Rali
20/05/2015 12:00

Grandes Entrevistas: Guilherme Spinelli

"Adoraríamos que o Rali Dakar passasse, ou largasse, ou terminasse no Brasil, e torcemos para que um dia aconteça, mas eu não vejo por enquanto nenhuma perspectiva e, inclusive, já ouço hoje dos organizadores um desânimo que eu não ouvia antes”
Warm Up, de Mafra / JULIANA TESSER, de Mafra
 Guilherme Spinelli e Youssef Haddad são os campeões do Rally dos Sertões (Foto: Gustavo Epifânio / Mitsubishi)
Todo mundo diz que o segredo do sucesso é fazer aquilo que se ama. Seja no esporte, na música, dentro de um escritório ou atrás de um balcão, curtir o que se faz é garantia de um dia a dia mais leve e, como não poderia deixar de ser, de um trabalho mais bem feito também. 
 
Infelizmente, isso não é verdade para todo mundo, mas tem aqueles que, além de fazerem o que amam, também têm a sorte de realizar um sonho de infância. E esse é o caso de Guilherme Spinelli, um dos principais nomes do rali brasileiro na atualidade. 
Além de piloto, Guilherme Spinelli é também diretor da Ralliart Brasil (Foto: Vinícius Branca)
Guiga, como é conhecido no meio do rali, foi apresentado ao esporte pelo tio, José Augusto Spinelli, e apesar de ter experimentado outras modalidades aqui e ali, o amor pelos desafios do off-road falou mais alto.
 
Natural do Rio de Janeiro, Spinelli fez seu primeiro rali em 1990 e, de lá para cá, tornou-se pentacampeão do Rali dos Sertões, tetracampeão brasileiro de rali cross-country e bicampeão do rali de velocidade na categoria N3, além de acumular sete participações no Rali Dakar, onde tem como melhor resultado um nono lugar na classificação geral de 2011.
 
Além de atuar como piloto, Guilherme é também um executivo, já que atende por diretor da Ralliart Brasil, a divisão de alta performance da Mitsubishi Motors. E foi justamente cumprindo essa função que Spinelli conversou com o GRANDE PRÊMIO.
 
Como diretor da divisão esportiva da marca dos três diamantes, Guiga acompanha todas as etapas da Mitsubishi Cup, o rali cross-country de velocidade da montadora japonesa, e foi em Mafra, no interior de Santa Catarina, palco da segunda etapa da disputa, que o piloto falou de sua participação mais recente no Dakar, dos preparativos para o retorno ao maior rali do mundo e também sobre a expectativa para o Rali dos Sertões, a próxima grande competição no calendário.
 
Quando se pergunta ao parceiro de Youssef Haddad o que o levou ao rali, Guiga logo lembra do tio e das aventuras na fazenda da família ainda na infância.
 
“Eu, desde quando nasci, tenho um espírito competitivo, desde o colégio, de criança. Se você for disputar um par ou ímpar, eu vou me matar para ganhar, então acho que isso é o lado de competição”, diz. “Tenho na minha família um tio, que é meu padrinho, que foi uma referência para mim a vida inteira, muito próximo, que era navegador de rali, então eu cresci vendo ele correr rali.” 
 
“Sempre gostei muito de bicicleta, moto e carro, então eu aprendi a andar de tudo muito cedo e tudo que eu comecei a andar, eu quis ir para o lado da competição. Aprendi a andar de bicicleta, queria correr de bicicleta. Aprendi a andar de moto, queria correr de moto. Aprendi a dirigir, queria correr de carro. E aí como eu queria correr de carro, e o rali estava muito presente na minha infância, eu comecei a aprender a correr em estrada de terra muito novo ainda, isso em fazendas, em condomínios fechados, mas com 12 anos eu já botava umas almofadas e saia sozinho de carro. E aí fui aprendendo, com o meu tio me ensinando. ‘Assim faz um cavalo de pau’, ‘derrapa assim’, então, quando eu fiz 18 anos, eu fui direto para o rali e lá fiquei. Depois eu fiz umas corridas de pista, endurance, algumas corridas menores, treinei muito de kart, mas a minha especialidade sempre foi o rali e a paixão. Na verdade, eu gosto de autódromo, gosto de corrida de pista, mas prefiro muito mais o estilo de pilotagem do rali do que o de asfalto, de circuito. Daí nasceu e eu fiquei com a história do rali na minha vida”, conta.
 
