Endurance

VÍDEO: gesto de piloto confunde Kobayashi e contribui para quebra que tirou vitória da Toyota em Le Mans

Durante um período de safety-car, Kamui Kobayashi ficou parado no pit-lane, mas recebeu um sinal de positivo para voltar à pista. Mas este sinal não partiu de nenhum fiscal de pista, mas sim de Vincent Capillaire, cujo macacão era muito semelhante ao dos fiscais. Tal gesto confundiu o japonês e, indiretamente, contribuiu para o superaquecimento da embreagem, causa do fim da prova para a tripulação
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Novo pesadelo: líder da prova, o Toyota TS050 #7 abandonou com Kobayashi ao volante (Foto: Reprodução)

O novo fracasso da Toyota nas 24 Horas de Le Mans segue dando o que falar. A equipe, que fez história ao quebrar o recorde da pista de Sarthe no treino classificatório 2 com Kamui Kobayashi, liderou quase toda a primeira metade da prova antes de abandonar com o TS050 Hybrid #7 por conta de um problema no sistema de embreagem pouco antes da décima hora de prova. No entanto, no início desta terça-feira (20), eclodiu uma história surreal que pode justificar a falha que tirou a chance da marca japonesa finalmente vencer em Sarthe. 
 
Durante um período de safety-car, Kobayashi assumiu o comando do seu Toyota para um stint noturno, mas teve de seguir parado no fim do pit-lane por conta de uma sinalização de luz vermelha para que a fila de carros que estava perto do setor pudesse passar. 
 
Aí é que houve o problema. Vincent Capillaire, piloto francês da Algarve Pro Racing ao lado de Mark Patterson e Matthew McMurry, vestia um macacão laranja, muito parecido com o que trajavam os fiscais de pista postados ali no pit-lane. Em sinal de apoio, Capillaire acenou com um positivo para Kamui. O japonês confundiu o gesto do piloto com a autorização de um fiscal de pista e entendeu que já poderia acelerar e deixar o pit-lane.

 
Assim, Kobayashi começou a deixar o pit-lane rumo à pista. Mas a Toyota, via rádio, foi instruído a parar novamente. Toda a sequência contribuiu diretamente para o superaquecimento do sistema de embreagem, que foi a causa do abandono da tripulação do TS050 #7 na prova.
 
Em entrevista à emissora Eurosport, Pascal Vasselon, diretor-técnico da Toyota, explicou o que aconteceu. “O carro que liderava, o #7, teve um problema extremamente surpreendente. Ele foi parado na fila do safety-car, quando, então, alguém acenou para que ele saísse de novo. Mas as luzes ao fim do pit-lane estavam vermelhas, então paramos. Ele saiu e parou de novo por umas duas ou três vezes, o que não estava planejado, e isso superaqueceu a embreagem”, descreveu.
Uma história surreal por trás de mais um fracasso da Toyota em Le Mans (Foto: Reprodução)
Capillaire também explicou o incidente no pit-lane e, embora tenha reconhecido que não agiu de forma a prejudicar a Toyota, lamentou o ocorrido. “Na noite de sábado, durante a corrida, eu estava esperando com meu capacete na beirada do box. Queria mostrar meu incentivo ao carro que liderava, que estava parado a poucos metros do meu box. Foi um encorajamento espontâneo. Fui multado pelos comissários pelo gesto e admito que foi inapropriado. Estou arrependido”, escreveu o piloto em sua conta no Facebook.
 

Vasselon, ao tomar conhecimento do depoimento de Capillaire, deixou claro que quer um pedido de desculpas do piloto. “Entendemos que não houve má intenção em seu comportamento, mas ele não pensou nas consequências do seu gesto. Espero que venha se desculpar, o que, até o momento, ainda não o fez”, disse o engenheiro, bastante frustrado.
 
O acontecimento quase inacreditável apenas contribuiu para a sequência da má sorte da Toyota em Le Mans. Depois de perder uma corrida praticamente ganha quando restavam apenas seis minutos para o fim da prova no ano passado, tudo indicava que o triunfo era certo em 2017. Porém, em um espaço de poucos minutos, dois dos três protótipos do time ficaram fora de combate. O #8, de Sébatien Buemi, Anthony Davidson e Kazuki Nakajima, ainda completou a prova, mas em nono lugar, consequência de muitos problemas. Por isso, as nove voltas de desvantagem para a tripulação #2 da Porsche, que também superou um enorme problema no eixo dianteiro, mas saiu de 57º para triunfar de forma histórica em Sarthe.
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