Endurance

Ex-F1 e vencedor das 24 Horas de Le Mans, Wurz anuncia fim da carreira ao fim da temporada 2015 do WEC

Com passagem por equipes como Benetton, McLaren e Williams na F1 e duas vezes vencedor da principal corrida de endurance do mundo, Alex Wurz, aos 41 anos, anunciou nesta terça-feira (10) que vai pendurar o capacete no encerramento da temporada do WEC, abrindo uma vaga na Toyota
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Alexander Wurz e Nicolas Lapierre no pódio (Foto: AMR/MF2)
O fim da temporada 2015 do Mundial de Endurance, marcado para o próximo 21 de novembro, no Bahrein, vai representar o fim da carreira de Alexander Wurz no automobilismo. Hoje com 41 anos, o austríaco corre pela Toyota no WEC, mas reúne passagens por equipes importantes da F1, chegando a figurar no pódio da categoria. Suas principais conquistas foram, sem dúvida, as duas vitórias nas 24 Horas de Le Mans, em 1996 e 2009. O anúncio foi feito nesta terça-feira (10), por meio do seu site oficial. No entanto, sua aposentadoria não vai representar a saída do piloto do posto de presidente da GPDA, a Associação dos Pilotos de GP.
 
“Depois de 12 anos como piloto titular e terceiro piloto na F1, tive a sorte de correr em Le Mans durante oito temporadas. Isso significa que curti a metade da minha vida competindo nos esportes a motor e outro quarto da mesma escalando o topo, de modo que sinto que é hora de dar por encerrado com isso e terminar minha carreira como piloto profissional. Tenho muito a agradecer e muito para me orgulhar”, declarou.
Alexander Wurz continua com sua função de presidente da GPDA (Foto: Toyota/Facebook)
“Minhas duas vitórias em Le Mans sempre serão as mais especiais e inesquecíveis, junto com o pódio em Silverstone na minha terceira corrida na F1. Na F1, me sinto enormemente privilegiado por ter guiado para equipes como Benetton, McLaren e Williams e poder ter contribuído para suas vitrines de troféus. Adorei o trabalho de testes e desenvolvimento, colaborar com os engenheiros para encontrar mais rendimento”, lembrou Wurz.
 
A carreira de Wurz nas pistas começou nas bicicletas. Antes de estrear no kartismo, o austríaco foi vice-campeão europeu de BMX. Depois de dois anos no kart, em 1989 e 1990, Alexander foi campeão austríaco da F-Ford 1600 Junior. No ano seguinte, o piloto disputou os campeonatos alemão e austríaco de F-Ford 1600 e foi campeão após 22 vitórias em 24 corridas.
 
Entre 1994 e 1995, o piloto disputou a F3 Alemã, chegando a ser vice-campeão em 1994. Depois de um bom desempenho nas categorias de base, Wurz fez uma temporada no DTM e também correu as 24 Horas de Le Mans com um TWR/Porsche da equipe Jöest, vencendo pela primeira vez em Sarthe ao lado de Davy Jones e Manuel Reuter.
 
Seu trabalho chamou a atenção da Benetton, que o contratou para ser piloto de testes, primeiramente, em 1997. No mesmo ano, disputou três corridas como titular, no lugar de Gerhard Berger, e foi ao pódio no GP da Inglaterra. Wurz teve longa vida na Benetton, disputando o Mundial de F1 pela equipe ítalo-britânica entre 1998 e 2000, mas longe de brilhar.
 
Dispensado do time em 2001, Wurz assumiu o papel de piloto de testes da McLaren por longos anos, até 2005, quando substituiu Juan Pablo Montoya no GP de San Marino. Novamente cumprindo bem sua missão de substituto, o austríaco terminou no pódio a prova em Ímola. Em 2006, Alex passou a fazer parte da Williams, também primeiramente como piloto reserva. Na temporada seguinte, chegou novamente ao pódio e encerrou sua carreira na F1 como titular.

 
O piloto chegou a realizar testes com a Honda em 2008, mas rumou de vez para o endurance pelas mãos da Peugeot, que o levou ao topo do pódio de Le Mans pela segunda vez, em 2009. Desde 2012, faz parte do programa de LMP1 da Toyota, equipe que deixa ao fim da temporada 2015 do WEC.
 
“Com o protótipo de Le Mans, curti batalhas épicas, mas também abandonei algumas. Nada supera os pódios de Le Mans, ainda que as 12 Horas de Sebring, Petit Le Mans e garantir a primeira vitória da Toyota no WEC foram muito especiais também. O endurance, sobretudo Le Mans, é um dos esportes mais difíceis. Liderei a maioria das 24 de Le Mans que guiei. Fui líder durante 15 horas no ano passado e acabou que abandonei, e isso foi difícil. Me esforcei tanto em 2014 com a preparação da corrida que foi muito difícil seguir adiante depois deste abandono”, recordou.
 
“Nos anos anteriores, esta derrota me faria voltar mais forte e pronto para voltar novamente à batalha, mas não desta vez. Neste momento, sabia que minha hora estava chegando e de forma natural. As 6 Horas do Bahrein vão representar este final”, acrescentou o piloto, que afirmou que deverá permanecer envolvido no esporte. 
 
À revista britânica ‘Autosport’, Wurz revelou que chegou a receber uma proposta para ser chefe de equipe da Lotus num passado recente, mas que descartou por ainda estar focado em seu papel como piloto. Agora, tem totais condições de empreender sua carreira fora das pistas. “A boa notícia é que há opções para o futuro. Vou ficar nas corridas e usar minha experiência, não apenas dentro do carro, mas como um todo”.