Assessora confirma que Ecclestone comunicou irmão sobre morte de Senna antes do GP de San Marino terminar

Assessora de Ayrton Senna em 1994, Betise Assumpção traduziu frase de Bernie Ecclestone para Leonardo, irmão mais novo do tricampeão, mas viu os dirigentes voltarem atrás e obrigá-lo a desmentir a notícia aos pais do piloto. Corrida não poderia ser paralisada

Ayrton Senna já não tinha chances de sobreviver quando deixou de helicóptero o circuito de Ímola, na Itália, em 1º de maio de 1994. E, de fato, Bernie Ecclestone chamou o irmão mais novo do piloto – Leonardo – ao seu motorhome para dizer-lhe que o tricampeão estava morto antes mesmo do GP de San Marino terminar, como confirmou a então assessora de Ayrton, Betise Assumpção, em postagem de 204 em blog que mantinha.

A informação foi publicada em 4 de maio de 1994 na ‘Folha de S.Paulo’ pelo jornalista Flavio Gomes, fundador do GRANDE PRÊMIO. Naquele dia, a capa do jornal trazia a matéria “Morte de Senna foi instantânea, segundo conclusão da autópsia”.

“Ayrton Senna teve morte cerebral instantânea no acidente de domingo em Ímola, na sétima volta do GP de San Marino de F1. Essa foi a conclusão dos legistas que ontem fizeram a autópsia no corpo do brasileiro, piloto da equipe Williams. Os dirigentes da F1 souberam que ele havia morrido antes de reiniciar a corrida, meia hora depois do acidente. Quando o piloto foi retirado do carro, já não tinha pulsação e a circulação sanguínea estava praticamente interrompida”, escreveu Gomes na ‘Folha’.

“O médico-chefe da FIA, Sid Watkins, avisou pelo rádio que Senna estava morto ao presidente da Foca, Bernie Ecclestone”, continuou.

O que restou do carro de Senna depois do acidente na Tamburello (Foto: Getty Images)

Senna chegou a ter uma parada cardíaca na pista em Ímola, mas foi reanimado pela equipe de resgate e chegou ao helicóptero com o coração batendo com a ajuda de aparelhos. Legalmente, sua morte só foi confirmada às 18h40 locais (13h40) de Brasília, mais de duas horas após o término do GP de San Marino, sendo anunciada minutos depois.

Segundo a assessora Betise Assumpção publicou em seu blog no dia 1º de maio de 2014, 20 anos depois do desenrolar dos fatos, estavam no motorhome da Foca (associação das equipes) ela, Leonardo, Bernie e sua ex-mulher, Slavica.

Eles haviam se encontrado na torre de controle de Ímola, onde Bernie disse que precisava conversar com Leonardo. De lá caminharam até o motorhome, e o britânico, com tradução de Betise, disse: “Ele está morto”.

Leonardo começou a chorar neste instante, antes mesmo de Bernie continuar: “Mas nós só vamos anunciar mais tarde para não parar a corrida”.

O relato de Betise segue: “Bernie levantou-se, pegou uma maçã e começou a conversar com a Slavica, que chorava ainda mais alto. Levei alguns minutos para acalmar o Leo. Ele ainda estava muito abalado e incapaz de dizer qualquer coisa”. A assessora, então, convenceu-o a ligar para os pais, Milton e Neyde, para dar a notícia. Bernie emprestou o telefone para que a ligação fosse feita.

“Foi quando Martin Whitaker, o então assessor de imprensa da FIA, entrou no motorhome”, prosseguiu Betise. Após alguns minutos de conversa com Bernie, avisou que dissera aos jornalistas que Ayrton teve ferimentos na cabeça e foi levado para o hospital em Bolonha.

Trecho do post de Betise Assumpção (Foto: Reprodução)

Após isso, Leonardo novamente ligou para seus pais para dizer o que se passara.

De acordo com o relato de Betise, “só quando o Dr. Syd Watkins (sic) chegou ao hospital ficou tudo esclarecido”. Ela estava ao telefone com Viviane Senna e conta que não conseguia fazê-la compreender a gravidade da situação, e pediu a Watkins que conversasse com a irmã de Ayrton. O médico-chefe da FIA disse-lhe antes de pegar o telefone: “Betise, não há esperança nenhuma. Ele já estava morto na pista.”

GRANDE PRÊMIO acompanha o GP de San Marino, terceira etapa da temporada 1994 da F1, revivendo o noticiário daquela data

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