MotoGP
17/03/2018 18:03

Na era da imprevisibilidade, MotoGP fecha sábado com lista de até 12 pilotos com chance de vitória no Catar

Com até 12 pilotos exibindo um ritmo de prova forte, a MotoGP fechou o sábado (17) com uma longa lista de candidatos a vitória no GP do Catar. Andrea Dovizioso, porém, é apontado pelos demais como o favorito
Warm Up / JULIANA TESSER e NATHÁLIA DE VIVO,  de São Paulo
 Zarco foi pole no Catar (Foto: Reprodução)

Nem mesmo o maior vidente do mundo deve ser capaz de prever o desfecho do GP do Catar. Afinal, seguindo a nova regra da MotoGP, muita gente fechou o segundo dia de atividades no norte de Doha com condições de brigar pela vitória.
 
Neste sábado (17), Johann Zarco conseguiu deixar os favoritos de Honda e Ducati para trás e faturar a terceira pole da carreira ― a primeira em pista seca ― ao superar com folga ― 0s243 ― o recorde de Losail, que tinha sido estabelecido em 2008 por Jorge Lorenzo, ainda com pneus de classificação.
Johann Zarco conseguiu a pole, mas não aposta em seu ritmo de corrida (Foto: Michelin)
Aliás, não foi só o titular da Tech3 que rodou abaixo do tempo de Lorenzo. Na sequência do grid, Marc Márquez e Danilo Petrucci também foram mais rápidos do que a marca de 2min13s680.
 

“Zarco merecia a pole. Fez uma grande volta e a fez sozinho”, disse Márquez. “Teria sido injusto se tivessem tirado dele, até mesmo eu, que pude me beneficiar um pouco de ter [Álex] Rins na frente como referência”, reconheceu.
 
Já acima do recorde, Cal Crutchlow ficou com o quarto posto, com Andrea Dovizioso e Rins completando a segunda linha da grelha. A fila de trás tem Dani Pedrosa, Valentino Rossi e Jorge Lorenzo, com Jack Miller fechando o top-10.
 
Curioso, também, que três das quatro primeiras motos do grid sejam de equipes satélites ― Tech3, Pramac e LCR ―, além de serem três fábricas diferentes só na primeira fila ― Yamaha, Honda e Ducati.
 
Muito embora o resultado da classificação salte aos olhos, o quarto treino livre é um indicativo melhor para a corrida, já que é nessa sessão de 30 minutos que os pilotos fazem seus long-runs. E, neste cenário, são muitos que aparecem como candidatos ao triunfo.
 
Ao fim deste segundo dia em Losail, os pilotos falaram em até 12 competidores com chances de pódio e consideraram que a segunda parte da corrida será vital neste processo.
 
“Temos 12 pilotos mais ou menos na mesma condição”, avaliou Rossi. “Então ninguém sabe o que vai acontecer amanhã e o que vai acontecer na segunda metade da corrida será muito importante”, previu.
 
“Quem conseguiu manter mais o ritmo, vai chegar na frente”, resumiu.
Andrea Dovizioso é apontado como favorito pela maioria dos pilotos (Foto: Michelin)
Dono da pole, Zarco seguiu a linha apresentada nos testes da pré-temporada e reconheceu que, ainda que tenha feito uma volta voadora, seu ritmo não é dos melhores.
 

“No momento, é como no teste: podemos ir muito rápido em uma volta, mas o ritmo é mais difícil”, disse Johann. “Partir da pole é uma oportunidade para lutar pela vitória e isso para mim já é um sonho”, apontou.
 
“No momento, não sei se tenho ritmo para a vitória, mas por que não descobrir amanhã e tentar?”, questionou. 
 
Márquez, por outro lado, tem seu candidato à vitória: Dovizioso. O piloto da Honda considerou que está mais próximo do #4, mas reconheceu que ainda precisa se aproximar mais.
 
