25 anos sem Senna

Senna não resiste a ferimentos em consequência de gravíssimo acidente em Ímola e morre aos 34 anos

Lesões neurológicas de Ayrton Senna foram irreparáveis. Cerca de três horas após o acidente em Ímola, as funções vitais do piloto, dono de três títulos mundiais da F1, foram declaradas encerradas

Grande Prêmio / PEDRO HENRIQUE MARUM, do Rio de Janeiro
Ayrton Senna da Silva, três vezes campeão mundial de F1 e considerado um dos melhores de todos os tempos atrás de um volante, não resistiu aos ferimentos causados pela colisão com o muro que limita o autódromo Enzo e Dino Ferrari, em Ímola, na curva Tamburello, neste domingo (1). As funções vitais e os batimentos cardíacos do piloto se encerraram às 13h40 (de Brasília), no Hospital Maggiore, em Bolonha. Senna morreu aos 34 anos de idade.

O anúncio da morte de Senna foi feito pela Dra. Maria Teresa Fiandri, diretora do departamento de Anestesia e Reanimação do Maggiore e responsável pelas atualizações sobre os boletins médicos de Senna. A morte cerebral já havia sido confirmada antes, após um eletroencefalograma e uma tomografia.

O acidente aconteceu no sétimo giro da corrida, logo após o safety-car deixar a pista, liberada dos destroços que ficaram da batida entre Pedro Lamy e JJ Lehto na largada. Senna liderava a prova, trazendo consigo Michael Schumacher e o companheiro Damon Hill no encalço, quando deveria contornar a Tamburello. Ayrton passou direto e pegou frontalmente no muro.
Ayrton Senna conquistou o Mundial de F1 três vezes, em 1988, 1990 e 1991. Brasileiro venceu 41 GPs e largou na pole 65 vezes, um recorde (Foto: Rainer W. Schlegelmilch/Getty Images)
 Ainda na pista, a equipe médica constatou perda de massa encefálica e realizou uma traqueostomia no piloto, que sofrera parada cardíaca. Senna foi encaminhado ao Maggiore de helicóptero. Recebeu uma transfusão sanguínea que o manteve vivo por mais algumas horas, com funções vitais e respiração estáveis. Mas não havia mais atividade neurológica, como os exames apontaram na sequência.

Ninguém poderia imaginar, quando a F1 chegou à Itália, alguns dias atrás, que se avizinhava um final de semana dessa natureza. Assustador no acidente de Rubens Barrichello, na sexta-feira, e sombrio no sábado, com a morte de Roland Ratzenberger, o GP de San Marino recebeu o desfecho trágico no domingo. 
Senna tentava vencer pela quarta vez no GP de San Marino (Foto: Getty Images)
O fim de semana em Ímola põe a F1 no olho do furacão. Barrichello escapou na Variante Bassa, ainda no primeiro treino livre, e bateu no alto da barreira de pneus. Machucou-se, mas não de forma grave. Ratzenberger não teve a mesma sorte no sábado. A asa dianteira de seu Simtek-Ford quebrou após a passada numa zebra. Na volta seguinte, na curva Villeneuve, a peça se desprendeu por completo, e o austríaco não teve o que fazer: saiu reto, de encontro ao muro, e numa cena forte ficou com o pescoço caído dentro do cockpit. Foi o primeiro acidente fatal num carro de F1 desde Elio de Angelis, num teste privado em Paul Ricard, maio de 1986.

O domingo teve ainda espectadores machucados por partes dos carros de Lamy e JJ Lehto, e mecânicos de Ferrari e Lotus lesionados por um pneu que se soltou da Minardi de Michele Alboreto após o último pit-stop do italiano. Um dia de pânico.

No Brasil, o presidente da República, Itamar Franco, já havia dito que acompanhava "com tristeza e desolação" o desenvolvimento do caso. O corpo de Senna vai seguir para o Instituto Médico Legal de Bolonha nas próximas horas para realização de necrópsia.

GRANDE PRÊMIO acompanha o GP de San Marino, terceira etapa da temporada 1994 da F1, revivendo o noticiário daquela data