no muro. Para piorar, a bandeira amarela, que deveria surgir imediatamente, demorou a vir. Foi o tempo de Wilson e Huertas passarem Hunter-Reay para formarem a dobradinha.

Os novos primeiros colocados viram na paralisação uma oportunidade para fazerem suas últimas paradas. Com isso, Helio passou ao primeiro lugar; dentre os velhos líderes, Pagenaud resolveu ir aos pits e Hakwsworth, não. O inglês posicionou-se em terceiro, atrás de Charlie Kimball.

Volta 56, verde de volta, e Kimball pressionava a Penske de Castroneves enquanto as outras duas, de Montoya e Power, cumpriam punições – um pelo acidente com Rahal, outro por violação nos pits. O brasileiro conseguiu se manter à frente e impôs um bom ritmo porque sabia que teria de parar mais uma vez, tal como Kimball.

Hinchcliffe resolveu parar. Estranho, nada indicava que o carro #27 da Andretti apresentasse problema. Minutos depois, o canadense apareceu em uma maca a caminho do centro médico: machucou a mão e estava com dores terríveis.

Na sequência, a equipe chamou Hakwsworth para os pits, arruinando sua corrida por fazê-lo parar em bandeira verde. Para compensar, com os pneus vermelhos, passou a andar em ritmo de classificação, rodando mais rápido que o pelotão todo.

A Ganassi chamou Kimball para um splash & go faltando 13 voltas; na seguinte, a Penske fez o mesmo com Helio. A liderança caiu no colo de Sébastien Bourdais, mas só por um giro: a KV também o levou aos boxes, bem como Ryan Briscoe. O primeiro colocado passou a ser Oriol Servià.
Helio Castroneves durante parada nos pits (Foto: IndyCar)
A dúvida passou a ser se Servià teria condições de levar o carro #16 até o fim para quebrar um tabu de quase nove anos sem vitórias na vida. Foi dirimida a 5 voltas do fim, com sua ida nos pits para reabastecimento. Para piorar, o carro morreu. Desastre. A liderança caiu no colo de Pagenaud, que partiu para a vitória, com algum suspense. 

Castroneves bem que se aproximou de Hunter-Reay para tentar ser segundo, mas só chegou colado no líder do campeonato. Assim, pois, foi o pódio — uma recompensa para o aniversariante Helio, 39 anos.
Pagenaud venceu pela primeira vez no ano (Foto: IndyCar)
Indy, GP de Indianápolis, final:
 
1 77 SIMON PAGENAUD FRA SCHMIDT PETERSON HONDA 2:02:24.026 82 voltas
2 28 RYAN HUNTER-REAY EUA ANDRETTI HONDA +0.890  
3 6 HELIO CASTRONEVES BRA PENSKE CHEVROLET +1.824  
4 11 SÉBASTIEN BOURDAIS FRA KV CHEVROLET +2.540  
5 83 CHARLIE KIMBALL EUA GANASSI CHEVROLET +5.300  
6 8 RYAN BRISCOE AUS GANASSI CHEVROLET +9.191  
7 98 JACK HAWKSWORTH ING BRYAN HERTA HONDA +14.616  
8 12 WILL POWER AUS PENSKE CHEVROLET +18.595  
9 14 TAKUMA SATO JAP FOYT HONDA +20.972  
10 10 TONY KANAAN BRA GANASSI CHEVROLET +21.453  
11 19 JUSTIN WILSON ING DALE COYNE HONDA +26.475  
12 16 ORIOL SERVIÀ ESP RLL HONDA +29.656  
13 18 CARLOS HUERTAS COL DALE COYNE HONDA +33.082  
14 25 MARCO ANDRETTI EUA ANDRETTI HONDA +1:04.237  
15 9 SCOTT DIXON NZL GANASSI CHEVROLET +1:08.626  
16 2 JUAN PABLO MONTOYA COL PENSKE CHEVROLET +1 volta  
17 67 JOSEF NEWGARDEN EUA FISHER HARTMAN HONDA +2 voltas  
18 41 MARTIN PLOWMAN ING FOYT HONDA +2 voltas  
19 20 MIKE CONWAY ING CARPENTER CHEVROLET +24 voltas NC
20 27 JAMES HINCHCLIFFE CAN ANDRETTI HONDA +26 voltas NC
21 15 GRAHAM RAHAL EUA RLL HONDA +32 voltas NC
22 26 FRANCK MONTAGNY FRA ANDRETTI HONDA +35 voltas NC
23 17 SEBASTIÁN SAAVEDRA COL KV CHEVROLET +82 voltas NC
24 34 CARLOS MUÑOZ COL ANDRETTI HONDA +82 voltas NC
25 7 MIKHAIL ALESHIN RUS SCHMIDT HONDA +82 voltas NC


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