Na Garagem: autódromo de Sebring é inaugurado em antiga base aérea militar

Foi na véspera de 1950 que o mundo do automobilismo conheceu um de seus mais tradicionais autódromos: o Sebring International Raceway. 65 anos mais tarde, pista abriga anualmente a segunda mais importante prova de longa duração do planeta

Não foi só na Inglaterra que o pós-guerra viu diversas bases aéreas e pistas de pouso serem convertidas em circuitos para corridas de automóvel. Tal fenômeno também aconteceu nos Estados Unidos, e, em 31 de dezembro de 1950, pela primeira vez uma prova foi disputada no autódromo de Sebring.
 
O local onde até hoje fica o tradicional circuito norte-americano funcionava, até a década de 1940, como uma base aérea para treinamentos do exército norte-americano. Mais precisamente, equipes de combate que voavam em aviões B-17. Terminada a guerra, a base foi ficando ociosa até ser desativada.
Cliff Allison em Sebring em 1959 (Foto: LAT)
A transformação em autódromo aconteceu graças a Alec Ullmann, um entusiasta tanto da aviação, quanto das corridas. Ele procurava por um local em que aviões militares pudessem ser adaptados para uso civil nos EUA. E, nessa busca, deparou-se com Sebring e pensou que as pistas de pouso ali existentes poderiam servir de palco para corridas de longa duração, como as 24 Horas de Le Mans. Dito e feito.
 
Foi ele quem promoveu, na véspera do Ano Novo, a prova de seis horas que levou o nome de “Sam Collier 6 Hour Memorial”.
 
Collier foi um publicitário e piloto na guerra que também se aventurou nas pistas de corrida. Em 23 de setembro de 1950, no entanto, morreu em um acidente enquanto liderava o GP de Watkins Glen, disputado nas ruas que cercavam o vilarejo do Estado de Nova York.
Tony Brooks em Sebring no GP dos EUA de 1959 (Foto: Ferrari Stuff)
A prova inaugural foi vencida por Fritz Koster e Ralph Deshon, que levaram a melhor com seu Crosley em meio a um grid de 30 carros.
 
15 meses mais tarde, em 15 de março de 1952, a disputa que até hoje é a cara do autódromo aconteceu pela primeira vez. As 12 Horas de Sebring, que só perdem em importância no endurance mundial para as 24 Horas de Le Mans, foram vencidas por Harry Gray e Larry Kulok.
Jack Brabham em Sebring quando a F1 visitou o circuito (Foto: Rainer Nyberg)
Depois, a F1 também passou pelo interior da Flórida. Foi em 1959, na primeira edição do GP dos Estados Unidos, que fechou o campeonato e coroou o título de Jack Brabham. No ano seguinte, contudo, o evento aconteceu em Riverside.
 
Aos 65 anos, o autódromo de Sebring mantém um ar um pouco antigo, e, ao mesmo tempo, consegue simbolizar bem o espírito do automobilismo norte-americano — simples e, por que não?, um tanto caipira. Sua estrutura favorece o contato do público com os pilotos, com o paddock ficando entre a área de garagens e a pista, e há um espaço destinado para aqueles que gostam de acampar para acompanhar as corridas.

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