Stock Car
02/04/2017 10:40

Mais justiça e melhor compreensão pelo público: pilotos aprovam novo formato de rodadas duplas da Stock Car em 2017

As mudanças no formato do treino classificatório e, principalmente, da rodada dupla da Stock Car em 2017 foram bem recebidas pelos artistas do espetáculo: os pilotos. A obrigatoriedade de cumprir um pit-stop em cada uma das provas da etapa tende a deixar, na visão dos competidores, a categoria mais justa e sem ‘estratégias kamikazes’
Warm Up, de Goiânia / FERNANDO SILVA,  de Goiânia
 Átila Abreu (Foto: Carsten Horst)
 

Uma das grandes controvérsias nos últimos anos na Stock Car dizia respeito ao formato das rodadas duplas. Não propriamente às duas corridas em si, mas a forma como os pilotos abordavam cada uma delas. Até 2016, os competidores tinham certa liberdade para optar por fazer o pit-stop na primeira ou na segunda corrida. Assim, foi comum ver vários pilotos sem chances de lutar por bons resultados na prova inicial deixando a disputa, priorizando a corrida 2. Com o carro abastecido e pronto para cumprir a peleja mais curta, era possível chegar ao fim e com chances de vitória. Mas tudo acabou nesta temporada 2017.
 
A Stock Car planejou uma série de mudanças para deixar o certame mais justo e com a performance mais valorizada em relação à estratégia. No formato das rodadas duplas, a partir deste domingo (2) vai ser da seguinte forma: duas corridas de igual duração, 40 minutos e mais uma volta; mas com pontuação maior para a primeira prova. Na segunda, segue valendo a regra do grid invertido na relação dos dez primeiros da corrida 1. A grande novidade é a obrigatoriedade do pit-stop nas duas disputas do fim de semana.
 
Houve mudanças também no formato do treino classificatório, como foi visto no último sábado em Goiânia. Agora, a Stock Car define o grid de largada de forma semelhante à F1: são três segmentos de classificação: no Q1, vão à pista os 30 pilotos, divididos em dois grupos de 15, com oito minutos para cada grupo; avançam ao Q2 os 15 mais rápidos no geral, em outro segmento de 15 minutos. Os seis mais rápidos disputam o Q3 e a pole-position, com o sexto saindo em primeiro e o mais rápido do Q2 sendo o último a fazer sua tentativa. No sábado, Daniel Serra liderou as três partes da classificação e foi o grande dono da pole em Goiânia.
Uma das metas da Stock Car é tornar a competição mais justa com a mudança no formato das corridas (Foto: Fernanda Freixosa/Vicar)
Em conversa com pilotos do grid da Stock Car, ficou claro que o novo formato foi aprovado. Um dos pontos abordados pelos competidores foi a justiça. Afinal, o melhor vai acabar sendo premiado com os melhores resultados. E as estratégias ‘kamikazes’, que muitas vezes levavam um piloto que largava do pit-lane a brigar pela vitória, vai deixar de existir. E isso, do ponto de vista do público, acaba sendo importante porque torna a categoria em si mais fácil de entender.
 

E esse é o grande ponto da nova gestão da Stock Car, agora chefiada pelo jovem paulista Rodrigo Mathias. O novo diretor da Vicar tem como grande premissa tornar o esporte mais atraente e sólido perante o público. Assim, tornar a competição mais fácil de ser compreendida é fundamental.
 
Cacá Bueno, pentacampeão da Stock Car, também classifica as mudanças de regulamento como importantes dentro e fora da pista. 
 
“Duas corridas de 40 minutos, pit-stop nas duas, então acho que não vai ter mais aquele piloto que larga em último e ganha a segunda bateria; que poupa pneu e combustível na primeira para ganhar a segunda; então vamos ter mais vencedores que realmente mereceram e que foram mais rápidos. A gente não vai ter como vencedor um cara que não tá disputando o título e que ganhou a segunda bateria porque ele bateu na primeira, largou dos boxes e saiu com o combustível necessário. Acho que essas coisas não vão mais acontecer, e isso vai ser mais fácil de o público entender”, declarou o novo piloto da Cimed ao GRANDE PRÊMIO.
Cacá Bueno gostou das mudanças na Stock Car e acredita que o público vai entender melhor as corridas (Foto: Duda Bairros/Vicar)
“Com o público entendendo melhor o que acontece, eles discutem melhor a ideia e trazem mais gente para a conversa. Isso realmente faz parte, a gente tem de levar em consideração que a maior fatia do público de automobilismo não vê todas as etapas: ele vê a primeira, a quarta, talvez a sétima, ele não vê todas as corridas. Ele tem aniversário da mãe, batizado do filho... E estava muito difícil para ele entender a dinâmica do campeonato. Então acho que agora ficou mais fácil e, sem dúvida nenhuma, é melhor esportivamente, mas também muito bom para o púbico”, acrescentou o carioca de 40 anos.
 

