Coluna Rookie Text, por Vitor Fazio: Presságio de um domínio

Vettel está fazendo sua melhor temporada na carreira, melhor até que em 2011, ano em que foi campeão de forma incontestável. Não me recordo de nenhum erro grave do alemão nesse primeiro semestre, seja em qualificação ou em corrida — o único ‘erro’ pode ter sido o de caráter, na Malásia

Analisando friamente a classificação do Mundial de Pilotos da F1 em 2013, tenho a forte sensação de que o campeonato deste ano está bem menos disputado que o do ano passado. Hoje, após sete corridas, Vettel tem 36 pontos de vantagem sobre Alonso, segundo colocado; em 2012, com o mesmo número de corridas disputadas, essa mesma diferença abrangia os sete primeiros na tabela. 

Tal diferença fica mais estranha se for considerado que o regulamento técnico da categoria em 2013 é basicamente o mesmo da temporada anterior, assim como os carros — as equipes vêm dedicando boa parte do seu tempo no desenvolvimento dos carros de 2014, quando os motores vão mudar: dos V8 aspirados de 2,4 L para os V6 turbo de 1,6 L, deixando um pouco de lado o desenvolvimento dos bólidos desta temporada. Se na teoria está tudo tão parecido, o que houve para que Vettel deixasse o campeonato tão desequilibrado?
Após triunfo dominante em Montreal, Vettel nada de braçada rumo a um épico e histórico tetra (Foto: Red Bull/Getty Images)

Um dos suspeitos é redondo, preto, e tem umas marcas coloridas nas laterais. Os pneus Pirelli — que já recebiam críticas por se desgastarem muito e não permitirem que um piloto tire proveito de todo o potencial do carro — se superaram em 2013 e estão sendo uma grande pedra no sapato de muitas equipes. Muitos dizem que a culpa dessa temporada sem corridas muito emocionantes é dessa decisão da Pirelli, inclusive. 

Uma das equipes que mais reclama dos compostos é a Red Bull, alegando que as corridas se resumem não mais em ter um bom carro e um bom piloto, e sim em só ter um carro que não consome muito. Claro que eles não estariam reclamando se tivessem o que menos desgasta, mas isso é outra história. Voltando ao ponto inicial: mesmo com esses problemas, Vettel é líder disparado. Como pode?

Seb está fazendo sua melhor temporada na carreira, melhor até que em 2011, ano em que foi campeão de forma incontestável. Não me recordo de nenhum erro grave do alemão nesse primeiro semestre, seja em qualificação ou em corrida — o único ‘erro’ pode ter sido o de caráter, na Malásia. Sequer me lembro de uma rodada ou passeada na brita. A única corrida ‘pior’ até aqui foi na Austrália, em que foi vítima do ótimo rendimento do E21 da Lotus com os Pirelli deste ano. 

Sua pior posição de chegada foi a quarta posição e, junto de Raikkonen, ainda não abandonou. Juntando esse espetáculo ao ótimo RB9 — que tem como único e pequeno problema o fato de ainda apanhar da Mercedes em alguns treinos —, Vettel tem um desempenho bastante acima da média, que me leva a crer que, salvo uma grande mudança no campeonato, o germânico ruma com firmeza para o tetracampeonato, com sobras.

Ano passado, Vettel não sobrou por alguns motivos como, por exemplo, o problemático alternador do seu RB8, e a grande concorrência de Fernando Alonso, que fez uma temporada inspiradíssima e era favorito até seis corridas antes do fim da temporada. Vettel ficou sumido durante a temporada européia e foi dominante na asiática. Se hoje ele já domina, não é muito difícil de imaginar o desastre que vai ser para os concorrentes o fim desse ano.

De contrato renovado e com expectativas de repetir o domínio de Schumacher nos seus anos de ouro na Ferrari, Vettel já tem a oportunidade de ser tão dominante como foi o compatriota e ídolo em 2002 e 2004. Não é acaso: Sebastian parece ser tão bom quanto o heptacampeão, e o tempo há de mostrar isso.

Gaúcho é de Porto Alegre-RS, tem 17 anos e cursa Jornalismo na PUCRS – 1o semestre, porém. Está fazendo a loucura de cursar uma outra universidade: Economia na UFRGS. Fã assíduo de automobilismo desde os 14 anos, já não consegue se ver sem acordar às 3h da manhã para ver uma corrida. Tem um blog, "Caderno de Rascunho", onde escreve quando consegue conciliar o tempo entre universidades e estudo e tempo livre. No Twitter, @vitorfazio.
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