Coluna Power Stage, por Fernando Silva: O maior rali do Brasil

Para o amante do rali de velocidade no Brasil, a competição mais importante do ano acontece neste fim de semana. O Rali Internacional de Erechim movimenta um público maior que grandes clássicos do futebol e resgata o automobilismo em sua mais pura essência


Sou um cara novo no jornalismo. Tenho pouco mais de três anos de carreira, todos eles aqui no Grande Prêmio. Ao longo desse tempo, me apaixonei pelo rali e pude ver muita coisa, tanto ‘in loco’ quanto aqui, de longe, por dever de ofício e pelo interesse particular em si. Certas competições no esporte a motor como um todo me fascinam, de uma forma ou de outra: 500 Milhas de Indianápolis, Dakar, Rali dos Sertões, 24 Horas de Le Mans, GP da Itália de F1, por exemplo, são algumas delas. Dentre essas citadas, tive a chance de cobrir de perto o Sertões por duas vezes, — vamos novamente para mais uma cobertura em julho — e realmente é inesquecível.

Mas há outra competição, que ainda não pude seguir de perto, mas me fascina pela sua paixão, pelo calor e quantidade do público, pela organização e por todo o encanto que ela proporciona. Enfim, por ser única. Eu escrevo aqui sobre o Rali Internacional de Erechim. Sempre que vejo algum vídeo, depoimento de um piloto, navegador ou mesmo de algum colega que cobriu a prova, tenho certeza que ela é tudo aquilo que eu imagino e além: incrível, espetacular, maravilhosa. 
O público que acompanha o Rali de Erechim impressiona pela sua paixão (Foto: José Mário Dias/CBA)

A prova, que chega à sua 16ª edição neste ano, é válida pelo Sul-americano de Rali de Velocidade da Codasur (Confederação Sul-americana de Automobilismo) e é, seguramente, a mais importante da modalidade no Brasil. Organizado pelo Erechim Auto Esporte Clube — presidido por Roland Koller —, a competição é referência e fonte de amor e paixão por parte do amante do rali em todo o continente. 

Os números são grandiosos: em 2013, são 93 equipes inscritas, superando fácil o recorde quebrado no ano passado. Desses 93 carros, 32 são de duplas estrangeiras: Equador, Uruguai, Paraguai, Bolívia e, principalmente, Argentina — país onde o rali é fortíssimo, diga-se — têm representantes em Erechim. Além do Sul-americano, o Rali de Erechim também é válido pelos campeonatos Brasileiro e Gaúcho de Rali de Velocidade.

Mas o que mais me impressiona no Rali de Erechim é a paixão do público pela prova. O povo gaúcho, em especial, é um fanático pelo rali como um todo e é capaz de proporcionar ao evento uma lotação que, hoje em dia, nem mesmo os grandes jogos de futebol aqui no Brasil são capazes de atingir. Para se ter uma ideia da grandiosidade do rali, a organização da prova acredita que Erechim deverá receber cerca de 80 mil pessoas. Para quem é de lá, seguramente tem paixão pelo rali muito maior que o futebol, por exemplo.

Como é típico no Rio Grande do Sul, muita gente aproveita o friozinho, fica ali acampada, perto das especiais, junta família e amigos para fazer um churrasco e acompanhar de perto os carros passando. É um público incrível para qualquer tipo de modalidade esportiva. Para o rali, que ainda não tem grande atenção que merecia ter num âmbito geral aqui no Brasil, é ainda mais significativo.

Ouvindo depoimentos de quem já esteve em Erechim, fico com a certeza de que a cidade é a Meca do rali de velocidade no Brasil. “Uma prova ma-ra-vi-lho-sa, um grid fantástico, um público fanático que vive e respira o rali. É a capital do rali brasileiro, sem dúvida nenhuma. Nada se compara a Erechim”, descreveu Paulo Nobre, o Palmeirinha, numa entrevista concedida a este que vos escreve no fim do ano passado.
O lendário Rali de Erechim se fez presente no WRC na Argentina (Foto: José Mário Dias/Grande Prêmio)

De fato, o grid é dos melhores, extremamente competitivo. Destaque para os paraguaios Gustavo Saba e Victor Aguilera, bicampeões do Rali de Erechim. Neste ano, a dupla corre com um ótimo Skoda Fabia S2000. A lista dos inscritos conta também com Mitsubishi Lancer Evo X, Toyota Corolla, Ford Fiesta, o carro-conceito XRC/Peugeot 207, Gol, Palio, Vectra e até mesmo Fiat 147 e Lada. 

Além de incrível e ter uma estrutura de primeiro nível, o Rali de Erechim é democrático, tem lugar para todo mundo.

Paixão genuína, organização, grande público, estrutura de primeiro nível. Erechim é um exemplo, um verdadeiro modelo para o esporte a motor por aqui e resgata sua mais pura essência. É por essas e outras que a prova cresce a cada dia, se consolida como o maior rali de velocidade do Brasil e é um dos motivos que fazem o amante do automobilismo nacional acreditar que nem tudo está perdido. 
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