30 anos após triunfo do pai, Rosberg domina e vence prova tumultuada em Mônaco. Massa repete acidente

Confirmando o favoritismo apresentado ao longo do fim de semana, Nico Rosberg fez uma excelente prova e conquistou sua primeira vitória na temporada 2013 da F1. Sebastian Vettel e Mark Webber completam o pódio

Exatos 30 anos após o triunfo de Keke nas ruas do Principado, o nome Rosberg voltou ao topo do pódio do GP de Mônaco. Largando na pole, Nico fez uma ótima prova neste domingo (26) e não teve sua liderança ameaçada. Ao contrário do temor inicial pelo alto desgaste de pneus e pelo pobre ritmo de corrida da Mercedes, o germânico conseguiu controlar bem o consumo da borracha e pôde imprimir um ritmo bom o bastante para se manter na liderança do início ao fim.
 
A corrida, que começou morna, resultou em uma prova tumultuada por conta de dois acidentes, o primeiro deles com Felipe Massa. Na 30ª volta da disputa, o brasileiro bateu forte na Sainte-Dévote, em um lance idêntico ao acidente do dia anterior. Felipe não conseguiu fazer a curva, se chocando contra o muro da curva 1 e deslizando até colidir novamente, provocando a entrada do safety-car.

Felipe foi levado a um hospital em Monte Carlo, onde foi submetido a exames de imagem para checar possíveis lesões. Os resultados, entretanto, não indicaram nenhum ferimento, e Massa não terá problemas físicos para disputar o GP do Canadá. 

30 anos depois da vitória do pai, Nico Rosberg repete o feito de Keke e triunfa em Mônaco (Foto: Getty Images)
 
O segundo – e mais sério – acidente aconteceu entre Pastor Maldonado e Max Chilton. O piloto da Marussia tocou no rival da Williams, que bateu forte na Tabacaria. Apesar da força do impacto, o venezuelano não se feriu. O choque, no entanto, motivou a interrupção da corrida com bandeira vermelha. 
 
Na relargada, Rosberg permaneceu firme na ponta, consolidando sua vitória. Mais atrás, Fernando Alonso teve de entregar a sexta posição para Sergio Pérez por ter cortado a chicane para evitar a ultrapassagem. O asturiano ainda foi ultrapassado por Adrian Sutil e Jenson Button, caindo para o oitavo, em um fim de semana cheio de problemas para a escuderia de Maranello. 
 
Antes do fim da prova, o safety-car foi novamente acionado, desta vez por conta de um acidente com Romain Grosjean e Daniel Ricciardo. A dupla bateu na saída do túnel, com o piloto da Lotus acertando a traseira do australiano e quase decolando. O incidente entre os dois será investigado pela direção de prova.
 
Na 67ª volta, o carro de segurança saiu e Rosberg seguiu firme na ponta, à frente de Vettel e Webber. Mais atrás, Kimi Räikkönen era pressionado por Pérez. Os dois se tocaram e o finlandês precisou ir aos boxes com um pneu furado. Com o carro danificado no acidente, o mexicano ficou mais lento, segurando o pelotão e abandonando a prova na sequência, não sem antes quase tirar Jenson Button da disputa.
 
Desta forma, Sutil assumiu o quinto posto, à frente de Button, Alonso, Jean-Éric Vergne, Paul di Resta e Nico Hülkenberg. Na ponta, Rosberg seguia firme, forte e tranquilo na liderança, para receber a bandeirada com 3s8 de vantagem para Vettel. Webber confirmou o terceiro posto, seguido por Hamilton e Sutil. Button ficou em sexto, com Alonso em sétimo, Vergne em oitavo e Di Resta em novo. Voando no final, Räikkönen fez seis ultrapassagens em sete voltas, e conseguiu neutralizar o efeito Pérez e completou a prova no décimo lugar.

Com o décimo lugar deste domingo, Räikkönen chegou a 23 corridas consecutivas na zona de pontuação, se aproximando do recorde de Michael Schumacher, que entre o GP da Hungria de 2001 e o GP da Malásia de 2003 pontuou em 24 etapas seguidas.

As imagens do domingo de F1 em Monte Carlo 
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A primeira grande expectativa do GP de Mônaco era com a largada e a primeira curva, a temida Sainte-Dévote. Mas não houve qualquer incidente depois que as luzes vermelhas foram apagadas. Rosberg largou bem e manteve a liderança, seguido por Hamilton, Webber, Räikkönen e Alonso. As primeiras posições não foram modificadas em relação ao grid de largada. Felipe Massa começou sua corrida de forma limpa e em busca de reação em Mônaco.