“Estamos mais próximos de quem tem o melhor ritmo, que é Dovizioso. Não estamos como ele, mas nos aproximamos e espero que na corrida e possa tirar um pouquinho mais e estar no primeiro grupo”, ponderou. “O mais perigoso para a corrida talvez seja Petrucci, que tem um ritmo muito bom, mas as Yamaha vão chegar, Crutchlow tem ritmo e aqui sempre vai bem, então acho que será uma corrida de grupo”, frisou.
 
Terceiro na grelha, Petrucci também tem uma lista de rivais para a corrida, inclusive Dovizioso.
 
“O objetivo para a corrida é estar entre os cinco primeiros. A corrida será diferente. Outros virão forte, como Dovizioso, cuidado com Rins e Crutchlow, terão muitos pilotos perigosos amanhã, muito rápidos”, considerou. “A chave será a segunda parte da corrida, mas temos de estar muito atentos na primeira para não sermos ultrapassados por outros pilotos. É primordial fazer uma boa largada, estar com os ponteiros e cuidar dos pneus”, defendeu.
 
“Ter perdido peso me ajuda a cuidar do pneu e ser um pouco mais rápido nas retas, mas o primordial amanhã var ser manter a calma, ser paciente, porque acho que Dovizioso tem algo mais que o resto, sabe conservar os pneus e é muito rápido”, apontou. “Marc, no final, estará lá. Na minha opinião, os dois que vão brigar pela vitória no final”, comentou.
Maverick Viñales voltou a se mostrar perdido (Foto: Michelin)
Dona do melhor histórico em Losail, com seis triunfos na classe rainha ― incluindo nos últimos três anos ―, a Yamaha vive situações distintas no Catar. Mesmo que não esteja de todo satisfeito, Rossi parece mais confiante, enquanto Maverick Viñales segue dando sinais de que está completamente descontente.
 

“O tempo que eu fiz não é ruim, é mais ou menos o do teste, mas a posição não é fantástica. Eu esperava estar na segunda fila e estou na terceira”, comentou.  “Somos dez pilotos muito competitivos e temos um ritmo muito similar. Talvez até 12. Tudo vai depender de como chegarão aos pneus na segunda metade da corrida. É muito difícil apostar em quem vai estar no pódio”, frisou.
 
“Estou um pouco preocupado, porque tenho bom ritmo, mas meus pneus começam a desgastar muito cedo”, confessou. “Ainda não estou 100% satisfeito com o equilíbrio da moto”, completou.
 
12º no grid, Viñales chegou a dizer que os testes da pré-temporada foram “totalmente errados”.
 
“Do nosso lado do box, acabamos não entendendo as coisas muito bem, temos que seguir com o trabalho. Demos um passo adiante com o ritmo, me senti confortável no quarto treino, então partiremos dessa referência”, contou.  “Pela sensação que tenho e por meu estilo, os testes foram totalmente errados, a configuração foi em uma direção oposta e tenho que trabalhar duro para fazer a melhor corrida. Caso possa correr como no quarto treino e estiver confortável, certamente poderemos avançar bastante”, previu.
 
Correndo por fora, Rins se mostrou bastante satisfeito com o desempeno da Suzuki e já começa a sonhar com seu primeiro pódio na MotoGP. 
 
“Estamos muito felizes em como está sendo o final de semana, diria que é um dos melhores desde que estou na MotoGP, para não dizer o melhor”, avaliou. “Espero uma corrida bastante disputada, especialmente porque Petrucci, Márquez e Zarco largam bem, serão rápidos. Tentarei fazer uma boa saída e ver se posso me juntar a eles e tentar aprender o máximo para o futuro”, falou.
 
Apontado pelos rivais como favorito ao triunfo, Dovizioso avaliou que é difícil nomear os adversários, já que não dá para saber o ritmo de todos ao longo da prova.
 
“É difícil entender o ritmo dos demais para 22 voltas. Márquez estará na frente, certeza. Não sei o que esperar amanhã dos adversários, porque não se sabe bem quem pode estar na frente a corrida toda. Todos vão muito rápidos”, exaltou. “É uma corrida muito longa e será decidida na estratégia. Teremos uma prévia, mas isso será decidido no decorrer [da prova]”, concluiu.
 


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