Coluna Pisando Fundo, por Renan do Couto: Le Mans, uma corrida de superação

Não é de se condenar que a corrida não tenha sido paralisada. Como disse, Le Mans é uma corrida de superação e que impõe certos desafios. O que não podemos é esquecer do que aconteceu com o dinamarquês, pois isso vale mais do que a 12ª vitória da Audi ou a nona da carreira de Kristensen

Allan Simonsen morreu nas 24 Horas de Le Mans (Foto: Aston Martin/Twitter)

Le Mans sempre foi uma corrida de superação. Para máquinas e para os homens. E, neste fim de semana, principalmente para os homens. Foi preciso superar a morte do dinamarquês Allan Simonsen, ainda no início da prova, para conseguir continuar por mais 23h50 até a bandeira quadriculada finalmente tremular.

Não assisti à corrida, pois estava viajando do Brasil até a Inglaterra para as coberturas da F1 que farei neste mês. Fiquei sabendo da notícia da morte de Simonsen quando estava em Charlotte, nos EUA, esperando pela conexão com destino a Londres. Eu, que não estava vendo a corrida, já fiquei pensando bastante naquilo nas horas que se seguiram, imagine só quem estava lá, a equipe Aston Martin, o que passou pela cabeça deles. Um amigo os deixou.

Era preciso tomar uma decisão: continuar ou não na corrida. Todos sabiam o que tinha acontecido. Todos passaram mais dezenas de vezes pela curva onde Simonsen bateu. Todos pensavam que, independente de vitória, as manchetes destacariam a morte do piloto danês.

A organização tomou a dela ao não paralisar a prova com bandeira vermelha, apenas mandar o safety-car para a pista. Mas, a Aston Martin, principalmente, optou por seguir na disputa e dedicar a vitória a Simonsen, a pedido da família dele.

Parecia que ia conseguir. Bruno Senna, Rob Bell e Frédéric Makowiecki lideravam na GTE Pro até o francês cometer um pequeno erro na pista molhada, perdaer o controle e bater forte. Outro baita susto, outro Vantage V8 totalmente destruído, mas, felizmente, nada aconteceu com o piloto, exceto pelo cômico tombo por ele sofrido ao pular o guard-rail.

Quem conseguiu superar isso tudo foi Tom Kristensen, que não é da Aston Martin, mas era compatriota e amigo de Simonsen. O maior vencedor das 24 Horas de Le Mans ganhou a corrida pela nona vez. Ele ia dedicar uma eventual vitória ao seu pai, que morreu em março, mas dedicou ao piloto de 29 anos que deixou esposa e filho.

E não, não é de se condenar que a corrida não tenha sido paralisada. Como disse, Le Mans é uma corrida de superação e que impõe certos desafios, por mais árduos que eles sejam. O que não podemos é esquecer do que aconteceu com o dinamarquês, pois isso vale mais do que a 12ª vitória da Audi ou a nona da carreira de Kristensen.

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