Para não dizer que não houve problemas na primeira volta, Giedo van der Garde e Pastor Maldonado — este, em má fase — se tocaram a Loews e ambos tiveram de ir aos boxes para trocar a asa dianteira. Também na volta 1, na chicane após o Túnel, Sergio Pérez ultrapassou seu companheiro de McLaren, Jenson Button, de maneira controversa, cortando a chicane. A manobra do mexicano foi criticada pelo britânico, que esbravejou.
GP de Mônaco teve uma largada sem incidentes (Foto: Getty Images)

Nas primeiras voltas, era nítido que a Red Bull de Vettel tinha um ritmo melhor que a Mercedes de Hamilton, que segurava o ritmo dos rivais e continha a pressão do tricampeão do mundo. Mesmo assim, Rosberg não conseguia abrir vantagem na liderança, já que o tedesco vinha com um ritmo de corrida bastante inferior, mesmo com pista limpa. A ponto que Van der Garde, lá na rabeira e de Caterham, conseguiu realizar a melhor volta naquele momento — 1min21s201 —, tempo bem melhor que os 1min22s4 que Nico vinha virando.

A corrida vinha num ritmo característico de Mônaco: sem muitas emoções e com poucas ações de ultrapassagem na pista. Massa vinha fazendo o possível lá atrás, mas, depois de ter ultrapassado os caros das equipes nanicas, não conseguia passar Esteban Gutiérrez, da Sauber. A emoção só voltou quando o carro de Charles Pic teve um princípio de incêndio e teve de encostar na entrada do pit-lane. Contudo, houve tempo hábil para remover seu carro, e o acionamento do safety-car não foi necessário.

Rosberg mantinha para Hamilton uma diferença razoável, mas longe de ser confortável. Nico tinha 1s8 em relação a Lewis após 16 voltas, no momento em que a Mercedes começava a se preparar para sua primeira troca de pneus. A vantagem para Vettel, entretanto, aumentava a cada volta e já era de 4s4. Só mesmo uma estratégia diferente por parte da Red Bull ou uma queda brusca poderia ameaçar a liderança da Mercedes. Mas a corrida estava apenas no começo.

Dentre os pilotos das equipes de ponta, Webber, que estava em quarto, foi o primeiro a fazer sua parada para troca de pneus. De supermacios para macios, o australiano voltou em 11º e passou a ter pista livre pela frente. O veterano abriu o segundo stint e logo seria seguido pelos seus oponentes. Enquanto isso, Massa era ultrapassado por Di Resta, que tinha pneus macios mais novos. Foi a senha para o brasileiro, com seus compostos — macios — bem desgastados, fosse para os boxes para trocá-los pelos supermacios.

Mesmo com seus pneus supermacios bem gastos, Rosberg sobrava a ponto de cravar a então melhor volta com 1min19s213. Marca que foi superada em seguida por Webber, com 1min19s160, mas demonstrava o quanto a Mercedes estava forte e tinha totais condições de vencer pela primeira vez na temporada.
Webber conquistou um resultado importante num GP sem brilho para a Red Bull (Foto: Getty Images)

Mas o fim de semana não foi nada bom para Massa. Na volta 30, o brasileiro bateu de maneira idêntica a do último sábado e destruiu sua Ferrari ao se chocar de maneira muito estranha no guard-rail na entrada da Sainte-Dévote e, em seguida, no softwall. O impacto, contudo, foi muito mais forte que a batida de ontem. Massa saiu do carro normalmente, mas sentia dores no pescoço, já dolorido pela pancada de sábado, e no braço direito.

Aí não teve jeito, e a direção de prova acionou o safety-car. Os dois carros da Mercedes foram aos boxes, assim como Vettel. O tricampeão, aliás, se deu melhor com a entrada do carro de segurança, já que ganhou a posição de Lewis e voltou só atrás de Rosberg. Webber também voltou bem e foi outro a superar o britânico da Mercedes. Alonso seguia em sexto. A corrida, que estava modorrenta, ganhou outra dinâmica depois do acidente de Massa e da bandeira amarela.