O monstro que deixou o armário
 
 Além de fazer do rali uma profissão, Spinelli conseguiu realizar outro sonho: o de disputar o Rali Dakar.
 
Maior competição off-road do planeta, o Dakar é o principal desafio para pilotos e navegadores de rali, mas apesar da dureza da competição, a prova, que se mudou para a América do Sul em 2009, segue atraindo centenas de participantes.
 
Guiga desembarcou na competição tão logo o Dakar se mudou para o continente sul-americano e, de lá para cá, já soma sete participações. Apesar da experiência, o gigante nunca fica mais fácil de ser encarado.
Guilherme Spinelli soma sete participações no Rali Dakar (Foto: Gustavo Epifânio/Mitsubishi)

“Eu brinco que o monstro não existe mais”, comenta Spinelli. “No primeiro ano que eu fui, em 2009, eu me lembro que tinham certas situações no meio de especial em que o navegador falava: ‘Ah, tem que ir por ali’, e eu desacreditava. ‘Não, por ali, não. Ali não passa um carro’. ‘Não, é ali, Gui!’. E aí no fim você ficava com o coração apertado, com frio na barriga, ‘nossa, vou descer aquela parede! Andar naquela condição’. Hoje já é tudo mais natural.” 
 
“Então, assim, o rali continua sendo extremamente difícil, muito competitivo, com as melhores duplas e equipes, os maiores patrocinadores, enfim, tudo de melhor está lá, mas pelo menos a gente tem uma ideia do que a gente vai enfrentar em relação à parte técnica do rali e aos concorrentes. O monstro sumiu, mas que continua sendo uma prova duríssima, a mais dura de todas, a mais exigente, continua. Mas a sensação é menos assustadora, vamos dizer assim. É mais natural, embora sempre a expectativa de estar largando um Dakar seja enorme. Estar lá, naquele circo do que há de melhor cross-country do mundo, é muito bacana e poder partir para uma especial em um desafio deste nível é sempre muito legal”, avalia.
 
Ferramenta de ponta
 
Desde 2012, a Mitsubishi trabalha no desenvolvimento do ASX Racing, um protótipo desenvolvido para resistir aos desafios do deserto. 
 
 
O desempenho do ASX mereceu elogios e agora faz Guiga acreditar que a vitória pode chegar mais cedo do que o esperado.
 
“Ele melhorou muito. A gente trabalhou muito, muito no carro ano passado. O Dakar foi uma excelente experiência. Este está sendo um ano mais difícil, a gente vai competir talvez não tanto quanto a gente competiu ano passado, mas a gente está testando bastante, vai fazer umas outras provas, e, sem dúvida, o carro está mais competitivo, mais resistente, mais rápido, e nesse Dakar em alguns dias nós — a nossa dupla, eu e o Youssef, e a dupla Carlos Sousa e Paulo Fiuza, a outra dupla da equipe, os portugueses — chegamos a fazer parciais com os dois carros entre os cinco primeiros. Ele chegou a liderar alguns trechos de algumas especiais. Então isso mostra que a gente está com um carro cada vez mais competitivo”, ressalta. 
 
“Acho que a gente vai chegar a ter um carro possível de vencer o Dakar até, talvez, antes do que a gente imaginava”, acredita. 
 
Mal acaba um, já começa o outro
 
Embora o Dakar tenha chegado ao fim há apenas quatro meses, a preparação para o próximo ano já começou, e 2016 vai ver a Mitsubishi em uma versão diferente, mais brasileira.
 
“Acabou um Dakar já vem uma mega de uma lista para o ano seguinte, em tudo, não só no carro, mas na logística da equipe, enfim, do apoio, tudo que envolve a participação no Dakar que não é simplesmente só piloto, navegador e carro”, explica Guiga. “A gente já vem se preparando, estamos testando, enfim. Mudamos bastante a equipe este ano e vamos continuar trabalhando no objetivo número um, que é o Rali dos Sertões, número um em relação a cronograma, que é agora no final de julho, e, na sequência, o Dakar, que é no início de janeiro. Então estamos trabalhando sempre. Nunca pode parar."
Guiga Spinelli e Yosseff Haddad são os atuais campeões do Rali dos Sertões (Foto: Jonne Roriz/Fotoarena)
 Questionado sobre em que consiste essa preparação de cerca de um ano, Spinelli explica que os trabalhos vão desde os detalhes técnicos do carro, até itens que podem dar mais conforto à caravana da marca que vai aos países vizinhos. 
 
