Stock Car
18/11/2016 15:59

Vídeo: com câmera onboard, Átila explica volta no novo Circuito dos Cristais em Curvelo

O Circuito dos Cristais conta com 4.420 m de extensão, 18 curvas, ponto de menor velocidade perto dos 70 km/h e o trecho mais rápido no fim da reta, feito a cerca de 215 km/h. Ao todo, são 25 trocas de marcha por volta em um traçado que, para Átila Abreu, se compara muito a circuitos de rua por não permitir erros, sendo bastante desafiador
Warm Up, de Curvelo / FERNANDO SILVA,  de Curvelo
 Vista aérea da reta dos boxes em Curvelo (Foto: TecRacing/Divulgação)
 

Grande novidade do automobilismo brasileiro em 2016, o Circuito dos Cristais, localizado na interiorana Curvelo, em Minas Gerais, recebe pela primeira vez a Stock Car, o Brasileiro de Turismo e o Brasileiro de Marcas neste fim de semana. Logo de cara, o novo circuito mineiro assume o posto de pista mais longa dentre os circuitos ativos do Brasil, com extensão de 4.420 m. Trata-se de uma pista com topografia ímpar, cheia de subidas e descidas, é dotada de 18 curvas e é de média-baixa velocidade. A reta dos boxes em si não é lá muito longa, tem 800 m de extensão, e é neste trecho o ponto de maior velocidade do traçado, onde os pilotos atualmente passam a 215 km/h, mas podem chegar até aos 230 km/h com o uso do push-top-pass.
 
Átila Abreu teve uma boa impressão do mais novo circuito brasileiro. O sorocabano, que chega a Minas Gerais embalado pela grande vitória em Goiânia, lograda na base da estratégia e também com muito drama, salientou as principais características do traçado de Curvelo, comparado pelo piloto da Shell/A.Mattheis a um circuito de rua por não permitir erros em razão das suas áreas de escape. Diferente de Goiânia ou mesmo Interlagos, que contam com trechos largos asfaltados, em Curvelo não há muito para onde correr: se escapar da pista, o destino é a lama.
 
É, de fato, um circuito de muitos altos e baixos, que “em termos de topografia, lembra até Spa-Francorchamps, embora lá obviamente seja muito mais rápido”, descreveu Átila, salientando a dificuldade em encontrar o acerto ideal justamente pelas características bem mistas da pista, com trechos rápidos, mas também outros tantos de média e baixa velocidades.
 
O GRANDE PRÊMIO acompanhou ao lado de Átila uma volta gravada na câmera on-board. O piloto narrou a volta completada no Circuito dos Cristais e depois detalhou o que mais chamou a atenção durante o percurso do traçado. Uma volta rápida, por exemplo, beira 1min50s, consequência também de ser a pista mais longa do calendário. Ao todo, são feitas em média 25 trocas de marcha por volta em um circuito que, para Abreu, quase não dá para respirar em razão das muitas curvas, tornando tudo um desafio físico aos competidores. O GP teve acesso ao vídeo da câmera on-board do carro do companheiro de equipe de Átila, Ricardo Zonta, cedida pela A.Mattheis.

 
“Vem a reta dos boxes, que não é uma reta muito longa, onde você usa a quinta marcha, chega aos 215 km/h. Então, uma freada forte, de quinta para segunda marcha, faz em direita e esquerda, com o carro bem arisco nessas curvas. E a gente sai para outra curva em descida, com o carro também arisco, até passamos por uma poça d’água por aqui... e uma freada bem difícil em descida, onde é fácil travar a roda”, explicou o piloto.
 
“Aí vem a curva 4, de novo em direita e esquerda, só que em descida. E em seguida vem uma curva cega, onde você não consegue ver, e depois vem outra próxima, que você não sabe onde está saindo. Então vem o grampo, uma das curvas mais lentas, um setor que pode proporcionar ultrapassagens na corrida, para então vir a parte mais de alta da pista. Vem um S, e então uma ‘perna’ longa, em terceira marcha, e depois um S rápido feito em terceira ou quarta marcha, também em descida, onde o carro dá até um salto, para então vir um trecho de curvas de média velocidade para então vir a parte final da pista, as curvas 17 e 18, a última curva do circuito”, detalhou Átila.
 
o sorocabano testou e aprovou o novo circuito de Curvelo. “Lembra muito um circuito de rua porque você não pode errar. É uma pista bem legal! Com uma volta demorada, mais de 4.400 m, a volta mais demorada do campeonato, não dá para você respirar muito... e é muito fácil você errar, muito difícil você alcançar uma volta perfeita. Você tem muitas curvas e muitas probabilidades de errar em algum ponto. E uma outra característica é que é uma pista de subida e descida, curvas rápidas, curvas com muita mudança de direção, então é bem difícil você ter um carro equilibrado. Em algum ponto você tem de priorizar.”
 

“É uma pista que lembra muito o que vemos nos traçados europeus. As pistas aqui geralmente são mais curtas, como Velopark, Curitiba... Em termos de topografia, lembra um pouco Spa por ser de subidas e descidas, embora lá seja mesmo muito mais rápido. Gostei bastante, acho que é uma das melhores pistas que nós temos aí. Muitas melhorias ainda precisam ser feitas, mas temos mais uma praça para o nosso esporte”, comemorou.
 
A perspectiva do #51 para a rodada dupla deste fim de semana é das melhores. “Vamos ter uma corrida bem movimentada, pode ver pela quantidade de gente que escapou aqui, as áreas de escape estão bem encharcadas, mas é como falei, não permite erros. Em Interlagos, Goiânia, por exemplo, você tem margem para erros, e aqui a pista não oferece isso. Gostei bem da pista e acho que vai ser bem diferente do que estamos acostumados a ver”, concluiu.