Dirigentes divergem sobre pneus da Pirelli e alertam para segurança: “Pilotos estão preocupados”

Representantes de Red Bull, Lotus, Toro Rosso, Force India e da própria Pirelli debateram a polêmica do momento no Mundial de F1. O fato de um carro da Lotus ser usado para o desenvolvimento dos pneus também foi abordado

As imagens da quinta-feira no F1 em Monte Carlo 
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2013 nem chegou a metade, mas já viu algumas polêmicas agitarem o noticiário do Mundial de F1. A do momento envolve os pneus da Pirelli, que estão sendo duramente criticados desde o GP da Espanha, realizado a duas semanas, quando a maior parte dos pilotos adotou uma estratégia de quatro pit-stops. Só que o tom das reclamações feitas pela Red Bull, por alguns pilotos, por Bernie Ecclestone e mesmo pela imprensa parece ser um tanto exagerado diante de opiniões contrárias, que não veem motivo para tanta crise.

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O problema não envolve apenas o desgaste demasiado, mas também a segurança. Nas cinco primeiras corridas da temporada, furos e estouros de pneus foram recorrentes. A fabricante dos compostos se defende dizendo que eles foram ocasioados por detritos, só que essa justificativa não satisfaz completamente as equipes.

Todo o barulho já fez a Pirelli se mexer: mudanças foram anunciadas para o GP do Canadá. Segundo a marca, nada substancial será modificado, até porque o regulamento técnico do Mundial não permite, mas as alterações serão focadas justamente na questão da segurança.

Nesta quinta-feira (23), a entrevista coletiva oficial da FIA no fim de semana do GP de Mônaco tratou bastante sobre o tema. Nela estavam presentes Christian Horner, chefe da Red Bull, Gerard Lopez, dono da Lotus, Franz Tost, chefe da Toro Rosso e Bob Fearnley, diretor-técnico da Force India, além de Paul Hembery, diretor-esportivo da Pirelli, e o ex-piloto Alain Prost.

GP da Espanha foi crítico do ponto de vista dos pneus (Foto: Getty Images)

Deste grupo, o único que deixou claro seu descontentamento foi o representante da Red Bull. Horner, contudo, não foi tão duro como foram o dono da equipe austríaca, Dietrich Mateschitz, e os pilotos Sebastian Vettel – líder do campeonato – e Mark Webber. “Acho que nós estamos sendo bastante consistentes ao longo do ano. Os pneus variaram bastante. Isso inclui as corridas que vencemos, na Malásia e no Bahrein”, afirmou o inglês.

Lopez, Tost e Fearnley foram mais simpáticos com os compostos italianos. “Com relação ao desgaste dos pneus, achamos que eles são bastante consistentes. Mas, de novo, diferentes carros, diferentes pilotos, diferentes estilos… eles funcionam conosco. Então estamos bem felizes com eles”, disse Lopez. “Os problemas começaram nos testes, pois estava muito frio em fevereiro. Não foi um teste ideal para os pneus. Se tivéssemos testado em um país mais quente, alguns dos problemas que observamos estariam resolvidos”, adicionou Tost. “Acho que a Pirelli fez um bom trabalho. Estamos buscando uma média de duas a três paradas por corrida. Em algumas, vamos fazer quatro, em outras, uma. Mas, no fim, vamos atingir esse objetivo. É o mesmo para todos”, completou Fearnley.

“Obviamente, há muitas opiniões diferentes”, começou Hembery, “bem divididas entre os fãs, comentaristas, equipes e você nunca vai agradar todo mundo. Esse é um dos desafios que você tem, mas, do nosso ponto de vista, é o mesmo [pneu] para todo mundo. Eles têm exatamente os mesmos pneus para trabalhar e alguém vai acabar vencendo no domingo”.

Para Horner, “o mais importante e o mais fundamental é de uma perspectiva de segurança. Se você tem uma dechapada, solta um grande pedaço de borracha, não quer que isso atinja uma parte do carro, ou pior, um piloto. Então há problemas de segurança que eu sei que alguns pilotos estão preocupados com eles”, avaliou Horner, que concluiu dizenndo que a Pirelli é uma companhia “muito capaz” e que sabe o que é preciso para corrigir as falhas constatadas.

