Campo minado no terreno de Deodoro deve adiar obras de novo circuito no Rio de Janeiro
Especialista diz que terreno cedido pelo Ministério da Defesa para construção do substituto de Jacarepaguá pode levar 18 anos até eliminar todo risco de explosão. Há muitos equipamentos bélicos enterrados em toda a área que, em teoria, estava prevista para receber a nova pista
Secretário da Casa Civil do Governo do Rio de Janeiro, Regis Fichtner disse que o novo autódromo do Rio de Janeiro, caso seja construído, poderá não ser mais em Deodoro. Isso porque o terreno do Centro de Treinamento do Camboatá, cedido pelo Ministério da Defesa para que a cidade volte a ter uma praça automobilística depois da destruição de Jacarepaguá, é um verdadeiro campo minado e está contaminado por vários artefatos bélicos depois de mais de seis décadas de uso por parte do Exército. A reportagem foi publicada nesta quinta-feira (2) pelo portal ‘Globoesporte.com’.
Nesta semana, uma reportagem da rádio ‘CBN’ mostrou a gravidade da situação. Na matéria, foram exibidos vários artefatos, como granadas, bombas e minas, enterrados no terreno que, em teoria, receberia o circuito. A área é avaliada por militares e especialistas como vermelha, ou seja, de risco máximo. Há armamentos espalhados por praticamente toda a área de quase 2 milhões de m².
Especialistas no assunto desaconselham também a ocupação e qualquer tipo de construção na área por conta da iminência de uma explosão, podendo causar mortes e ferimentos graves aos trabalhadores. “Se a questão não for resolvida, vamos procurar outro terreno. A obra não pode colocar em risco operários e o público. Vamos exigir um atestado, uma comprovação que aquela área está totalmente livre de risco para qualquer pessoa, qualquer competidor”, disse Fichtner.
O secretário afirmou que a licitação para o início da construção do autódromo só sairá com o aval do governo do Rio de Janeiro, bem como do Exército, de que a área em questão está livre de risco. Entretanto, a Associação Nacional dos Reservistas, ouvida pela reportagem, entende que serão necessários, pelo menos, 18 anos para que o terreno seja completamente livre das ameaças de explosão, o que inviabiliza totalmente a construção de um novo autódromo em curto prazo.
A promessa das autoridades locais, bem como do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), era que o circuito de Jacarepaguá só seria demolido quando outro autódromo estivesse totalmente concluído, evitando que o Brasil e, principalmente, o Rio de Janeiro, perdesse uma importante praça do esporte a motor. Mas o acordo dos políticos e do COB, presidido por Carlos Arthur Nuzman, com a CBA (Confederação Brasileira de Automobilismo), foi descumprido, e Jacarepaguá segue em obras para a construção do Parque Olímpico, que receberá boa parte das instalações dos Jogos de 2016.
Enquanto isso, não há qualquer previsão quanto à construção de um novo circuito no Rio de Janeiro.
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