Dirigente considera levar "nômade" Dakar ao Brasil com trechos em Foz do Iguaçu e Curitiba
Etienne Lavigne, diretor da ASO, empresa que promove e organiza o Dakar, revelou que tem planos para levar a prova para o sul do Brasil, com trechos na região de Curitiba e em Foz do Iguaçu. “Temos muitas ideias”
Se depender de Etienne Lavigne, principal dirigente do Rali Dakar, a maior prova do rali cross-country mundial poderá passar pelo Brasil em breve. O francês, que é diretor da ASO (Amaury Sport Organisation), falou à agência de notícias ‘EFE’ que um dos objetivos do Dakar é, em médio prazo, passar pela região Sul do Brasil e ter parte do seu percurso em Foz do Iguaçu.
A cidade, cujo principal cartão postal são as Cataratas do Iguaçu, foi recentemente palco dos X-Games, tendo inclusive uma prova do Global Rallycross em seu cronograma de atividades. A ideia de Lavigne é explorar o “espírito nômade” do Dakar e finalmente levar a prova ao Brasil. O maior rali do mundo é disputado na América do Sul desde 2009 e terá como palcos em 2014 Argentina, Bolívia e Chile.
“Podemos mudar a cada ano e temos ideias no sul do Brasil, na região de Curitiba e, por que não, queremos imaginar um percurso com uma passagem por Foz do Iguaçu. Temos muitas ideias”, revelou o dirigente francês. “O símbolo do Dakar é o nômade, e estamos permanentemente buscando e imaginando novos percursos, novos países por onde a corrida possa passar”, complementou.
Mas para que o Dakar tenha parte de sua prova disputada no Brasil, Lavigne entende que é necessário ter um envolvimento maior por parte do governo federal. Algo que acontece, por exemplo, na Bolívia, que receberá o rali pela primeira vez no ano que vem. O dirigente destacou o trabalho feito por Evo Morales e seu esforço para levar o Dakar até o salgar de Uyuni, um dos lugares mais incríveis do mundo.
“Evo Morales é uma pessoa muito simpática, é um fã do esporte, e para nós é magnífico que personagens deste calibre nos facilitem as coisas, porque graças a seu apoio acho que vamos fazer períodos que serão sucesso”, disse Lavigne, fazendo menção à etapa Maratona na competição das motos, dividida em duas especiais. Nesta fase, os competidores não podem receber assistência durante a prova. “Temos muitas expectativas com os dois períodos que serão realizados na Bolívia, porque é uma paisagem espetacular, e para a competição de motos será muito interessante”, falou.
Lavigne destacou ainda a importância de Argentina e Chile nesta fase sul-americana do Dakar e deixou claro que, embora a prova não tenha ainda sido totalmente transferida para a América do Sul, não há condições de voltar a realiza-la na África, seu continente de origem, neste momento. “Argentina e Chile são os países que nos apoiaram desde que nos instalamos na América do Sul. Temos uma relação muito forte com seus governos”, destacou o dirigente.
Por fim, o diretor do Dakar disse que não se preocupa com a mudança de perfil dos competidores que fazem parte da prova. Um estudo por parte da organização do rali mostra que o número de latino-americanos na lista dos inscritos é de 27%, algo que tem a ver, na visão do dirigente, com a crise econômica que assola a Europa, que por enquanto ainda tem a maior parte dos competidores.
“A crise não nos afeta porque temos a sorte de ter concorrentes que vêm do mundo inteiro. É certo que nos últimos anos houve uma mudança no perfil dos pilotos e copilotos que participam do Dakar. Parece que a tendência é que cada vez haja mais pilotos latinos do que europeus devido à falta de patrocínios, mas esta situação não nos preocupa”, minimizou Lavigne.
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