Coluna Wild Card, por Juliana Tesser: Somando capacidades
Jorge Lorenzo foi muito além de seu papel de piloto no último fim de semana ajudando a promover a causa da igualdade. O espanhol é um tremendo piloto, mas mostra que é uma pessoa ainda melhor
O GP da Catalunha de MotoGP não foi lá nenhum primor de competitividade, mas o resultado em Montmeló ajudou a mostrar ao mundo uma coisa muito mais importante. Ao subir ao pódio, Jorge Lorenzo levou com ele Anna Vives, uma catalã portadora da Síndrome de Down.
Anna trabalhou junto ao piloto e a StarLine no design do capacete utilizado pelo titular da Yamaha. A composição do casco contou com uma fonte criada por Anna e que funciona em qualquer tipo de programa de texto. Vives é conhecida na Espanha e inclusive verá sua fonte estampando as camisas do Barcelona em um torneio amistoso em agosto.
Além de ajudar na arte do capacete, Anna também integrou a equipe de Lorenzo durante o fim de semana, atendendo convidados e fazendo o papel de relações públicas. A meta dela para o fim de semana era lutar contra a discriminação e mostrar que as pessoas com Síndrome de Down têm capacidade para estar no mercado de trabalho e conviver de forma absolutamente normal na sociedade.
Não foram poucas as imagens de Lorenzo comemorando com Anna. Na foto do time após a corrida, era Vives quem estava na M1, com o piloto em pé, ao seu lado. Pelo Facebook, o bicampeão destacou que eles conseguiram juntos o triunfo em Barcelona – somando capacidades.
Todo atleta – ou pessoas públicas de forma geral – tem o poder de atrair os olhos de uma multidão para uma única causa. Lorenzo optou por levantar a bandeira da igualdade.
Já escrevi isso uma vez e acho válido repetir: o Lorenzo de hoje não é o mesmo garoto que estreou na MotoGP uns anos atrás. Os títulos que conquistou mostram seu talento de forma incontestável, mas hoje nós sabemos que o espanhol é uma pessoa ainda melhor do que é como piloto.
Tem defeitos? Claro. Todo mundo tem. Às vezes ele é meio esquentado, faz o que não deve – como fez ao se recusar a apertar a mão de Marc Márquez em Jerez –, mas escolheu usar sua popularidade para uma boa causa. E merece aplausos por isso.
Além de envolver Anna no dia-a-dia de um universo bastante atípico para a maioria da população, Jorge foi além e colocou o capacete em leilão para beneficiar uma instituição que ajuda pessoas com Síndrome de Down. No momento em que escrevo este texto, os lances ultrapassam os € 21 mil (cerca de R$ 61 mil).
Pode não ser nenhuma fortuna para os padrões do Mundial de Motovelocidade, mas para a organização que vai receber os recursos, certamente será de muita ajuda.
Lorenzo escolheu uma boa causa para apoiar e espero que isso ajude a mudar a maneira como muitas pessoas enxergam quem tem Down. É somando capacidades que se muda o mundo.
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