Coluna 24 – Daytona, por Ozz Negri: O cara da largada sou eu

Eu fui escalado para largar com o Ford EcoBoost Riley #60 e todo o nosso trabalho dos últimos meses será colocado à prova numa maratona que promete ter mais de 700 voltas pelo misto de 5.600 metros do Daytona International Speedway

Chegou o dia, pessoal!!! É neste sábado, a partir do horário brasileiro das 17h10, a grande largada da 52ª edição desta fantástica prova, as 24 Horas de Daytona. Eu fui escalado para largar com o Ford EcoBoost Riley #60 e todo o nosso trabalho dos últimos meses será colocado à prova numa maratona que promete ter mais de 700 voltas pelo misto de 5.600 metros do Daytona International Speedway. São cerca de 270 pilotos, divididos entre 68 carros, que pela primeira vez – ou novamente – tentam incluir seus nomes num grupo de vencedores do qual fazemos parte três brasileiros: Raul Boesel, vencedor em 1988; Christian Fittipaldi (2004) e eu (2012).

Esta está sendo a minha 10ª 24 Horas de Daytona e quando digo que nosso time é entrosado é coisa séria. Numa delas, em 2007, corri com o “Charlie Brown”, que é como chamo o Helinho Castroneves. Nesta edição, vou correr pela quinta vez ao lado do John Pew e do Justin Wilson e a quarta com o A. J. Allmendinger. Em termos de equipe, será a nova com a Michael Shank. Entenderam por que eu disse que Daytona é um capítulo especial em minha vida?

Ozz Negri foi escalado para fazer a largada nas 24 Horas de Daytona (Foto: Vickie Miller)

Para corrida de amanhã, trabalhamos forte no treino livre 4, que foi o último treino livre da programação nesta sexta-feira. Nosso carro andou pouco. Foram apenas sete voltas, todas elas conduzidas pelo A. J., porque acusou um probleminha na pressão do turbo e tomou algum tempo da gente. Na verdade, há algumas coisas acontecendo e gostaria de dividir com vocês. Lembram-se quando falei da equalização do regulamento? Por causa da limitação proporcionada pelo regulamento, o Ford EcoBoost acabou ficando cerca de 5 milhas mais lento do que os carros mais rápidos.

Não é que nós perdemos potência, houve um ganho. Mas nosso motor tem potencial para ter pelo menos 130 cv mais potência do que o do ano passado, mas a IMSA, que é o organismo regulador da United SportsCar, só permitiu que o avanço fosse até 100 cv. Cara, a gente está perdendo 30% de performance. Isso realmente está deixando a gente um pouco chateado. Mas regra é regra, então, vamos pra briga com as armas que temos.

Nessa “briga”, o coitado do carro ficará lá o tempo todo, volta após volta, cada momento com um piloto. Enquanto um está na pista, o seguinte na escala está se preparando e os demais descansando. Vocês podem ter a certeza que esse negócio de descansar, em plena corrida de 24 horas, é uma novela. É impossível – e absolutamente prejudicial para o desempenho – ficar o tempo todo ligado.

O piloto sabe que tem de correr para o motorhome e dormir um pouco, mas essa parada é um exercício gigantesco de disciplina, afinal, a adrenalina está lá no alto. Mas não tem essa, não, o descanso é fundamental.

Mas a coisa não para por aí. Imaginem que em 24 horas você toma café da manhã, almoça, janta e toma café da manhã novamente. Isso sem falar nos lanches leves entre uma refeição e outra. Durante a corrida essa rotina não pode mudar muito e, também nesse caso, é uma atitude de disciplina. Você precisa consumir energia para suprir o desgaste que tem dentro da pista. O piloto não pode, de forma alguma, simplesmente deixar de comer – ou comer de forma desregrada – porque fatalmente vai comprometer o desempenho. Então, tem de se alimentar durante o dia. Tudo bem que seja de frutas, saladas, carnes magras, pouco tempero e coisas desse tipo, mas ninguém pode se sentir desobrigado dessa rotina.

E por falar em rotina, a nossa na corrida será assim. Após a largada farei três stints, o que dá umas duas horas e meia. Mais ou menos lá pelas sete e meia da noite, no Brasil, passarei o carro para o John, que pilotará uma hora e meia. Depois virão o Justin e o A. J., nessa ordem, para o mesmo tempo de tocada que eu.

Quando for meia noite aqui em Daytona, três da madrugada no Brasil, eu volto ao carro e essa rotação se repete. Na última, a ordem será modificada para que o A. J. possa descansar por oito horas seguidas e fazer as duas horas finais. Claro que tudo isso é no papel. Alterações normalmente acontecem em função daquilo que acontece na pista. Mas a base é essa.

É isso, pessoal. Quando eu voltar amanhã, a corrida não estará nem na metade, mas espero já ter boas notícias. Tudo de bom e até amanhã!

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