Sem público, 24h de Le Mans tem edição atípica e disputa imprevisível por vitória

Por um lado, as 24 Horas de Le Mans perdem parte do charme por conta da pandemia e dos portões fechados. Por outro, a briga pela vitória na LMP1 é mais aberta do que em anos anteriores e envolve até Bruno Senna. Mesmo em data inusitada, a prova de endurance mais famosa do mundo ainda tem muito o que oferecer

2020 não será lembrado como um ano normal. Aconteceu um pouco de tudo, com a pandemia do coronavírus tomando manchetes de assalto e modificando planos ao redor do mundo. É verdade também para o Mundial de Endurance, que só vai realizar as icônicas 24 Horas de Le Mans em setembro. De quebra, com portões fechados e grid mais minguado. Ainda assim, nada que acabe com a magia: a prova de endurance mais famosa do planeta volta com o mesmo charme de sempre e com uma briga pela vitória que já promete.

A corrida em Le Mans acontece após um primeiro teste do WEC a respeito do esporte a motor em um mundo pandêmico. A categoria já realizou as 6 Horas de Spa-Francorchamps em agosto, encerrando período de paralisação que vinha desde fevereiro. Foi tudo bem com a corrida, exceto por um choque de realidade antes da largada: Gabriel Aubry, piloto da Jota Sports na LMP2, testou positivo para coronavírus dias antes e virou desfalque, forçando outras 23 pessoas a ficar em isolamento até confirmação de teste negativo.

Depois da sorte de ter apenas um caso isolado na Bélgica, faz sentido que a categoria seja rigorosa na França. Ao contrário de campeonatos que já permitem presença de público reduzido no autódromo, o Mundial de Endurance leva o conceito de portão fechado ao pé da letra. Pela primeira vez na história, não haverá uma única alma nas arquibancadas nas 24 Horas de Le Mans. A esperança de receber fãs seguiu viva até agosto, mas sucumbiu aos temores de uma ainda tímida segunda onda de infecções em solo europeu.

A Toyota vai forte para Le Mans, mas agora com concorrência real (Foto: Toyota)

Os lamentos de uma corrida anestesiada pela falta de público são contrabalanceados pela expectativa de uma edição mais imprevisível das 24 Horas de Le Mans. Depois de dois anos em que a Toyota nadou de braçada, consequência da saída de Porsche e Audi da classe LMP1, 2020 promete briga mais aberta. O Mundial de Endurance finalmente encontrou uma forma de neutralizar parte da vantagem do carro japonês, abrindo chance de a Rebellion sonhar com a vitória.

O campeonato, entretanto, começou ainda da forma que nos acostumamos a ver em anos recentes. O Toyota #7 de Mike Conway, Kamui Kobayashi e José María López fez pole e venceu nas 6 Horas de Silverstone, realizadas mais de um ano atrás, em setembro de 2019. Os dois carros alvirrubros tiveram performance semelhante e deram um banho no resto, completando a prova com uma volta de vantagem sobre os terceiros colocados, com o #7 vencendo. O Toyota #8 de Sébastien Buemi, Brendon Hartley e Kazuki Nakajima perdeu uma chance que se provaria rara de brigar por vitória.

A redenção veio na prova seguinte, as 6 Horas de Fuji. Foi a vez do #8 fazer a pole, controlar ações e vencer com o carro #7 em segundo. Em terceiro, a Rebellion de Bruno Senna, Gustavo Menezes e Norman Nato conseguia o primeiro de muitos pódios no ano. Ainda no giro asiático, as 6 Horas de Xangai foram especiais: tirando proveito de uma Toyota ainda mais capada, o trio da Rebellion conseguiu vitória importante para colocar um tempero no campeonato.

O problema é que isso não tinha como durar para sempre. Ainda mais porque a força da Rebellion é muito mais uma questão de treino classificatório do que de corrida. No Bahrein, a nova pole de Senna/Menezes/Nato não impediu a segunda vitória no ano de Conway/Kobayashi/López. O campeonato estava equilibrado, mas com um começo ruim da Rebellion ainda deixando a Toyota favorita ao título.

Em Austin, a Toyota voltou a ficar muito atrás da Rebellion em volta rápida. Dessa vez, Senna/Menezes/Nato tinham tanta vantagem de performance que seria possível fazer a pole e vencer. E aí a pandemia do coronavírus virou realidade.

A Rebellion busca dar sequência à boa temporada 2020 (Foto: Rebellion)

Foi só em agosto que a briga pelo título pôde ser retomada. E seguindo tendência vista anteriormente: pole da Rebellion, mas vitória do Toyota #7. Na ida para Le Mans, é justamente esse trio que lidera, com 137 pontos e três vitórias. O Toyota #8, com uma série de segundos lugares, acumula 125. O trio da Rebellion, mesmo vencendo duas, paga pelo começo ruim e acumula 109. Dito isso, a ida à França reserva 24 horas de ação e risco maior de abandonos, fator que pode virar o campeonato de cabeça para baixo.

Caso a Rebellion consiga a vitória, seria um resultado particularmente especial para o Brasil. Nunca um piloto do país conseguiu triunfar em Le Mans na LMP1, e Senna vê a chance de mudar isso ao lado de Menezes e Nato. Bruno é o protagonista de um grupo até encorpado de brasileiros que embarcam para a França: são sete, distribuídos nas quatro classes.

Depois de Senna, André Negrão é outro grande destaque. O brasileiro vem de duas vitórias seguidas com a Alpine na LMP2 e tem a chance de fazer um hat-trick ao lado de Nicholas Lapierre e Thomas Laurent. Na GTE-Pro, outro piloto com currículo vitorioso é Daniel Serra, vencedor em 2017, que retorna à AF Corse para correr de Ferrari 488 ao lado de James Calado e Alessandro Pier Guidi.

A maioria dos brasileiros, entretanto, surge na GTE-Am. Felipe Fraga segue impulsionando a carreira internacional com a segunda aparição em Le Mans. Augusto Farfus vai para a quinta tentativa, mas com mudança séria: é a primeira vez sem representar a BMW, agora ao volante de uma Aston Martin. Marcos Gomes e Oswaldo Negri completam a lista, ambos de Ferrari.

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