MotoGP
12/12/2017 11:09

Dirigentes apoiam iniciativa da Dorna de criar Copa do Mundo de Moto-e, mas descartam futuro elétrico para MotoGP

Chefes de Honda, Yamaha, Ducati, Suzuki, KTM e Aprilia apoiaram a iniciativa da Dorna de criar a Copa do Mundo de Moto-e, mas descartaram que as motos elétricas tomem o lugar da MotoGP
Warm Up, de Valência
JULIANA TESSER, de Valência

Enquanto a Dorna segue firma no propósito de lançar a Copa do Mundo de Moto-e, os principais dirigentes da MotoGP descartam um futuro elétrico para a classe rainha do Mundial de Motovelocidade. ‘Petrol heads’ assumidos, os comandantes das seis fábricas presentes na categoria acreditam que os motores a propulsão seguirão reinando na elite da motovelocidade.
 
 
Reunidos em Valência, representantes de Honda, Yamaha, Ducati, Suzuki, KTM e Aprilia defenderam a opção da empresa espanhola de começar a trabalhar com motores elétricos, mas descartam o adeus dos motores a combustão na MotoGP. Ao menos em um futuro próximo.
Pit Beirer, Davide Brivio, Paolo Ciabatti, Livio Suppo, Lin Jarvis e Romano Albesiano descartaram futuro elétrico para MotoGP (Foto: Yamaha)
Dias antes de deixar seu posto no comando da Honda, Livio Suppo apoiou a criação da categoria, mas admitiu que precisa do ronco dos motores atuais.
 
“Se tiver uma série elétrica, ok, mas eu tenho 53 anos e sentiria falta do som de um motor de verdade”, disse Suppo. “Esta é a minha opinião pessoal”, destacou.
 

Diretor de projeto da Ducati, Paolo Ciabatti seguiu a linha do dirigente da Honda e defendeu o motor tradicional. “Eu tenho 60, então é ainda pior para mim! Eu preciso de barulho”.
 
Mais novo entre os dirigentes, Pit Beirer, diretor de esporte a motor da KTM, acompanhou a opinião geral e descartou que as motos elétricas escalem até a MotoGP no futuro.
 
“Eu tenho 45 anos e gosto de combustível tanto quanto Paolo e Livio”, contou o ex-piloto de motocross. “Fico feliz que tenhamos chegado a MotoGP agora, com o fantástico som destes motores, e espero que possamos ficar por um tempo”, seguiu.
 
“Não vejo como motores elétricos podem chegar na classe principal da MotoGP nos próximos 15 anos. Também é a minha opinião pessoal”, comentou.
 
Beirer, entretanto, acredita que os motores elétricos podem ter maior impacto em outras modalidades, como o motocross, por exemplo.
 
“O desenvolvimento de motos elétricas vai continuar. Têm projetos fantásticos surgindo e veículos fantásticos para usar em lugares completamente diferentes de onde estamos usando motocicletas no momento”, afirmou. “Nós podemos nos aproximar das cidades com motocicletas elétricas. Mas eu não as vejo prontas para tomar o lugar do nosso amor ardente por motocicletas. Vamos esperar pelo futuro”, completou.
 
Chefe da Suzuki, Davide Brivio lembrou que a indústria segue em direção aos motores elétricos, mas avaliou que, pelo menos nos próximos anos, a MotoGP seguirá com seus propulsores a combustão.
 
“Não estou tão longe dos 60 anos! Acho que é o caminho que a indústria está seguindo. Nós vemos os carros indo nessa direção, de fato bastante rápido nos últimos anos. E as motocicletas também estão olhando para isso”, lembrou. “Então acho que é normal que a Dorna pense nisso”, considerou.
 
“Não sei se sempre teremos, mas por muitos mais anos teremos a classe rainha assim”, previu. “Mas, ao mesmo tempo, a categoria elétrica vai crescer mais e mais. Acho que é correto experimentar neste campo e começar a estudar essa área”, avaliou.
 
Responsável pelo projeto da Aprilia, Romano Albesiano destacou a importância do desenvolvimento de veículos elétricos, mas disse não acreditar que motos a bateria alcancem o mesmo tipo de performance das MotoGP atuais.
 
“Como vocês sabem, a Aprilia é parte do Grupo Piaggio e nós acabamos de apresentar a Vespa elétrica. Então gastamos muito recursos nessa área. Mas, falando de motocicletas esportivas, honestamente não acredito que terá uma categoria elétrica com um nível de performance que se aproxime do que vemos agora na MotoGP”, declarou Albesiano. “Talvez a tecnologia híbrida possa ser uma realidade, como na F1. Isso seria muito inteligente, mas provavelmente muito, muito caro. Então é difícil. Seria interessante experimentar, claro, porque o futuro de alguma forma será elétrico”, continuou.
 
“Mas uma motocicleta completamente elétrica vai ser muito, muito difícil com o nível atual da tecnologia de baterias”, ressaltou.
 
Diretor da Yamaha, Lin Jarvis admitiu sua surpresa com o crescimento da FE, mas lembrou que a indústria de motos está atrás no quesito elétrico.
 
“Eu não acho que tenha muito a acrescentar, exceto a minha idade! Sou mais jovem que alguns e mais velho do que outros”, brincou. “Do lado da Yamaha, acho que a nossa indústria, no momento, ainda está um pouco atrás da indústria automotiva. Mas acho que é interessante ver o número de fábricas que estão mudando para a FE”, ressaltou.
 
“Esta superando as minhas expectativas, honestamente. Porque se você olhar para a corrida em si, a emoção que você tem do barulho e da potência bruta ― acho que somos todos ‘petrol heads’ aqui”, afirmou Lin. “Mas temos de dar crédito à FE, porque está crescendo e muitas fábricas estão parando outras disciplinas para poder investir nos elétricos”, reconheceu.
 
“Tenho certeza de que no futuro da indústria de motocicletas os veículos elétricos vão, definitivamente, desempenhar um papel cada vez maior. Então acho que é, absolutamente, o momento certo para a Dorna começar, mas vai levar um longo tempo”, frisou. “Provavelmente nunca vai tomar o lugar da MotoGP, mas pode substituir outra categoria”, cogitou.
 
“Definitivamente em outras disciplinas ― talvez enduro, talvez motocross ―, onde o barulho é um assunto muito mais sensível... Acho que eles provavelmente têm um futuro maior lá”, concluiu.
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