“Na equipe a gente fez uma transformação grande. A gente 'abrasileirou' bastante, a gente tem muito mais gente brasileira, principalmente o comando da equipe, de técnico, de engenharia”, aponta. “No carro, a gente sofreu bastante no Dakar com o nosso fornecedor de amortecedor e mola, que é um fornecedor francês, especifico de competição, a gente mudou esse fornecedor, agora a gente está com outro, mudamos algumas coisas também de sistema de caixa de direção do carro, que vai nos permitir que o carro seja mais preciso em curva, e outros detalhes assim de acerto do carro em que a gente vem trabalhando.” 
 
“A gente está com um carro no Brasil e isso está facilitando muito. A gente está conseguindo fazer muito teste no Brasil e antes a gente precisava ir ou para a França ou para o Marrocos. Na parte de carro é isso, na parte de direção da equipe, como eu falei, a gente nacionalizou bastante. Enfim, detalhes que não são tão relevantes para o resultado, mas muitas vezes para custo, para facilidade do trabalho da equipe durante o rali, de infraestrutura, então tem uma mega lista aí em que a gente vem trabalhando a cada dia”, frisa.
 
Para uma competição do porte do Dakar, a equipe de um time de fábrica também precisa de uma infraestrutura mais robusta.
 
“No Dakar, com dois carros, a gente foi com em torno de 25 pessoas, entre logístico, mecânico, motorista, quiropraxista, que é o médico, piloto, navegador, então um média de 25 pessoas”, fala Guiga.
 
Até a hora da largada, os competidores não conhecem os detalhes do percurso, mas é possível se preparar para a competição em locais similares. Para os pilotos brasileiros, a maior necessidade é o treino em deserto, um tipo de terreno inexistente em nosso território.
 
“Hoje a gente tem a facilidade do Dakar estar aqui na América do Sul. A gente tenta fazer alguns ralis nesses países que são roteiros do Dakar, a gente já fez o Desafio Inca no Peru, foi um rali até que a gente venceu no ano retrasado, fizemos no ano passado o Rali do Atacama, que foi no Chile, que o Carlos Souza venceu também”, lista o piloto da Mitsubishi. “A gente tenta estar o mais próximo do roteiro, mas não é possível treinar no próprio roteiro que a gente, inclusive, desconhece até o momento da largada.”
 
“Talvez a gente faça, não fizemos ainda, um treino específico em um desses países, aí já visando o deserto, que é o que a gente não tem no Brasil. Treinos de estrada de terra, de salto, de piso ruim, a gente consegue fazer no Brasil. Mas quando precisa andar em duna, em trechos de rio seco, deserto mesmo, aí a gente precisa ir ou para o Chile, que normalmente é o lugar preferido das pessoas para treinar, ali na região de Copiapó, ou mesmo Argentina e Peru”, justifica.
 
Chi-chi-chi-le-le-le
 
Um dos mais tradicionais países no roteiro do Dakar desde a estreia na América do Sul, o Chile vai ficar de fora da edição 2016 pela primeira vez após sete anos. 
 
O país comandado por Michelle Bachelet precisou deixar a competição após sofrer a maior tragédia natural da região norte nos últimos 80 anos. Em março deste ano, fortes chuvas atingiram o norte do Chile, provocado enchentes e inundações que deixaram mais de 20 mortos e milhares de desabrigados.
A equipe da Mitsubishi para o Dakar contou com cerca de 25 pessoas (Foto: Vinicius Branca/Mitsubishi)
Assim, a organização do Dakar preparou a volta do Peru, que se junta a Bolívia e Argentina no cronograma. Ano que vem, no caminho entre Lima e Rosário, a caravana vai passar por locais como Pisco, Arequipa, Oruro, Uyuní, Salta, La Rioja e Villa Carlos Paz.
 
