Coluna Punta-Taco, por Francis Trennepohl: Marcas de sucesso

Pode ser uma visão puritana e apaixonada demais, mas creio que automobilismo se faz na oficina, nos boxes e na pista, não em camarotes com engravatados tomando uísque e comendo empadinha, e o pior de tudo, em algumas situações interferindo em áreas das quais não entendem, como os regulamentos

 
No último final de semana o belíssimo Autódromo de Guaporé sediou o Festival Brasileiro de Marcas, destinado aos veículos de 1.600cc que disputam os regionais. Mais de 40 carros inscritos com pilotos de diversos estados e grandes disputas. Um sucesso!
 
Na contramão disso, o Gran Turismo indo pro buraco, e não só pelos custos altos, mas especialmente por vaidade de alguns e falta de conhecimento de outros. Era um campeonato belíssimo, com carros “dos sonhos” de qualquer um que goste das quatro rodas, mas que sucumbiu por motivos que poderiam, de certa forma, ser facilmente corrigidos.
 
Pode ser uma visão puritana e apaixonada demais, mas creio que automobilismo se faz na oficina, nos boxes e na pista, não em camarotes com engravatados tomando uísque e comendo empadinha, e o pior de tudo, em algumas situações interferindo em áreas das quais não entendem, como os regulamentos.
Edição de 1984 das Mil Milhas (Foto: Blog das Mil Milhas/Arquivo)
Por diversas vezes fui chamado de “louco”, “sonhador” e outros adjetivos que tinham como finalidade debochar e tripudiar da minha cara, mas os encarei sempre como elogios, pois de fato sou isso, e realmente acredito que é possível fazer automobilismo de forma acessível (barata) e competitiva, sem que os pilotos e preparadores/equipes sejam "estuprados" para poder participar de um campeonato ou de uma prova.
 
Sempre fui fã das Mil Milhas, era uma corrida dos sonhos, com 50, 60, 70 carros inscritos, das mais diversas categorias, pilotos famosos e de fundo de garagem dividindo a mesma curva, público lotando Interlagos e muita mídia. Aí resolveram alguns anos atrás que Voyage, Chevette, Opala, Passat e outros nacionais eram “perigosos” para os possantes importados/engomados, cujos pilotos não queriam correr o risco de ter uma porta amassada por um Chevettão e nos boxes ouvir a famosa frase “cada um paga o seu”. Resultado: as Mil Milhas viraram piada, corrida para nem meia dúzia de carros! 
 
O formato do Festival Brasileiro de Marcas comprova isso, bem como as Mil Milhas de antigamente: o que não falta é gente louca para colocar um macacão e acelerar, realizar um sonho, brincar de ser feliz, mas dentro de uma realidade compatível com a atual situação financeira do país.
 
E pra fechar: não tenho nenhuma estatística oficial, mas um dos segredos para qualquer campeonato ter sucesso é a diversidade de marcas e modelos competindo entre si, e melhor ainda se tiver o apoio das montadoras, como é o caso da F-Truck, um exemplo a ser seguido!

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