A Red Bull lidera o campeonato, mas é quem mais reclama dos pneus (Foto: Getty Images)

Lopez reforçou: “Sim, nós ecoamos os problemas de segurança e dissemos que o que for preciso fazer para melhorar isso está, obviamente, bom para nós, não vamos ser contra”.

E o diretor-esportivo da Pirelli informou que os últimos detalhes da mudança que será realizada no Canadá ainda estão sendo acertados. “Queremos resolver as dechapadas que vimos, que aconteceram por causa de detritos. Do ponto de vista de uma fabricante de pneus, isso, é claro, algo que queremos resolver. Não parece bom”, consentiu.

O tetracampeão Prost acredita que tudo se trata de uma questão de adaptação. “Hoje os carros são tão avançados tecnologicamente que normalmente o piloto pode forçar 100% em condições normais”, defendeu o hoje embaixador da Renault. “A decisão de fazer os pneus bem macios torna as coisas um pouco diferentes”, ponderou. 

Carro defasado atrapalha desenvolvimento dos compostos

Antes de serem repassados às equipes, os pneus desenvolvidos pela Pirelli para 2013 foram testados em um Renault R30, carro usado pela atual equipe Lotus na temporada 2010 do Mundial de F1. E há quem acredite que o time de Kimi Räikkönen e Romain Grosjean, o que melhor se adaptou aos P Zero, esteja se beneficiando deste fato.

O próprio Horner levantou essa possibilidade durante a coletiva desta quinta, porém, o britânico recuou e disse que não acredita que a Pirelli favoreceu a Lotus intencionalmente. “Não, eu não acho que eles passaram informações privilegiadas ou qualquer outra coisa tenha sido feita debaixo dos panos”, assegurou.

Ele revelou que, a princípio, os italianos tentaram foi comprar um carro da Red Bull. “A Pirelli precisava de um carro para testar e, originalmente, vieram até a Red Bull. Naquele tempo, era quase unanimidade que a Red Bull não deveria fornecer o carro e então passou a ser uma questão de encontrar quem deveria fornecer o carro. A Lotus foi uma escolha óbvia”, relembrou. Segundo Horner, sua equipe foi impedida de fornecer um chassi porque estava andando nas primeiras posições, o que não era o caso do time de Enstone.

A Lotus de Kimi Räikkönen é a equipe que melhor lida com os pneus da Pirelli (Foto: Getty Images)

Contudo, Hembery não pensa que a Lotus está tirando proveito da situação, pois o R30 é mais semelhante ao carro de 2011, que ainda possuia difusores soprados. O maior problema é que se trata de um carro “de três a quatro segundos mais lento” que os atuais. “Isso indica que não estamos estressando os pneus durante os testes tanto quanto os carros de hoje, mas não há solução perfeita para isso”, afirmou.

Esse cenário será ainda mais complicado para 2014. “Os carros serão tão diferentes que não há nada disponível hoje, incluindo os carros atuais, o que nos permitiria siular o efeito do novo trem de força. Acho que se utilizarmos uma aproximação sensível durante a pré-temporada para fazer ajustes durante a temporada, mas pense que vamos precisar que 11 times que concordem, então não é algo fácil de fazer”, concluiu.

O chefe da Toro Rosso pediu uma mudança no formato da pré-temporada, para que os testes possam ser realizados “sob condições sob as quais vãmos correr e então eu acho que a Pirelli vai reagir imediatamente e vir com uma solução adequada”.

Para o GP de Mônaco deste domingo, a expectativa é por uma corrida menos desgastante para os pneus. A previsão da Pirelli é que a maioria das equipes precise de uma ou duas paradas para chegar ao fim da corrida. Em 2011, quando o GP da Espanha foi vencido por Sebastian Vettel com quatro paradas, assim como neste ano, o alemão conseguiu completar as 78 voltas nas ruas de Monte Carlo com apenas um pit-stop.

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