Ainda sem saber se fica após 2013, Pirelli afirma que “guerra dos pneus” não é boa para F1

Fornecedora única de pneus da F1 até o final da próxima temporada, a Pirelli já rechaça ter concorrência na categoria. Paul Hembery, diretor da empresa, afirma que isso afetaria o público e relembra o que aconteceu no GP dos Estados Unidos de 2005

Com vínculo até o final de 2013, a Pirelli chegou à F1 como fornecedora única de pneus na última temporada para substituir a Bridgestone na categoria. Com junho de 2013 como data para saber se fica ou não, a empresa, na figura do diretor-esportivo Paul Hembery, admite que não gostaria de concorrência para fornecer os compostos.

"Nós trabalhamos para o esporte e o esporte tem que decidir o que quer. Se ele quer uma guerra de pneus e a procissão das corridas novamente, como fez no início dos anos 2000, quando o público desapareceu, essa é uma abordagem. Não cabe a nós decidir", disse Hembery. "Vamos esperar e ver se as regras mudam. Se eles mudarem, então vamos considerar isso. No momento, as equipes não estão, certamente, interessadas em uma guerra de pneus”, explicou.

A última vez que a F1 teve mais de um fornecedor de pneus foi entre 2001 e 2006, quando Michelin e Bridgestone disputavam a preferência das equipes. Hembery acredita que o público não deseja ver isso novamente e que a entrada de um possível concorrente acarretaria no aumento dos custos, algo impensado nos atuais padrões da F1.

Hembery não quer uma nova guerra de pneus na F1 (Foto: Pirelli)

"Nós teríamos que ver primeiro as regras. O que realmente significaria ter uma guerra de pneus? Se isso significa gastar € 100 milhões [mais de R$ 250 milhões] para ir mais rápido 0s5 e você não pode sequer provar que você tem o melhor pneu? É inútil", afirmou.

"Vimos isso no passado. Você só vai ter uma reputação na F1 como um fabricante de pneus se você fizer como em Indianápolis e parar uma corrida. Em última análise, ninguém sabe o real desempenho dos pneus quando há uma guerra de pneus”, contou o dirigente, relembrando o que aconteceu no GP dos EUA de 2005, quando apenas os seis carros que estavam com os pneus Bridgestone disputaram a prova por conta de problemas enfrentados pela Michelin naquele final de semana.

“Ninguém sabia, porque todo o dinheiro estava sendo gasto na tentativa de encontrar o desempenho que o público não conseguia ver. E se o público não podia ver, nós não entendemos [o motivo de gastar tanto]”, completou.

Hembery conta que nenhuma das equipes consultadas deseja uma segunda fabricante na F1 e que, caso isso aconteça, não seria bom para o esporte. "Todas as equipes que conversei não quererem uma guerra de pneus. Eles veem isso como dinheiro desperdiçado em uma área que não podem controlar e que tem valor limitado para o público”, disse.

"Como vimos em Indianápolis, esse é o efeito final de uma guerra entre as fornecedoras. Eu não acho que isso seja bom para os fabricantes de pneus e, certamente, não é bom para o esporte”, finalizou.

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