Coluna Pisando Fundo, por Renan do Couto: Uma menina de 90 anos

As 24 Horas sobreviveram a crises financeiras e à Segunda Guerra Mundial e chegaram a nove décadas de existência com um futuro bem promissor. A (re)criação do Mundial de Endurance está ajudando a divulgar a cultura das corridas de longa duração pelo planeta

Neste domingo, as 24 Horas de Le Mans completaram 90 anos de vida. Tudo começou em 1923, em uma iniciativa do Automóvel Clube do Oeste, que queria estimular o desenvolvimento de carros que fossem não apenas rápidos, mas também confiáveis. 33 carros disputaram a corrida, e a coisa pegou. Ano após ano, mais e mais pilotos queriam participar daquele desafio no interior da França.

As 24 Horas sobreviveram a crises financeiras e à Segunda Guerra Mundial e chegaram a nove décadas de existência com um futuro bem promissor. A (re)criação do Mundial de Endurance está ajudando a divulgar a cultura das corridas de longa duração pelo planeta. Não que Le Mans precisasse de divulgação, mas isso está aumentando o interesse de todos pela modalidade.

A Audi tenta ganhar pela 12ª vez em Le Mans (Foto: Getty Images)

Além disso, a existência de um campeonato organizado é um atrativo maior para as montadoras, que tem uma base maior de corridas para desenvolver novas tecnologias, investir a longo prazo e mesmo fazer publicidade ao redor do mundo. É possível ir aos Estados Unidos, China, Japão, vir ao Brasil – não é apenas um certame europeu.

No ano que vem, a Porsche terá um protótipo na LMP1, para brigar por vitórias. Vai disputar com a Audi e a Toyota e, aparentemente, contará com Mark Webber como piloto. E a ideia de existir o Mundial é justamente essa, é atrair mais marcas que queiram desenvolver novas tecnologias – preferencialmente sustentáveis, como tanto gosta a FIA de Jean Todt.

Essa corrida de 24 Horas de Le Mans tem 90 anos, mas, na verdade, é uma menina e está de parabéns.

Especial de Le Mans
Caso não tenham visto, ontem, no domingo do GP de Mônaco e das 500 Milhas de Indianápolis, Evelyn Guimarães e eu preparamos um breve especial sobre Le Mans. Aqui tem um texto e aqui tem uma galeria com 90 fotos dessas nove décadas de história.

Equalização da LMP1
A comissão de endurance da FIA divulgou o Balanço de Performance da LMP1 para as 24 Horas de Le Mans, que é favorável às japonesas Toyota e Honda. Essas marcas possuem motores a gasolina e poderão ter tanques com três litros a mais de capacidade em relação à Audi, que usa diesel. Assim, a Toyota terá um tanque de 76 litros e Rebellion e Strakka, as equipes privadas que compram propulsores da Honda, 80. Essas, que não possuem sistemas híbridos, já podiam, desde o início do ano, usar cinco litros a mais de gasolina.

Comentário
Nas 6 Horas de Spa, a Toyota parecia ter uma autonomia ligeiramente maior que a Audi, então, muita gente ficou surpresa com essa medida. Porém, em Le Mans, os alemães devem levar vantagem por causa da baixíssima pressão aerodinâmica requerida pelo circuito de Sarthe. Com relação às equipes particulares, elas estão conseguindo chegar um pouco mais perto das montadoras, o que é legal.

Equalização da GTE
O Balanço de Performance da GTE Pro também foi alterado e vai prejudicar um pouco a Aston Martin de Bruno Senna, que dominou as 6 Horas de Silverstone e chegou na segunda posição em Spa. Os carros ingleses vão precisar carregar 10 kg a mais do que vinham carregando. A Porsche, por outro lado, se beneficiará de um restritor 0,3 mm maior. Nada mudou com relação às Ferrari da AF Corse.

Stock Car em Brasília
A quinta etapa da temporada 2013 é neste fim de semana, em Brasília. Ricardo Maurício é o líder do campeonato e foi segundo na última prova disputada na capital federal, atrás apenas de seu companheiro de equipe, Max Wilson, o que é um bom sinal para ele. A pista de Brasília exige bastante dos pneus e, por isso, tem gente que já cogita trocar ao menos algum dos compostos enquanto faz o pit-stop para reabastecimento.

Falando em Brasília
Vale resgatar esse texto do Felipe Giacomelli sobre a situação do Autódromo Nelson Piquet, para quem não chegou a ver.

E o Brasileiro de Turismo vai estrear
Com cinco semanas de atraso, o Brasileiro de Turismo vai entrar na pista pela primeira vez neste sábado. Segundo o bobo da corte Nei Tessari, 15 pilotos estão confirmados para disputar o campeonato, mas o Guilherme Salas, garoto que tem se destacado no kartismo, não andará em Brasília porque estará na prova da Sprint Race. O número não é alto, mas, ano passado, o normal era a Copa Montana ter 13 ou 14 pilotos. Considerando que o carro desse ano é novo e os times precisaram comprar novos equipamentos, não seria tão mal assim ter um grid de 15 pilotos na primeira temporada.

DTM na Áustria
Terceira etapa do campeonato, em Zeltweg, na Áustria. Quem chega ao Red Bull Ring liderando o campeonato é Mike Rockenfeller, da Audi, que venceu a etapa de Brands Hatch. E desde que o circuito voltou a receber a categoria, em 2011, só deu Audi, com Martin Tomczyk e Edoardo Mortara. É difícil cravar outra coisa justamente por isso, mas é a BMW a marca mais forte do momento e não vai ser nenhuma surpresa se os bávaros acabarem com o domínio dos carros de Ingolstadt na Áustria.

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