“Eu não sei o que a gente vai encontrar de novidade na Bolívia, porque na edição passada a gente fez só um dia de ida e volta, só um dia na Bolívia, mas acredito que vai ser semelhante ao que a gente viu no ano passado, muita estrada. Foi um dia duro”, recorda. “O Atacama vai fazer muita falta na região do Chile, sem dúvida nenhuma. Sempre foi parte fundamental do rali, principalmente na questão do deserto, mas a volta do Peru permite bastantes dias de areia e dunas." 
 
“Os dois anos em que o rali largou e chegou lá teve muita duna, foram dias muito difíceis, de deserto. Então acho que a baixa do Chile sem dúvida vai fazer muita falta, mas vai ser suprida em partes pela presença de novo do Peru”, opina Guiga. “A Bolívia, nós estamos muito curiosos para saber o que a gente vai ter lá, são três dias, altitude sem dúvida nenhuma. Ano passado a gente enfrentou próximo de 4 mil metros de altitude dentro dos trechos cronometrados, o que é muito exigente, para o carro e para a gente, para a dupla, mas talvez algo mais em relação a estradas mesmo. E na Argentina fica mesclando entre rios secos, estradas, e esse ano eu acho que vai ter uma especial que faz um laço ali na região de Fiambalá, de Chilecito, que pode ser um dia bem duro, com muita duna também, muito calor, um dia que pode ser um dos dias críticos do rali como foi em outras edições”, sublinha. 
 
Dakar verde e amarelo
 
Desde a mudança do Dakar para este lado do oceano Atlântico, muito se fala sobre a possibilidade de o Brasil integrar a programação, mas essa parece sempre uma chance distante. A ASO, empresa que organiza o rali, nunca escondeu o interesse de cruzar nossas fronteiras, mas sem encontrar o mesmo desejo do lado de cá, esse sonho vai escorrendo por entre os dedos.
 
Spinelli afirma que não vê empenho por parte da direção do esporte nacional em abrigar o Dakar e cita que o próprio governo também não se movimentou nesse sentido. 
 
“Zero. Zero, zero, zero. A CBA, o próprio governo brasileiro. A organização do Dakar exige uma estrutura muito grande dos países. Além do custo financeiro para o país, é muito importante, é fundamental, um envolvimento muito grande, principalmente na parte de segurança. Em todos os países, a gente vê ao longo do roteiro do rali o exército na rua, muito policiamento, enfim, para tornar o evento seguro como ele deve ser. E tem um custo muito alto para o país também”, analisa. 
 
“Eu sei disso de conversar com o Etienne Lavigne, que é o diretor principal da empresa organizadora do Dakar, a ASO, ao longo de todos esses anos em que se especula a vinda para o Brasil, que, de fato, não é uma especulação. Eles se empenham muito em trazer o rali para o Brasil, mas eles têm as premissas deles, que não são simples também para um país receber, custear e atender essas premissas, mas, do lado do Brasil, eu acho que nunca houve o necessário interesse para que o rali viesse para cá”, opinou. “Talvez porque coincidiu com Copa, Olimpíada ou talvez até pela falta de interesse que o Brasil demonstra pelo automobilismo em geral, mais especificamente pelo rali”. 
Diretor da Ralliart Brasil, Spinelli acompanha todas as etapas da Mitsubishi Cup (Foto: Adriano Carrapato/Mitsubishi)
“A gente lamenta, lógico. Adoraríamos que o rali passasse, ou largasse, ou terminasse no Brasil, e torcemos para que um dia aconteça, mas eu não vejo por enquanto nenhuma perspectiva e, inclusive, já ouço hoje dos organizadores um desânimo que eu não ouvia antes”, revela. “Quando eu pergunto, e todo ano eu pergunto: ‘Como é que está? Tem alguma negociação em andamento?’. Nas últimas vezes, tudo que eu ouvi de volta foi: ‘Tá tudo meio parado, realmente o país não está demonstrando interesse, então não estamos mais com o mesmo empenho que estávamos antes’. Mas vamos ver. Quem sabe um dia a coisa mude e o rali venha”, torce.
 
As águas do sertão
 
Antes de voltar ao Dakar, Guiga tem um título para defender ao lado do navegador Youssef Haddad: o de campeão do Rali dos Sertões.
 
Embora já tenha sido taxado por alguns de segundo rali mais difícil, Spinelli explica que é difícil comparar a prova nacional com o Dakar, pois, embora tenham o mesmo conceito, as próprias características do terreno tornam a disputa internacional mais dura.
 
