F1

Alonso reforça busca por novos desafios como motivo de saída da F1: “Não é porque não estou vencendo”

Fernando Alonso está de saída da F1 e o espanhol aproveitou para falar mais um pouco sobre o caso. Em recente entrevista, descartou que o motivo de deixar a categoria é a falta de resultados, mas sim porque está em busca de desafios maiores que não encontra mais na F1 moderna
Warm Up / Redação GP, de São Paulo
 Fernando Alonso (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
Fernando Alonso está cada vez mais próximo de sua despedida da F1. O GP de Abu Dhabi marca a última etapa do espanhol como piloto da categoria e apesar do clima de despedida, o piloto descartou qualquer possibilidade de estar saindo por conta de seus resultados, ou falta deles.
 
Após 17 temporadas na categoria mundial, o bicampeão fez, em agosto, o surpreendente anúncio de que este era seu último ano. Os números que deixa para trás são impressionantes, afinal, são dois títulos, 32 vitórias, 97 pódios e 22 pole-positions.
 
Entretanto, desde que voltou para a McLaren em 2015, tem sofrido com a falta de competitividade do carro e com maus resultados – a última vez que subiu ao pódio foi no GP da Hungria de 2014. Mas o espanhol deixou claro que não foi esse o motivo que o fez tomar a decisão.
 
“Esse é um erro que muitas pessoas estão assumindo com a decisão. Expliquei de forma clara em minha declaração: estou saindo da F1, pois há outros grandes desafios maiores fora daqui do que os que vejo aqui”, falou em entrevista a ‘ESPN’.
Fernando Alonso (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
“Não é porque não estou mais vencendo, eu poderia assinar com uma equipe competitiva no próximo ano, não as duas top, mas também a terceira. Mas eu disse não, pois cheguei à F1 17 anos atrás e venci dois campeonatos. Venci mais corridas do que poderia sonhar quando cheguei aqui e essa parte da minha carreira está feita, e foi um sucesso. Eu preenchi esse box. Preciso ir para o próximo item e tentar preenchê-lo. Essa é a única razão”, continuou.
 
“Caso tivesse feito apenas cinco ou seis temporadas na F1 e ainda tivesse muita energia, eu teria ficado independente dos resultados, melhores ou piores, mas após 17 anos eu após conquistar tudo o que conquistei, acredito que é o melhor momento”, comentou.
 
Alonso aproveitou também para fazer uma breve comparação de como a F1 mudou desde que chegou na categoria, no início dos anos 2000. O piloto reforçou como a F1 moderna se tornou previsível “As mudanças de regra seguiram uma direção errada, pois agora as equipes tem pouco espaço para usarem a criatividade em estratégias ou qualquer coisa assim. Há combustível fixo para todos, os mesmos pneus, mesma distribuição de peso, mesma pressão nos pneus”, disse.
 
“Isso ajudou as pessoas menos talentosas. Eles treinam muito no simulador, chegam em um novo circuito sabendo exatamente onde são as lombadas, onde estão as zebras que pode pegar, quais são os pontos mais difíceis e na corrida, normalmente só há uma maneira de se chegar ao fim”, explicou.
 
“É tudo sobre como poupar energia, os pneus, qualquer coisa que os engenheiros te dizem para fazer, você apenas segue a instrução. Você tem pouca abertura para usar o instinto em diferentes partes da corrida. Acredito que quando não tínhamos toda essa informação era mais você e o carro no domingo”, emendou.
 
Por fim, pensando em todas as mudanças que a categoria vai sofrer em 2021, minimizou qualquer possível retorno até lá, mas reconheceu que nunca se pode dizer nunca. “Acredito que em 2021 vai ser um pouco tarde demais. Eu não sei com certeza, pois é difícil saber como você vai se sentir daqui duas semanas, então não sei daqui dois anos, mas ter a energia de começar do zero e colocar total dedicação e comprometimento em algo quando se tem 39 ou 40 anos, vai ser mais difícil do que agora. Não estou planejando isso”, encerrou.