Senna diz que sente falta de andar em carro de F1, mas está “aproveitando mais” carreira no endurance

Líder do campeonato de pilotos da classe GTE Pro no Mundial de Endurance, Bruno Senna está gostando do ambiente muito mais tranquilo das provas de longa duração e da cobrança bem menor que a do Mundial de F1

Há dois meses, em entrevista à REVISTA WARM UP, Bruno Senna declarou: “Nunca digo nunca para a F1, mas quero vencer no endurance”. Isso foi antes de ele estrear com vitória no WEC nas 6 Horas de Silverstone, no dia 14 de abril. Após disputar as duas primeiras etapas da temporada, o piloto demonstra estar bem contente pela mudança de rumo na carreira e o início da carreira com a Aston Martin, tradicionalíssima marca inglesa que comemora seu centenário em 2013.

Logo depois da primeira vitória, que encerrou um jejum que durava desde 2008, a alegria de Senna era visível. A oportunidade de brigar por pódios e corridas é o combustível dessa felicidade demonstrada.

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Ao GRANDE PRÊMIO, Senna afirmou que sente falta apenas de pilotar um carro de F1, mas nem tanto de estar na categoria máxima do automobilismo. “Acho demais ter a chance de lutar por vitória, estar, de novo, competitivo. Fazia quatro anos que eu não ganhava uma corrida, três que eu não chegava no pódio, e, com certeza, isso estava pegando na minha confiança”, admitiu.

Bruno Senna admite que vive de maneira mais tranquila no endurance (Foto: Aston Martin Racing)

“Obviamente, depois de andar no carro de F1, você sente falta do carro de F1. É muito especial, diferente. Mas, em termos de ambiente, estou gostando muito do endurance. É bem legal. O público tem um acesso muito mais próximo aos pilotos, é uma coisa muito mais humana do que a F1 era”, disse o brasileiro, que tem sido um dos mais assediados nas sessões de autógrafos e em outros eventos destinados aos fãs.

“É difícil dizer assim [que estou curtindo mais. Na F1, a pressão era muito alta. Mas eu digo, com certeza, que estou muito menos estressado, estou aproveitando muito mais essa fase da minha carreira do que nos últimos dois anos”, continuou.

Neste sábado (22), às 10h (de Brasília), Senna largará para o maior desafio da temporada. Dividindo o carro #99 com o francês Frédéric Makowiecki e o inglês Rob Bell, ele disputará as 24 Horas de Le Mans pela segunda vez na carreira.

A estreia de Bruno aconteceu há quatro anos, em 2009, quando ele defendia a Oreca na Le Mans Series, competindo na classe LMP2. Embora a pista tenha mudado pouco neste período, como os carros são completamente diferentes, não é possível reciclar tanto conhecimento para obter um resultado mais positivo em 2013.

“A experiência de ter andado de protótipo não se aplica a esse carro, mas tenho dois companheiros de equipe com bastante experiência”, elogiou. A experiência será útil no aprendizado da pista, “nas manhas de onde um erro não vai te dar tantos problemas, essas coisas”, pontuou Bruno.

Confiança, porém, é o que não falta para a corrida de 2013. “A chance de a gente ter um sucesso é alta”, cravou. Isso apesar da mudança na equalização dos carros, que resultou em um acréscimo de dez quilos aos modelos Vantage V8. “São quatro ou cinco décimos que a gente vai perder por volta. Quando faz a conta para 24 Horas, é um tempo bem razoável”, destacou.

De volta a Le Mans, Senna pilotará o carro da lendária e centenária Aston Martin (Foto: Divulgação AMR/MF2)

Assim como Lucas Di Grassi e Raul Boesel também fizeram em entrevista ao GRANDE PRÊMIO, Senna foi outro que comentou a preparação para a corrida. Além dos testes de equipamentos e das simulações de 24 horas já realizadas, há, ainda, o lado físico de todos os envolvidos.

Uma das técnicas para suportar o cansaço durante a prova é correr um pouco antes do amanhecer. “Uma hora em que você está meio cansado, para simular um esforço físico em uma parte em que você não está descansado”, ponderou.

“Desde o começo, essa corrida pôs à prova pilotos e carros e a gente pode olhar no passado, era muito mais difícil para o carro durar as 24 horas, com a tecnologia que a gente tem, mas o fator humano continua lá. As pessoas continuam exatamente iguais ao que eram há 30 anos”, completou Senna.

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