“São dois ralis com conceitos de ralis difíceis, muito difíceis, longos, só que o Sertões é um rali de estrada de terra. E bem mais curto do que o Dakar, principalmente desde o ano passado, em que o rali passou a ser de sete dias. É a metade de dias, com um terço ou menos até de um terço de distância, de quilometragem. Mas é um rali bem exigente. O Sertões é um rali onde a gente enfrenta uma variedade de estradas muito grande que o Brasil oferece. Esse ano ele vai para o Sul, é a primeira vez que o rali está indo para o Paraná. Provavelmente a gente vai ter situações que a gente nunca viveu no Sertões, mas o Dakar é um rali onde é muito mais difícil”, aponta. 
 
“É um rali onde o deserto é a predominância, é um rali muito mais longo, não só de quilometragem total, mas os dias são muito mais longos, então, assim, o conceito é rali endurance, rali maratona, mas, sem dúvida, o Dakar é bem mais difícil, bem mais exigente em aspectos gerais do que o Sertões”, reforça.
 
Em 2015, o Sertões vem em uma configuração bem menos sertaneja e vai de encontro às águas de Foz do Iguaçu. A maior prova off-road do Brasil vai ter um percurso total de 2.917 km, sendo 1.487 km de trecho cronometrado, passando pelos estados de Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraná.
 
“Eu acho que o sertão do Brasil mesmo esse ano vai estar fora do rali. Teve ano em que o rali se concentrou só no norte e nordeste. Ano passado foram dois estados só. Esse ano vem mais para o sul”, recordou Spinelli. “É como o Dakar. O Dakar já não é na África — Dakar é uma cidade da África —, há muito tempo, mas continua com a marca Dakar e o Sertões acho que é a mesma coisa. Ele deixou de ser um rali do sertão brasileiro, mas continua sendo conceitualmente um rali como era o antigo Sertões em termos de exigência”, avalia.
 
E a meta para a disputa deste ano é uma só: “A gente sempre vai lá para tentar vencer”. 
 
“A gente vai de novo, sabe que vai ter uma concorrência, talvez a mais forte de todos os tempos em termos de pilotos e navegadores brasileiros, porque a gente teve [Stéphane] Peterhansel aí alguns anos, dois anos seguidos, teve já o Carlos Sainz, teve o Nasser [Al-Attiyah] em 2009, então a gente já teve o que há de melhor de equipes e pilotos do mundo competindo no Sertões. Embora não muitos, a gente já teve o que há de melhor”, recorda. 
 
“Esse ano, a exemplo do ano passado, acho que a gente não vai ter pilotos estrangeiros desse nível, mas excelentes duplas nacionais, com equipes de altíssimo nível, então acho que vai ser um rali bem difícil, bem competitivo, mas a gente vai sempre buscar a vitória e é isso que a gente tá concentrado para se preparar, para chegar lá e tentar vencer de novo”, garante.
 
O lado executivo
 
Ao mesmo tempo em que se prepara para o Rali dos Sertões e o Dakar, Guiga também se ocupa da direção da Ralliart, a divisão de alta performance da Mitsubishi, mas se engana quem pensa que um trabalho não tem nada a ver com o outro.
 
“Eu uso muito a experiência que eu vivi como piloto, como cliente, enfim, nas diferentes categorias em que eu passei para poder oferecer para esses pilotos o que eu esperava receber quando eu estava correndo fora de casa, vamos dizer assim”, explica Guiga. “Hoje eu corro pela Mitsubishi já há muitos anos, desde 1999, e com toda a estrutura da Mitsubishi, então eu consigo montar a própria estrutura que eu vou participar como piloto e, ao mesmo tempo, montar a estrutura para oferecer para outros pilotos, então acho que, no fundo, as duas coisas se complementam.”
 
“O fato de eu continuar correndo até hoje nas provas principais do mundo, no Dakar, provas do Mundial com o nosso ASX Racing, que é o carro do Dakar, que é um carro realmente com o que tem de melhor de tecnologia para rali cross-country, me ajuda muito a estar sempre antenado com tudo que está acontecendo e podendo trazer, dentro das dimensões que a gente se propõe a trazer, para esse nosso campeonato todas as experiências e o que eu venho aprendendo também nas provas em que eu sou piloto”, encerra.