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Virada e título em Londres fazem Buemi exorcizar fantasmas da perda da primeira temporada da F-E e de Le Mans

Sébastien Buemi conseguiu virar o jogo na última prova da temporada 2015/16 da F-E. Em um campeonato cheio de altos e baixos, o suíço levou o título ao marcar a volta mais rápida, após um incidente polêmico com Lucas Di Grassi. O helvético supera o trauma da temporada inaugural, quando perdeu para Nelsinho Piquet
Warm Up / GABRIEL CURTY, de São Paulo

O automobilismo é um negócio apaixonante. Após um dos momentos mais complicados de sua carreira, perdendo as 24 Horas de Le Mans nos quilômetros finais, Sébastien Buemi foi do inferno ao céu em 15 dias, virando o jogo na prova final em Londres na volta mais rápida e batendo Lucas Di Grassi para se sagrar o grande campeão da segunda temporada da F-E.
 
A trajetória do suíço foi um tanto complicada e cheia de altos e baixos. Esmagadoramente superior que seu companheiro de equipe Nicolas Prost, Buemi por vezes acabou tendo seu talento questionado. Na melhor equipe da categoria, desde o início do campeonato o helvético foi tratado como favorito e a conquista do título parecia ser questão de obrigação.
 
A caminhada para a glória, como já dito anteriormente, não foi nada fácil. Além de alguns finais de semanas ruins, Buemi enfrentou um Di Grassi inspiradíssimo, tirando tudo que podia e não podia de uma Audi ABT que claramente estava atrás da e.dams. 
Sébastien Buemi conseguiu virar o jogo para vencer a temporada (Foto: Getty Images)
O campeonato foi uma montanha-russa para Buemi e para Di Grassi. O suíço começou com tudo, fazendo pole, melhor volta e vencendo com tranquilidade em Pequim, levando os 30 pontos máximos. Ali, já eram 12 pontos de frente para Lucas. Mas, como foi a temporada toda, logo veio a depressão, com seu carro morrendo sequenciais vezes em Putrajaya e apenas os cinco pontos extras no bolso. Quietinho, Di Grassi vencia e era líder do campeonato, oito tentos na frente do rival helvético.
 
Punta del Este chegou e Buemi tratou de ir para a parte alta da gangorra. Mesmo sem a pole, o suíço abocanhou mais 27 pontos com a vitória e a volta mais rápida, enquanto o rival novamente era segundo. Em Buenos Aires, Sam Bird surpreendeu os dois, mas o helvético levou a melhor na briga pelo segundo posto e, assim, deixava a gira sul-americana com quatro pontinhos de frente para Di Grassi. Tudo aberto.
 
Então foi a vez do eP do México, certamente aquele que Lucas vai lamentar eternamente. Em uma grande exibição, o brasileiro venceu e voltou à liderança, mas apenas por alguns instantes. A inspeção pós-prova viu que Lucas estava abaixo do peso permitido, assim, desclassificando o brasileiro e impulsionando Buemi para segundo, atrás de Jérôme D'Ambrosio. No campeonato, Buemi apliava a frente para 22 e, com um carro bem superior, parecia colocar a mão no campeonato.
Lucas Di Grassi comemorou, mas perdeu a vitória no México (Foto: Getty Images)
Mas, lembram da história da montanha-russa? Então, é claro que ela voltaria. Lucas encaixou duas vitórias consecutivas em Long Beach e Paris e, com dois sábados terríveis para Buemi, fazia aquilo que parecia impossível: virava o jogo e abria vantagem. Com apenas três provas pela frente, Lucas tinha 11 pontos de vantagem para Sébastien, mas sabia que a diferença entre os carros poderia mudar o cenário.
 
Berlim chegou e Buemi fez o que tinha de ser feito. Ainda que tenha perdido os pontos extras, conquistou uma vitória dominante e, com Di Grassi em terceiro, ficou apenas um pontinho atrás, levando a decisão para Londres com o campeonato abertíssimo.
 
A etapa de sábado em Londres começou de forma caótica para os dois postulantes ao título. A chuva caiu justamente antes do grupo de ambos na classificação, o que jogou a dupla para o fim do grid de largada. Di Grassi foi melhor e  saiu três posições à frente do rival. Na corrida, ambos tiveram desempenhos excelentes, mas a posição de largada fez toda a diferença e o brasileiro ficou em quarto, enquanto o suíço foi quinto. 
Sébastien Buemi (Foto: Adam Warner/LAT/F-E)
Ainda faltava, porém, aquele toque de campeão para Buemi. E ele veio na hora certa, no momento decisivo, quando a pressão parecia ser muito maior do que antes. O suíço aproveitou o ótimo equipamento e falou grosso na classificação, cravando a pole com léguas de frente para o companheiro Prost e para o rival Di Grassi. 

Estava na cara que seria mais sofrido que sair da pole e ganhar. Logo na primeira volta, Buemi foi acertado por Di Grassi. O incidente acabou com as chances de pontos de ambos, mas deixava em aberto a briga pelo título no detalhe, na volta mais rápida. Acertando em cheio seu giro, o suíço bateu a volta do brasileiro e assegurou o caneco.
 
Mas os erros ficaram todos para trás. No fim das contas, o campeão é Buemi e a conquista veio em grande estilo, com o suíço tendo de virar a parada e tendo ótimas exibições nas duas corridas de Londres. É isso que vale. A história vai lembrar do segundo título mundial de Buemi e do fim de campeonato excepcional da categoria, não mais dos erros que cometeu no caminho. Sébastien provou que o título do WEC em 2014 não foi por acaso e mostrou saber o que fazer quando precisa virar o jogo.

Buemi exorcizou, também, os fantasmas da temporada passada da F-E. Foi na mesma pista em Londres que, no campeonato inaugural da categoria, o suíço ficou preso atrás de Bruno Senna e perdeu o título para o também brasileiro Nelsinho Piquet.
 
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