Opinião GP: Vitória em Le Mans reflete talento de Hülkenberg. Agora é hora de F1 lhe dar valor

Nico Hülkenberg já esteve muito perto de dar o passo para uma equipe grande, mas foi passado para trás e dispensado por mensagem de texto. Em um momento em que parecia ver o bonde passar, provou nas 24 Horas de Le Mans ter o talento que precisa para ser enfim valorizado na F1

UMA MENSAGEM DE TEXTO após o GP da Hungria de 2013 comunicou Nico Hülkenberg de que ele não estava mais nos planos da Ferrari para o ano seguinte. Assim, aquela jovem promessa deixou de estar muito perto de dar o salto para uma equipe grande para seguir no pelotão intermediário. Luca di Montezemolo e Stefano Domenicali haviam optado pelo retorno de Kimi Räikkönen.

Depois deste domingo, com a vitória nas 24 Horas de Le Mans com a Porsche, ele tem de ser enfim valorizado na principal categoria do planeta.

O pódio em Le Mans (Foto: AP)

O primeiro semestre de 2015, com o carro modesto da Force India, teve um Hülkenberg apagado, é verdade. Tão apagado que surgiu a pergunta: ele havia perdido o bonde? Estava fadado a seguir em equipes médias e sair da F1 sem grandes resultados? É de se concordar que o questionamento era plausível. (A situação de Romain Grosjean é semelhante, mas isso é conversa para outra hora).

Campeão da GP2 em 2009, Hülkenberg ainda não subiu ao pódio em 83 corridas na F1. Mas também nunca teve carros para isso, tanto que a única vez que um companheiro de equipe seu levou um troféu para casa foi no GP do Bahrein de 2014, com Sergio Pérez. Por outro lado, nenhum de seus colegas de time conseguiram pole-positions, o que ele conquistou no GP do Brasil de 2010, com a Williams.

O que o alemão, hoje com 27 anos, teve foram apresentações dignas de destaque. Os quartos lugares na Bélgica em 2012 e na Coreia do Sul, em 2013, foram resultados excepcionais. No Brasil, em 2012, ele liderou 30 voltas e poderia muito bem ter vencido, não fosse um escorregão na chuva em uma disputa com Lewis Hamilton no S do Senna. No fim de 2013, com uma Sauber bem modesta, cresceu demais e voltou a fazer grandes corridas, como no GP dos Estados Unidos. Apesar de contar com equipamentos inferiores, conquistou o respeito de outros pilotos do grid por disputar posições de forma agressiva, mas limpa.

Todos sabem que, talento, sobra ali.

E, reiterando, uma vitória em Le Mans não pode mudar a carreira, não deve mudar a carreira: tem de mudar.

Ter vencido uma das três corridas mais importantes do automobilismo é uma segunda chance para Hülkenberg dar o salto para uma equipe de ponta que lhe permita brigar para ser campeão mundial de F1. Mas é, também, uma segunda chance para a F1 reconhecê-lo. E há espaço para isso.

Considerando-se os acontecimentos e as notícias das últimas semanas, duas das três melhores equipes no Mundial de Construtores podem trocar de pilotos para o próximo ano. A Ferrari, cujo contrato com Kimi Räikkönen ainda não foi renovado. Hülkenberg seria um ótimo substituto, e ainda levaria o lendário #27 de volta a Maranello. Mas tudo bem, digamos que os italianos prefiram Valtteri Bottas a ele: abrir-se-á uma porta para o retorno à Williams.

Se não tiver a chance de andar em uma equipe de ponta em 2016, Hülkenberg tem mais é que, mesmo, pensar em optar pelo outro Mundial para o seu futuro.

A propósito: que lindo seria se ele passasse pelas catracas do paddock do Red Bull Ring, na quinta-feira, ostentando o troféu das 24 Horas…

Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.

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