MotoGP
02/06/2018 13:04

Yamaha respira com pole de Rossi, e Mugello oferece oportunidade para rivais minarem vantagem de Márquez

Em um ano de muitas dificuldades para a Yamaha, Valentino Rossi deu um respiro à equipe nipônica com sua primeira pole-position desde 2016. Além da melhor apresentação da YZR-M1, performance de Marc Márquez é mais um indicativo de que Mugello pode abalar a classificação do Mundial
Warm Up
JULIANA TESSER, de São Paulo
NATHÁLIA DE VIVO, de São Paulo

Os organizadores do GP da Itália não poderiam ter sonhado com um sábado melhor. Pela 65ª vez no Mundial de Motovelocidade ― e a primeira desde 2016 ―, a posição de honra no grid da classe rainha ficou com o local Valentino Rossi, que não deu bola para a concorrência e foi impecável vestindo seu novo casco tricolor.
 
Depois de mostrar um bom ritmo ao longo de todo o fim de semana, o titular da Yamaha apareceu já nos minutos finais do Q2 para cravar a volta recorde de 1min46s208 e assegurar o posto de honra na grelha da Toscana, 0s035 à frente de Jorge Lorenzo, o segundo colocado. Completando o bom dia da Yamaha, Maverick Viñales fecha o top-3.
 
A caminho de Mugello, Rossi contou que tinha perdido seu otimismo para o GP da Itália depois de um teste realizado recentemente na pista de propriedade da Ferrari, mas, pouco a pouco, o #46 conseguiu se colocar entre os ponteiros. 
Valentino Rossi comemora pole com equipe (Foto: Michelin)
Após um primeiro dia de sinais positivos em Mugello, Rossi deu um passo neste sábado e consolidou a evolução nesta tarde, quando ignorou os favoritos à pole e colocou a YZR-M1 no topo da tabela. Mesmo assim, o #46 não prevê vida fácil em sua corrida de casa. 
 
“Amanhã a corrida será muito difícil. Espero que seja para todos, mas certamente será para nós. Vamos sofrer muito com ambos os pneus”, disse Rossi. “Quando colocamos um pneu macio, a moto é muito difícil de pilotar. De manhã é ruim, mas de tarde é pior. Perde muita aderência”, relatou.
 
“Não será uma escolha clara, depende do estilo de cada piloto: alguns com médios, outros com macios. O importante é largar bem e estar na frente. Largando da pole deve ser mais fácil”, ponderou.
 
A surpresa, porém, não ficou só na conta de Rossi. Lorenzo também esteve próximo da posição de honra, mas sai do treino deste sábado como a melhor Ducati no grid.
 
“Estou contente. Teria sido impressionante ter a primeira pole com a Ducati, mas o importante é estar na primeira fila. Quando saímos bem, podemos ter um ritmo constante. Espero fazer uma boa largada amanhã”, comentou. “Essa modificação no tanque me ajuda bastante a ter um ritmo mais constante e a poupar energia. Me encontro bem com a moto e posso demonstrar essa velocidade que me faltava nas corridas anteriores”, avisou.
 
Depois de sair de Le Mans bastante contrariado com a performance da Yamaha, Maverick Viñales celebrou a volta à primeira fila, mas também previu uma corrida complicada. 
 
“Largaremos para a corrida para dar o máximo, mas não sei o que pode acontecer. Às vezes passo de primeiro para 11º e não entendo o motivo”, comentou. “Esta manhã foi bastante ruim, mas trabalhamos muito. No quarto treino demos um grande passo, especialmente no ritmo. Eu me sinto bem na moto, a equipe está trabalhando cada dia melhor”, exaltou.
 
Forte ao longo de todo o fim de semana, Andrea Iannone não ficou muito satisfeito com o quarto posto no grid de Mugello, mas nem por isso se deixou abater.
 
“Ver meu tempo ideal e não estar na primeira fila me irrita. Não consegui fazer a volta perfeita. Errei na primeira curva com os dois pneus. De qualquer forma, largamos em quarto e trabalhamos bem durante todo o fim de semana”, comentou. “Amanhã não vai ser fácil gerir os pneus. Nós não estamos mal, mas a corrida é uma coisa a parte. A temperatura será um fator importante e, quanto menor, melhor para nós. De qualquer forma, sei que tenho um bom ritmo e quero administrar”, avisou.
 
“Tenho de entender o quanto vou sofrer em termos de velocidade. Perco cerca de 11 km/h em relação ao mais rápido”, relatou.
Marc Márquez vai largar só em sexto em Mugello (Foto: Divulgação/MotoGP)
Líder do Mundial, Márquez foi apenas sexto colocado e previu uma corrida de grupo. Ciente de que não está em sua melhor forma, o #93 falou em usar a cabeça na prova italiana.
 
“Estou em uma situação similar ao Catar”, comparou. “Estou sofrendo um pouquinho mais, mas estou no mesmo nível que os outros, o que é o mais importante. No Q2 não reflete a nossa posição real, porque, em termos de ritmo, estou bastante melhor. Aqui existe um condicionador importante, que é o pneu dianteiro. Temos umas opções um pouquinho especiais, muito moles, por isso que de manhã vou rápido e de tarde me custa mais. Isso é mais difícil de controlar, mas tampouco é uma desculpa, porque estamos controlando bastante bem”, seguiu.
 
“Acho que será uma corrida de grupo”, opinou. “Quem tem um pouco mais é Iannone, com um ritmo superior a todos. Teremos de saber gerir isso e os 36 pontos de vantagem que temos. Valentino será um dos rivais, porque está na Itália, já tirou algo mais hoje e conhece o circuito de olhos fechados. Temos de aprender com ele. O segundo rival está entre Dovi, Viñales e Iannone. Não será um dia para loucuras”, concluiu.
 


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