F1
21/06/2018 12:30

Alonso define Le Mans como imprevisível e mostra insatisfação com F1: “Sabemos que vamos lutar pelo sétimo lugar”

Fernando Alonso chega a Paul Ricard laureado pela vitória previsível nas 24 Horas de Le Mans no último domingo. O bicampeão mundial de F1, contudo, entende que a pecha de categoria previsível cabe à F1 e lembrou que a McLaren, em condições normais, no máximo pode almejar o sétimo lugar, sendo a ‘melhor do resto’. Sobre o futuro, Alonso preferiu despistar, mas não descartou nada. Nem mesmo a Indy
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Fernando Alonso (Foto: McLaren)

A FIA (Federação Internacional de Automobilismo) escalou os três franceses do grid de F1 para compor a mesa da entrevista coletiva oficial do GP da França, nesta quinta-feira (21), em Paul Ricard. Mas quem roubou a cena mesmo foi o quarto convidado da conferência, Fernando Alonso. Por conta da sua vitória nas 24h de Le Mans ao lado de Kazuki Nakajima e Sébastien Buemi e do seu futuro indefinido na F1, o espanhol foi, naturalmente, o que mais respondeu perguntas nesta tarde em Le Castellet.
 
E Alonso falou de tudo: desde sua passagem vitoriosa em La Sarthe pela Toyota até a forma como enxerga a F1 depois de ter vivido a experiência de correr na mais importante corrida de resistência do automobilismo. Na visão de Alonso, Le Mans é imprevisível, diferente do que está acostumado no mundo da F1.
 
“Le Mans é imprevisível e na F1 sentimos falta disso. Sabemos que vamos lutar pelo sétimo lugar, esse é o maior problema. Sabemos como funciona a F1, você sabe seus objetivos e a posição máxima que pode almejar”, falou Alonso, citando o fato de que a McLaren, atualmente, só pode lutar para ser a ‘melhor do resto’ no grid. No máximo.
Alonso, Nakajima e Buemi finalmente triunfaram em Le Mans. O espanhol diz que realizou um sonho (Foto: Toyota)
“Você tenta se aproximar deste objetivo durante o fim de semana, a cada semana, e melhorar mais que teus oponentes. Somos otimistas com as melhorias, mas logo você vê que todo mundo também melhora e continua igual”, explicou o bicampeão, que espera voltar a somar pontos no campeonato depois de duas provas complicadas em Mônaco e no Canadá.
 
“Antes dos problemas de motor, estávamos nos pontos, e queremos voltar a estar nesta zona de pontuação”, disse. Alonso ocupa o sétimo lugar no Mundial de Pilotos e soma 32 pontos. No ano passado, foram apenas 17 tentos.
 
Neste fim de semana, Alonso vai dar sequência a uma maratona de corridas, e assim deve seguir no GP da Áustria, na semana que vem, e no GP da Inglaterra, dentro de 15 dias. Mas nada disso preocupa Alonso, que ainda está curtindo a vitória na icônica Le Mans.
 
“Foi um sonho realizado estar lá, foi muito bom estar numa equipe muito competitiva como a Toyota, que dominou desde os treinos livres com os dois carros no topo. Me sinto muito bem e, de volta à F1, temos três corridas seguidas, e vamos estar bastante atarefados”, comentou.
 
Sobre o futuro, Alonso prefere não traçar planos. Ao menos por enquanto, o discurso é de cautela e espera. Mas o piloto deixou claro que não descarta nada depois de ter vencido a segunda coroa da carreira.
 
“Ainda não penso muito na Indy. Estive lá no ano passado e foi um objetivo muito grande. A vitória em Le Mans me aproxima deste objetivo, mas tenho de pensar. Vamos esperar alguns meses e ver como vai ser o comprometimento de várias partes com a F1, quais pilotos vão estar em quais lugares, que volantes vão estar disponíveis nessas equipes de ponta. E ver quais projetos há na F1 ou na Indy para a Tríplice Coroa, o que me parecer mais atraente. Mas, no momento, estou saboreando Le Mans e curtindo cada minuto”, explicou.
Fernando Alonso foi questionado sobre seu futuro nas pistas. E não descartou nada por enquanto (Foto: AFP)
A movimentação nas últimas semanas é tanta que Alonso sequer teve a chance de conhecer o circuito onde vai acelerar neste fim de semana. Mas o piloto não se importa muito com isso e torce, apenas, que o GP da França seja agradável para os fãs e também para si próprio neste retorno da F1 a Paul Ricard após quase 30 anos.
 
“Nem sequer testei esse circuito no simulador. Vou ver amanhã. Estive aqui acho que em 2003, na apresentação do R23, mas usamos uma versão curta do circuito para um shakedown e para fazer algumas fotos, então não me lembro de nada”, declarou Alonso.
 
“O bom é que o GP da França está de volta ao calendário, e isso se percebe nos fãs, há muita expectativa, e a corrida por si só é a notícia positiva do fim de semana. É preciso esperar até domingo para ver se o espetáculo vai ser bom. É uma corrida histórica que volta ao calendário”, concluiu.
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