Endurance

Chefão do WEC diz que atrair público jovem está entre principais objetivos: “Queremos a nova geração”

Na contramão de Bernie Ecclestone, chefão do Mundial de F1, o diretor-executivo do Mundial de Endurance defendeu que é preciso ir atrás do público jovem porque, no futuro, eles serão os clientes das montadoras envolvidas com o campeonato. Gérard Neveu também exaltou a importância das plataformas digitais para a divulgação do WEC: “É o futuro”

Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
Atrair a nova geração e aproveitar cada vez melhor as plataformas digitais faz parte do programa de crescimento estabelecido pela direção do Mundial de Endurance (WEC).

Essas são preocupações um pouco diferentes daquelas que Bernie Ecclestone, recentemente, disse que tem para o Mundial de F1. O britânico desprezou o potencial de compra dos jovens e, além disso, vem seguidamente minimizando a importância das plataformas digitais para o aumento da exposição de seu campeonato, defendendo que ainda é nas TVs que o grande público está.
Gérard Neveu (ao centro) falou dos planos de crescimento que o WEC tem (Foto: Toyota)
Gérard Neveu, diretor-executivo do Mundial de Endurance, pensa de maneira diferente. O francês acredita que é importante cativar novos fãs desde já, para que eles cresçam interessados no automobilismo e conheçam desde pequenos os produtos das marcas que estão envolvidas com seu campeonato.

“Com certeza, estamos buscando atrair novos fãs. Demais. Queremos a nova geração, pois a nossa meta é muito clara: queremos ver as nossas montadoras vendendo cada vez mais carros, pois as montadoras estão aqui não só para vencer as corridas”, declarou o dirigente.

“E acreditamos de verdade nas plataformas digitais, pois é o futuro. Estamos usando novas tecnologias e buscando a nova geração de fãs porque é como podemos criar uma paixão para a vida toda. Está cada vez mais difícil atrair as pessoas para a pista só para a corrida”, continuou.

Em 2014, o WEC lançou um aplicativo que pode ser comprado na internet para que os fãs possam assistir na íntegra às corridas — em muitos lugares, apenas trechos das provas de longa duração são exibidos pelas emissoras.

Atrair jovens pilotos também faz parte do programa do WEC, que acredita que este é um sinal de mostrar a todos o quão profissional o campeonato é. “Se jovens pilotos se interessarem, é porque eles entendem que há um futuro”, disse, antes de ressaltar a criação de um teste de novatos com as montadoras da classe LMP1 a partir da próxima temporada. “Brendon Hartley e Mike Conway começaram na LMP2 e chegaram à LMP1”, acrescentou.
Gérard Neveu está satisfeito com o crescimento do Mundial de Endurance (Foto: WEC)
Neveu ainda afirmou que a chegada da Porsche em 2014 ajudou a dar estabilidade ao campeonato, que agora se prepara para dar início a um segundo ciclo de desenvolvimento. “A chegada da Porsche deu estabilidade, mas começaram a dizer que tudo ficaria muito fechado, ‘vocês estão começando a seguir a F1’. De forma alguma. Continuamos a crescer e respeitando o comprometimento que temos entre nós, com vocês e o paddock. Estamos terminando o primeiro ciclo, de introdução. Agora vamos entrar no segundo ciclo, pelos próximos três anos, que será para valorizar. Vamos ver quão forte é esse campeonato”, falou.

E, por fim, destacou como a existência do WEC em parceria com as 24 Horas de Le Mans ajuda a fortalecer o endurance ao redor do planeta. “Estamos aqui para garantir o valor do endurance. Le Mans ainda é o principal. Por que Webber está aqui? Porque sonha em vencer Le Mans. E agora tem um programa para disputar toda uma temporada no endurance e correr em Le Mans. O mesmo vale para muita gente. Ao mesmo tempo, o WEC ajuda Le Mans a manter esse status de liderança”, completou.

A temporada 2014 do WEC, mais uma vez, terá oito etapas, com a única mudança sendo a entrada das 6 Horas de Nürburgring no lugar das 6 Horas de São Paulo. A abertura será em Silverstone no dia 12 de abril.
TEM TALENTO DE CAMPEÃO

 A parceria entre Felipe Massa e Valtteri Bottas começou com sucesso. O primeiro ano dos dois foi de ressurreição da Williams e de colocar medo em Toto Wolff, diretor-executivo da Mercedes, que confessou enxergar a equipe de Grove como maior ameaça ao segundo ano de domínio do time alemão. E se Bottas surpreendeu a todos terminando o Mundial de Pilotos na quarta colocação, à frente do tetracampeão Sebastian Vettel e do bicampeão Fernando Alonso, Massa acredita que muito disso foi por causa do que o finlandês aprendeu com ele.

Leia a reportagem completa no GRANDE PRÊMIO.
MELHORES DO ANO
 
E assim, como num passe de mágica, 2014 passou. Foi rápido mesmo. Se Vettel decepcionou, a Mercedes dominou e o medo de acidentes fatais voltou à F1; se a Ganassi não correspondeu e Will Power fez chegar o dia que parecia inalcançável; se Márquez deu mais um passou para construir uma dinastia; se Rubens Barrichello viveu sua redenção, tudo isso é sinal das marcas de 2014 no automobilismo. Para encerrar e reforçar o que aconteceu no ano, a REVISTA WARM UP volta a eleger os melhores do ano.