F1

Aliviado após susto, Alonso descreve grave acidente na Austrália e diz que se sentiu “como numa lavadora gigante”

Dois dias após o susto no GP da Austrália, Fernando Alonso avisa que vai estar ao volante do seu McLaren no Bahrein, na próxima semana. O bicampeão disse que esteve consciente durante todo o momento do acidente, garantiu estar “inteiro e quase recuperado” depois do susto e se divertiu ao lembrar da reação de seus pais depois de uma vídeo-chamada após a batida

Warm Up / Redação GP, de Sumaré



Neste segundo dia após ‘nascer de novo’, Fernando Alonso sabe que ainda vai guardar por muito tempo as lembranças do último 20 de março, quando sofreu o gravíssimo acidente no GP da Austrália, após se chocar com o carro de Esteban Gutiérrez a mais de 300 km/h, capotar e bater no muro. Por grande sorte, Alonso desceu do carro sem auxílio e, sem maiores dores ou complicações após tamanho impacto, garante que vai estar bem para voltar a acelerar seu McLaren MP4-31 na semana que vem no Bahrein, palco da segunda etapa da temporada 2016 da F1.
 
“Sim, estou inteiro e quase recuperado. Sinto um pouco de dor quando me encolhi no carro durante as capotagens. Não dói nada, tenho o corpo como se estivesse entrado numa lavadora gigante e me fizesse dar voltas e voltas, mas não tenho nenhuma marca e nem nada inchado ou nenhum grande hematoma. Dentro de dois ou três dias vou estar numa bicicleta ou fazendo alguma outra atividade”, declarou o bicampeão do mundo durante entrevista concedida à rádio espanhola ‘Cope’.
Fernando Alonso logo após acidente em Melbourne. O piloto ficou sem saber onde estava (Foto: Getty Images)
Alonso não se furtou a descrever os momentos de drama que viveu em Melbourne naquela volta 19. “Estive consciente o tempo todo. Quando toquei no carro de Esteban, já vi que havia uma roda solta pelos ares e que estava sem controle. Acerto contra o muro da esquerda, vejo o muro de  trás, vejo que está longe, mas que estou chegando com muita velocidade porque o impacto com Esteban foi de mais ou menos 312 km/h e digo: ‘Vai ser uma bela pancada e vou ver se não vou me machucar’.”
 
“É a primeira coisa que penso quando bati contra o muro, e logo o carro capota porque ele fica na brita. Vejo o céu, a brita, logo vejo o céu de novo porque você está capotando e batendo contra tudo o que tem no carro, o habitáculo. E apenas quando o carro para e você sequer sabe bem onde está no circuito, vi um espaço para sair porque estava de cabeça para baixo e disse: ‘Vou sair agora’. Então você não sabe muito bem onde está e nem se o carro estava parado. Ali, saí rápido”, continuou.
 
“Quando vi que o carro estava parando, tentei sair, e vi que havia óleo e gasolina porque os tubos haviam se rompido, havia muito líquido e me disse para sair logo dali. Você não sabe se o carro vai continuar rodando e se havia algum tipo de incêndio, por isso saí o quanto antes. Vi que estava tudo bem, que não tinha acontecido nada, só um pouco dolorido. Fiquei agradecido porque não aconteceu nada e que Esteban estava bem. Ele ficou com a melhor parte, mas é sempre importante saber que os dois pilotos estão bem”, acrescentou, Fernando, aliviado.
Esteban Gutiérrez ampara Fernando Alonso logo depois do acidente entre ambos em Melbourne (Foto: Getty Images)
Pouco depois, Alonso se preocupou em ligar para sua casa para tranquilizar sua família. Fernando se divertiu ao contar a reação curiosa dos seus pais com sua ligação do outro lado do mundo. 
 
“Não foi muito normal [risos]. Vou te contar, mas não foi muito normal. Quando passei pela checagem médica, cheguei ao paddock outra vez, cheguei à base da McLaren e antes de tirar o macacão, disse: ‘Deixe-me ligar para meus pais que eles estão bem preocupados’. Ligo para minha mãe com a câmera, fazendo uma vídeo-chamada, e vejo meu pai tranquilo no sofá da sala, com um cobertor, tomando um café e te digo. ‘Como estão? Preocupados?’”, lembrou.
 
“E ela me disse: ‘Sim, sim, mas não aconteceu nada... como já te vimos caminhando e saindo do carro... estamos vendo aqui a corrida’. Estavam super tranquilos e parecia que eles ficaram bravos porque eu os interrompi quando eles estavam vendo a corrida. Era cedo, acho que eles ainda estavam dormindo, e supondo que estava falando com meu pessoal no circuito, e ao me verem sair do carro, acho que eles ficaram bem tranquilos”, concluiu o piloto de 34 anos.
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