Stock Car
17/10/2015 13:20

Sócio-proprietário credita provável venda do Autódromo de Curitiba à crise econômica no Brasil e na Petrobras

Em entrevista exclusiva ao GRANDE PRÊMIO, o sócio-proprietário do Autódromo de Curitiba, Fortunato José Guedes, afirmou que a atual crise econômica vivida pelo Brasil e pela Petrobras, em decorrência das investigações da Operação Lava Jato, afetou a empresa que responde pelos outros 50% do circuito. E que, por isso, a venda é necessária
Warm Up, de Curitiba
EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
Não é de hoje que se fala na venda do Autódromo Internacional de Curitiba, localizado, na verdade, no município de Pinhais, Região Metropolitana da capital paranaense. O circuito, um dos únicos no Brasil de propriedade particular, deve mesmo ter suas atividades encerradas no próximo ano, entrando para uma lista de pistas que foram se perdendo pelo país ao longo da história. 
 
A questão é que o empreendimento não dá lucro aos seus proprietários. Além disso, a área onde está o traçado desde 1967 é atualmente bastante valorizada, tanto que o autódromo está cercado por novos e modernos condomínios residenciais — a região fica a apenas dez quilômetros do centro de Curitiba. A ideia dos principais interessados no terreno de 560 mil m² é usar o espaço onde hoje corre a Stock Car, a F-Truck e tantas outras categorias em um imenso e lucrativo negócio imobiliário. 
 
Os donos da pista têm nas mãos cerca de “dez propostas” e que, no momento, estão sendo minuciosamente estudadas. Ainda não há algo de concreto em termos de venda ou até mesmo a formação de uma eventual nova sociedade em um ramo de negócios diferente, mas já se sabe que um acordo deve ser firmado até o fim do primeiro semestre de 2016. A Stock Car, por exemplo, deve realizar as suas duas etapas em Curitiba na primeira metade do ano. 
Pista de Curitiba está à venda (Foto: Divulgação/MF2)
O GRANDE PRÊMIO conversou com Fortunato José Guedes, vice-presidente do autódromo paranaense e sócio-proprietário do circuito. Advogado há quase 50 anos e dono de um escritório na capital do Paraná, Guedes divide a propriedade do circuito com Jauneval de Oms desde 1994 — 50% para cada lado. Guedes confirmou que o autódromo, de fato, está à venda. 
 
Oms, ou Peteco, como é conhecido, é também diretor da Inepar, empresa que responde por sua parte no empreendimento. Na verdade, segundo Fortunato, o Autódromo de Curitiba é de propriedade da Inepar, atualmente com base em Araraquara, no estado de São Paulo, e de uma empresa chamada Dourado Participações, que está no nome de seus filhos.
 
Antes da chegada de Peteco, Guedes foi sócio de Flavio das Chagas Lima, que fundou o traçado em parceria com o arquiteto Ayrton ‘Lolô’ Cornelsen nos anos 1960. Depois que Cornelsen deixou a sociedade em 1971, Fortunato e Chagas Lima só conseguiram reabrir a pista em 1987, contando com o apoio do então governador Álvaro Dias. 
 
Mas o empreendimento só ganhou força mesmo em 1994, com a entrada de Oms e da Inepar, grupo que tem atuação diversificada em setores de energia, transporte ferroviário, óleo, gás e movimentação de materiais. A empresa já chegou a ser uma das maiores do estado do Paraná e atualmente atravessa um período delicado em termos financeiros. 
 
Ainda assim, foi durante o início da parceria entre Fortunato e a Inepar que a pista de Pinhais ganhou notoriedade no cenário do esporte a motor nacional, recebendo etapas dos campeonatos mais importantes do país, além de eventos internacionais, como o Mundial de Carros de Turismo. A boa infraestrutura do circuito sempre foi o grande orgulho de seus proprietários. 
A Stock Car desembarca em Curitiba para a décima etapa da temporada 2015 (Foto: Duda Bairros/Vicar)
“Em 1994, o Peteco surgiu na nossa vida e se propôs a terminar o empreendimento. E estamos juntos nesse tempo todo. Nunca tivemos nada em desacordo, tem sido uma sociedade maravilhosa. Sempre nos entendemos. Mas, infelizmente, diante da situação nacional, que envolve todos os empreendimentos no país hoje, também estamos em dificuldade”, explicou Guedes ao GRANDE PRÊMIO.
 
“A situação exige que a gente venda esse empreendimento. E fazemos isso com dor no coração. A crise econômica do país afetou o Grupo Inepar, que dependia muito, muito da Petrobras. Muitas das obras que a empresa edificava eram para a Petrobras e, diante do esvaziamento da empresa, isso afetou a Inepar. E em um nível mais alto, consequentemente, isso nos faz vender agora esse empreendimento”, completou.
 
“A gota d’água foi a Petrobras mesmo, que tirou o faturamento maior da empresa, que praticamente sustentava o autódromo. Foi um efeito dominó. A desvalorização das ações da Petrobras fez a nossa sócia ficar debilitada. Isso porque, no mês que faltava dinheiro aqui, era a Inepar que cobria. Nunca deixou faltar nada”, acrescentou.
 
A Petrobras vive uma crise diante das investigações da Policial Federal, que descobriu um esquema de corrupção dentro da petrolífera, envolvendo políticos de vários partidos, em conjunto com as maiores construtoras do país. 
 
Guedes esclarece que nada foi acertado até o momento. “Não posso adiantar nada. Não temos condição de falar sobre isso, porque cada proposta é de um jeito. Na verdade, tudo está sendo estudado neste momento. Não há algo de definitivo ainda.”
 
“Mas o autódromo não dá lucro. Empata, na verdade, paga as despesas. Esse lucro mensal que a gente vê na contabilidade, ele desaparece quando precisa recapear a pista inteira, quando é preciso trocar um alambrado, fazer as obras manutenção. Ou seja, precisamos dessa reserva financeira. E os impostos também não são baixos”, afirmou o sócio-proprietário.
 
O advogado também não soube dizer quando o autódromo será fechado de vez. “Toda a negociação é demorada. Ainda depende de uma série de coisas. Há uma proposta, por exemplo, de uma empresa bem capacitada e do ramo de loteamentos, mas não há nada de concreto, nada mesmo neste momento. Existem empresas interessadas e que estão disputando o negócio, mas nada foi fechado”, acrescentou Fortunato, descartando qualquer chance de investimento público.
Autódromo de Curitiba está à venda e deve virar condomínio residencial (Foto: Divulgação)
“Não, o Estado e os municípios não têm condição. Eles têm outras prioridades e com razão, porque isso aqui é um esporte caro”, disse.
 
Guedes, entretanto, não dá tudo como perdido. Mesmo “com dor no coração” pela decisão de negociar a área do autódromo e ciente dos gastos que envolvem a administração do circuito, Fortunato não chega a descartar a chance de aparecer um investidor interessado em manter a estrutura em Pinhais, que possui cerca de 25 funcionários fixos.
 
“Agora, se houver uma oferta de um investidor que queira ainda trabalhar com o autódromo, isso mudaria o cenário, sem dúvida, porque talvez a parte financeira desse novo parceiro possa cobrir todo esse problema. Mas, neste momento, não acredito nisso”, finalizou o advogado.

O GRANDE PRÊMIO acompanha 'in loco' a etapa de Curitiba da Stock Car com os repórteres Evelyn Guimarães e Fernando Silva.

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