O safety-car recolheu para os boxes na volta 38, autorizando a bandeira verde em Mônaco. Sem sustos, Rosberg relargou bem e manteve a liderança. Vettel, pelo menos no começo da corrida, não conseguiu acompanhar o ritmo de Nico, que abriu 1s9 para o compatriota. Hamilton, ao contrário, pressionava demais a outra Red Bull, de Webber, enquanto Alonso seguia na cola de Kimi Räikkönen numa luta inglória pelo quinto lugar.

Corajoso, Hamilton chegou a emparelhar com Webber por dentro na La Rascasse, uma das curvas mais lentas da F1. O piloto da Red Bull defendeu bem e manteve a terceira posição, meio que no sufoco. Outro cara dos mais arrojados do grid fez das suas de novo. Pérez fez de Button novamente seu alvo e ultrapassou o companheiro de equipe — e rival — na entrada da chicane, surpreendendo o britânico, assumindo a sétima colocação e ficando logo atrás de Alonso.

Na volta seguinte, ‘Checo’ foi pra cima de Alonso e tentou ultrapassá-lo novamente na chicane. O mexicano emparelhou por dentro e Fernando defendeu sua posição, mas colocou seu carro com as quatro rodas por dentro da zebra, numa manobra polêmica.

Durante a volta 46, Maldonado lutava para ultrapassar Max Chilton na entrada do S da Piscina. O venezuelano, no entanto, foi fechado pelo piloto da Marussia e bateu muito forte no softwall. Por sorte, Pastor saiu andando do carro, mas o impacto foi tão violento que espalhou vários detritos e o softwall pela pista. Assim, não havia a menor condição de tráfego em Mônaco. A direção de prova não teve outra alternativa a não ser a acenar bandeira vermelha e interromper o GP de Mônaco. Chilton foi punido pela FIA com um drive-through, sanção até branda pela gravidade do acidente.

A corrida foi retomada às 11h35, horário de Brasília. Neste tempo antes da relargada, as equipes efetuaram trocas de pneus, o que é liberado pelo regulamento esportivo da F1, permitindo aos pilotos que, em teoria, não fosse realizadas mais paradas. Dentre os primeiros, apenas Räikkönen voltou à corrida com pneus macios. Antes do safety-car deixar os boxes, Alonso teve de entregar sua posição para Pérez pela manobra na chicane.
Depois de brilhar em Barcelona, Alonso fez péssima corrida em Monte Carlo (Foto: Getty Images)
 
Novamente Rosberg largou bem e conseguiu controlar sua vantagem perante Vettel, que não representava propriamente uma vantagem. Mais atrás, Hamilton voltava a endurecer o jogo contra Webber, que tinha de se proteger dos ataques do britânico. 

Räikkönen também era muito pressionado pelo astuto Pérez, que vinha sendo um dos grandes nomes da corrida. Ambos quase se chocaram na chicane e passaram por fora, gerando muitas reclamações do finlandês no rádio: “Este idiota tentou me bater, tentou arruinar minha corrida”, esbravejou.

Sutil, finalmente livre da zica que o abateu nas últimas quatro etapas, fazia uma bela corrida, repetindo o grande desempenho na Austrália. Para a alegria da bela namorada nos boxes da Force India, o alemão ultrapassou Alonso na Loews e assumiu a sétima colocação pouco depois de também ter superado Button, que vivia uma péssima jornada no Principado. A McLaren, esperta com a grande performance de Sutil, avisou Pérez, que vinha logo à frente, para ter cuidado e defender sua sexta posição.

Rosberg caminhava firme para sua primeira vitória no ano, segunda da carreira, de maneira dominante e abria boa vantagem para Vettel. O tricampeão do mundo, aliás, era quem segurava o ritmo dos demais, ao contrário do esperado. A diferença entre Sebastian, segundo, e Pérez, sexto, era de menos de 3s.

Só que outra vez a vantagem de Rosberg foi reduzida a pó. Na volta 63, e pela terceira vez na corrida, o safety-car foi acionado. Grosjean, outro que viveu um péssimo fim de semana, acertou em cheio a traseira do carro de Daniel Ricciardo na saída do túnel e obrigou o australiano a abandonar a prova. Romain seguiu, mas deixou para trás muitos detritos. Aí novamente o carro de segurança foi à pista para que o trecho fosse devidamente limpo. O incidente foi colocado sob investigação por parte dos comissários de prova.

