Alonso vê Hamilton com poucas chances e aponta Vettel como maior rival na luta pelo tri

Em entrevista coletiva concedida em Yeongam nesta quinta-feira (11), Fernando Alonso se mostrou mais calmo após o revés em Suzuka, evitou polemizar sobre o incidente com Kimi Räikkönen no Japão e até citou Lance Armstrong como exemplo de superação

Líder do Mundial de Pilotos desde a vitória épica no GP da Europa, nas ruas de Valência, Fernando Alonso nunca teve seu posto tão ameaçado quanto agora, justamente na fase em que o campeonato se aproxima da definição. Considerando as últimas quatro corridas da temporada (Bélgica, Itália, Cingapura e Japão), o espanhol somou apenas 30 pontos, menos que Sebastian Vettel, Lewis Hamilton e até mesmo Felipe Massa. Alonso, que chegou a ter 40 pontos de vantagem na ponta — em relação ao então vice, Mark Webber, após o GP da Hungria —, hoje está apenas quatro à frente de Vettel.

Desta forma, é natural que Fernando considere o mais jovem bicampeão mundial como seu grande adversário na luta pelo tricampeonato. A ascensão de Vettel é nítida. Enquanto Alonso somou apenas 30 pontos nas últimas quatro corridas, Sebastian acumulou nada menos que 68. Por outro lado, o piloto da Ferrari entende que Lewis Hamilton, sempre apontado pelo espanhol como seu grande rival na luta pelo título, parece não ter fôlego suficiente para brigar com Vettel e o próprio Alonso. Em quarto no Mundial de Pilotos, Hamilton soma 152 pontos, 42 a menos que o líder da temporada.

Em entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (11) em Yeongam, palco do GP da Coreia do Sul, 16ª etapa da temporada, Fernando considerou Vettel como seu grande rival, embora ainda não tenha descartado totalmente Hamilton da briga pela taça. “Acho que está mais difícil para Lewis porque agora não é de apenas um piloto que você precisa tirar a vantagem nos pontos. Nós [Alonso e Vettel] somos dois com mais ou menos o mesmo [número de chances], e Hamilton está atrás, então as chances são um pouco menores.”

Alonso entende que Vettel será seu grande rival na luta pelo tricampeonato (Foto: Shell/Getty Images)

“Ele ainda tem chance. Se nós olharmos a forma da McLaren e de Lewis antes do Japão, ainda há muito tempo e muitos pontos em jogo”, disse Alonso, que considera os carros da McLaren e Red Bull um nível acima em relação à Ferrari F2012 nesta fase decisiva da temporada.

Ciente da inferioridade da equipe de Maranello, Fernando evitou falar em vitória. A sua preocupação está em somar pontos para se segurar na liderança do Mundial. “Precisamos somar bons pontos neste fim de semana, porque estamos todos na mesma situação. Acredito que estamos lutando desde o primeiro teste da pré-temporada. Assim, nada mudou para essas últimas corridas. Temos de seguir fazendo as coisas que temos feito até agora.”

Bem mais tranquilo depois do revés em Suzuka, quando deixou a corrida na primeira curva após se envolver em um incidente com Kimi Räikkönen, Alonso destacou o bom trabalho feito pela Ferrari que o credenciou como um dos favoritos ao título, ainda que Vettel esteja em ascensão e figure como a maior ameaça ao tri de Fernando.

“Acredito que tem sido um campeonato muito bom para nós até agora. Temos ido muito bem nas estratégias, nos pit-stops, na forma de focar as corridas. Por tudo o que tínhamos em mãos, conseguimos muitos pontos. Zeramos em Spa e em Suzuka por coisas alheias a nós. Mas, a parte disto, não precisamos mudar nada”, comentou.

“Não levamos muitas atualizações, já que só passaram quatro dias entre Suzuka e aqui. Vamos tirar o melhor possível do carro para esta pista, mas sigo otimista de que seremos competitivos. Fomos mais ou menos competitivos em, digamos, nas últimas oito ou dez corridas. Talvez não fomos os mais rápidos, mas sempre estivemos em posição de lutar por pódios, e acredito que aqui não será diferente”, acrescentou o bicampeão do mundo.

Questionado sobre o incidente com Kimi em Suzuka, Räikkönen, diferente do que aconteceu momentos após a corrida, evitou polemizar e classificou a situação como normal de corrida.

“A largada em Suzuka foi muito apertada entre todos nós, é o problema de estar no meio do pelotão. Tive Button à direita e Kimi à esquerda, e eles não podem desaparecer nesses momentos. Não tive sorte, a asa dianteira de Kimi tocou na minha roda traseira, furou o pneu e não pude controlar o carro na curva. Foi um conjunto de coisas que não estavam no nosso controle”, lembrou Fernando, tentando minimizar o fato e olhar adiante, para as próximas cinco corridas do Mundial.

Alonso, aliás, garantiu que vai tentar seguir com sua postura agressiva na reta final da temporada, mas sinalizou que nem sempre será possível lutar pela vitória. “Creio que fomos agressivos em todas as corridas. Em todas nós lutamos ao máximo e buscamos tudo para conseguir o maior número de pontos possível. Vez ou outra estivemos nos pódios, outras vezes fomos quartos, outras, quintos. Não podemos forçar além da conta, nem fazer mais do que nós temos à disposição.”

Por fim, o piloto da Ferrari falou sobre um dos seus ídolos no esporte, Lance Armstrong. O ciclista norte-americano, sete vezes vencedor da Volta da França, deverá ser banido do esporte, acusado de doping. Alonso lamentou a situação e disse que, independente do que venha acontecer, terá em Lance uma das suas inspirações como exemplo de superação. O ciclista superou um câncer nos testículos para virar lenda do esporte.

“Eu amo o ciclismo, e Armstrong era mais que os outros, é um ídolo para milhões de pessoas e uma inspiração para muitos de nós. Não é fácil. Ele seguirá como uma inspiração para muita gente, aconteça o que acontecer, independentemente das decisões”, finalizou o bicampeão mundial de F1.

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