Pole-position da etapa de Goiânia logo mais, Serra concorda com Cacá e também aprova as mudanças implementadas pela Stock Car para 2017. 
 
“Gostei bastante. Sou a favor das mudanças desportivas, na classificação e no formato da corrida. Quanto à classificação, sou totalmente a favor por dois motivos: primeiro, porque fica mais legal para o público assistir. Vai ficar mais emocionante. E a diferença entre o primeiro carro que vai à pista e o último vai ser bem menor. Diferença em termos de pista, em termos de clima, temperatura, então gosto”, comentou o piloto da RC Eurofarma.
 
“Gosto também do formato da corrida, mais longa, com as duas tendo 40 minutos, com mais pontos na segunda [em relação ao ano passado]. Você vai ter de estar bem nas duas corridas. São mudanças positivas tanto desportivamente tanto para quem está assistindo. Acho que vai ser mais legal”, comentou Serrinha.
 
Atual campeão da Stock Car, Felipe Fraga entende que as mudanças implementadas em 2017 vão tornar a categoria muito mais justa do ponto de vista esportivo, premiando quem luta por bons resultados do começo ao fim de cada corrida.
Gabriel Casagrande vê novo formato da Stock Car premiando os pilotos com melhor performance (Foto: Rodrigo Guimarães)
“O regulamento desse ano, para nós da Cimed, é bom. A gente nunca foi de economizar muito. A gente saía acelerando, e na outra corrida de novo. Agora a diferença vai ser um pouco na economia de combustível, de pneu, no pit-stop, mas não é nada tão bruto como no ano passado, quando o cara se arrastava na primeira corrida, ganhava na segunda e fazia quase o mesmo número de pontos de quem largou ali entre os três e fez uma boa primeira corrida”, comentou o campeão. 
 
“Acho que era injusto, mas agora, quem for mais rápido, vai levar a melhor. Gostei desse formato e espero que a gente continue indo bem”, salientou o tocantinense da Cimed.
 

Gabriel Casagrande e Ricardo Zonta também partilham da opinião de Fraga. O ex-piloto de F1, hoje na TMG/Shell Racing, acredita que a Stock Car vai conseguir nivelar agora os vencedores, uma vez que vai levar a melhor quem priorizar a performance na pista ao invés da estratégia.
 
“Vejo que o ano vai premiar o mais regular quanto aos resultados. No ano passado, quem optasse por uma estratégia de arriscar, poderia se dar bem na segunda corrida. E nesse ano não tem isso. Você vai ter de fazer os pit-stops obrigatórios nas duas corridas, então isso equaliza e dá chances para os carros mais rápidos, que trabalharam muito todo o fim de semana e estão ali, tenham os resultados nas duas corridas. Então isso é o importante, ter essa motivação e essa competitividade na Stock Car”, explicou o paranaense de 41 anos.
 
Casagrande, novo piloto da equipe Vogel, concorda com o conterrâneo. “Era meio injusto com o pessoal que fazia as duas corridas, e às vezes quem fazia as duas corridas pontuava menos do que quem fazia uma corrida só, e não é o que a gente quer. No fim de semana a gente sempre quer estar trabalhando para estar na frente. Então você trabalha para melhorar seu carro, tentar ir bem nos treinos e depois ver quem está sempre atrás de você pontuando melhor sem ter te passado na pista é meio estranho, e era o que acontecia no ano passado”, disse o jovem de 22 anos.
 
O piloto também enxerga as mudanças como positivas do ponto de vista de quem assiste às corridas. “O público ano passado ficava meio sem entender o que estava acontecendo, e agora vai ser tudo mais padronizado. Não vamos ter o pessoal parando nos boxes e terminando na frente. Agora é uma obrigação parar. Então, para você chegar na frente, vai ter de lutar mesmo na pista. Claro que a estratégia sempre vai contar sobre a hora de parar, economizar combustível, pneus, isso sempre vai ter. Mas nesse ano vai acabar sendo de uma forma mais justa para todo mundo”, finalizou.
 
A primeira rodada dupla com o novo formato da Stock Car começa logo mais, a partir das 13h (horário de Brasília), com a largada da corrida 1 e, às 14h10, a principal categoria do automobilismo brasileiro encerra a etapa de Goiânia com a segunda prova do fim de semana. A disputa terá transmissão ao vivo pelo canal SporTV. O GRANDE PRÊMIO acompanha tudo ‘in loco’.