O safety-car voltou aos boxes na abertura da volta 67, e a corrida seguiu seu curso quando faltavam 11 voltas para o fim do GP de Mônaco. As posições seguiam inalteradas, com Rosberg mantendo a liderança com maestria, seguido por Vettel, Webber, Hamilton, Räikkönen, Pérez, Sutil, Alonso, Button e Jean-Éric Vergne em décimo.
Cameron Diaz fez o GP de Mônaco mais bonito (Foto: Getty Images)

Na briga da tequila com a vodka, Pérez forçou uma ultrapassagem para cima de Räikkönen na entrada da chicane e tocou no Lotus do finlandês. O toque acabou furando o pneu traseiro esquerdo de Kimi, obrigando o nórdico a ir para os boxes fazer um pit-stop de emergência. ‘Checo’ assumiu provisoriamente a quinta colocação. De destaque, Pérez virou decepção do GP de Mônaco em segundos.


Com problemas em sua asa dianteira, o mexicano vinha em ritmo bem mais lento e era pressionado por Sutil, sexto, e também por Button, que ultrapassou Alonso, outra decepção nas ruas do Principado. ‘Checo’ não resistiu muito tempo e acabou encostando seu carro numa área de escape ao lado da curva Anthony Noghes. Fim de prova para ‘Checo’. Sutil, por sua vez, assumia um brilhante quinto lugar.

Lá na frente, Rosberg dava sequência ao seu domínio em Mônaco e já abria novamente a vantagem perdida com a intervenção do safety-car. Com 4s de frente para Vettel, Nico tinha a vitória cada vez mais próxima e sob controle. De ponta a ponta, o alemão contrariou as previsões sobre o ritmo de corrida do W04 e colocou a Mercedes de volta ao topo do pódio depois de um ano e um mês. Líder dos quatro treinos livres e pole-position, Rosberg coroou um fim de semana perfeito com a vitória em Mônaco há exatos 30 anos depois de o pai, Keke, alcançar seu triunfo no Principado. Um dia histórico para a Mercedes, que venceu pela primeira vez na história em Monte Carlo. Nem mesmo nos tempos de Fangio a equipe alemã conseguiu tamanha glória no mais tradicional dos GPs da F1.

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F1, GP de Mônaco, Monte Carlo, final:

              P
1 Nico ROSBERG ALE Mercedes 2:17:52.026 78 voltas 1
2 Sebastian VETTEL ALE Red Bull Renault +3.888   1
3 Mark WEBBER AUS Red Bull Renault +6.314   1
4 Lewis HAMILTON ING Mercedes +13.894   1
5 Adrian SUTIL ALE Force India Mercedes +21.477   1
6 Jenson BUTTON ING McLaren Mercedes +23.103   1
7 Fernando ALONSO ESP Ferrari +26.734   1
8 Jean-Éric VERGNE FRA Toro Rosso Ferrari +27.223   1
9 Paul DI RESTA ESC Force India Mercedes +27.608   1
10 Kimi RÄIKKÖNEN FIN Lotus Renault +36.582   2
11 Nico HÜLKENBERG ALE Sauber Ferrari +42.572   1
12 Valtteri BOTTAS FIN Williams Renault +42.691   1
13 Esteban GUTIÉRREZ MEX Sauber Ferrari +43.212   2
14 Max CHILTON ING Marussia Cosworth +49.885   3
15 Giedo VAN DER GARDE HOL Caterham Renault +1:02.590   3
16 Sergio PÉREZ MEX McLaren Mercedes +6 voltas NC 1
  Romain GROSJEAN FRA Lotus Renault +15 voltas   3
  Daniel RICCIARDO AUS Toro Rosso Ferrari +17 voltas   1
  Jules BIANCHI FRA Marussia Cosworth +20 voltas   3
  Pastor MALDONADO VEN Williams Renault +34 voltas   2
  Felipe MASSA BRA Ferrari +50 voltas   1
  Charles PIC FRA Caterham Renault +71 voltas   1
               
  Melhor volta            
  Sebastian VETTEL ALE Red Bull Renault   1:16.577 volta 77  
               
REC Kimi RÄIKKÖNEN FIN McLaren Mercedes MP4-21   1:13.532 27/05/2006  
MV Michael SCHUMACHER ALE Ferrari F2004   1:14.439 23/05/2004  
               
  Condições do tempo                                                SOL   ar: 18-20ºC | pista: 38-44ºC
  Pneu macio                            Pneu supermacio        

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