AlphaTauri questiona eficácia de novas regras em curvas rápidas: “Há sempre ar sujo”

Chefe da AlphaTauri, Franz Tost abordou parceria com marca de roupas e admitiu que ainda possui dúvidas sobre o funcionamento do novo regulamento técnico da Fórmula 1, que entra em vigor em 2022

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A AlphaTauri liderou as novidades na manhã desta segunda-feira (14) na Fórmula 1, ao enfim divulgar o AT03, carro que será utilizado pela equipe na disputa da temporada 2022. E entre os assuntos abordados no evento de lançamento, que contou com as presenças dos pilotos titulares, Pierre Gasly e Yuki Tsunoda, e do chefe da equipe, Franz Tost, o dirigente falou um pouco sobre a parceria entre o time de F1 e a marca de roupas da Red Bull — que dá nome à escuderia.

O ano de 2022 representará o terceiro em que a equipe atua sob o nome de AlphaTauri, linha de roupas produzidas pela marca associada à Red Bull e que substituiu a alcunha de Toro Rosso, utilizada até 2019. Tost tentou traçar um paralelo entre a indústria da moda e a Fórmula 1, com o argumento de que em ambas, a luta pela tecnologia mais recente é de suma importância na competitividade.

“Entramos agora em nosso terceiro ano como Scuderia AlphaTauri e continuamos a ter um excelente relacionamento com a AlphaTauri [marca de roupas], com quem trabalhamos de perto”, ressaltou. “Existem muitos paralelos entre moda e Fórmula 1, especialmente em pesquisa e desenvolvimento, e como trazer novas tecnologias. A AlphaTauri está trabalhando para encontrar novos materiais para poder inovar no setor da moda e é o mesmo na F1”, pontuou.

O AT03 da AlphaTauri (Foto: Reprodução)

“Ambas as empresas estão se esforçando muito para sempre trazer as tecnologias mais recentes para o mercado e fornecer os melhores materiais possíveis”, continuou Tost. “Claro, também existem algumas vantagens de trabalhar em estreita colaboração com uma marca de moda, os membros da nossa equipe estão perfeitamente vestidos o tempo todo, dentro e fora da pista”, brincou.

A Fórmula 1 vai passar por uma verdadeira revolução em 2022 com o novo regulamento técnico, que prevê mudanças na aerodinâmica dos carros para que os pilotos consigam se aproximar de forma mais fácil do competidor que segue à frente, além de ter uma possibilidade maior de perseguir o rival mais de perto — sem a temida turbulência reclamada pelos pilotos até o ano passado.

Tost admitiu que ainda não sabe como o carro da AlphaTauri vai se comportar na pista, já que os trabalhos têm sido feitos apenas no simulador, mas não descarta completamente a possibilidade de que uma das equipes saia à frente das outras.

Identidade visual da AlphaTauri foi parecida com a da Red Bull até 2019, ainda sob alcunha de Toro Rosso (Foto: Red Bull Content Pool)

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“É difícil responder agora, porque o regulamento técnico completamente novo significa que todas as equipes tiveram que projetar esta nova geração de carros do zero, a partir de um pedaço de papel em branco”, comentou. “Embora tudo esteja bastante restrito pelos regulamentos, é possível que uma equipe tenha encontrado uma solução muito especial e, portanto, tenha uma vantagem de desempenho”, reconheceu.

“Não é fácil estimar onde as equipes estarão porque tudo é novo, do lado mecânico ao aerodinâmico, mas pessoalmente espero que os carros estejam mais próximos”, torceu. “Realisticamente, só teremos uma ideia do desempenho da AlphaTauri após os primeiros testes, e teremos que esperar até depois das primeiras duas ou três corridas para ter uma imagem melhor”, destacou.

Em pergunta que se tornou comum antes dos testes de pré-temporada para 2022 — quando efetivamente todos poderão ver os carros da F1 na pista —, Tost foi questionado se acredita que o novo regulamento cumprirá seu propósito: fazer os carros se seguirem mais de perto.

PIERRE GASLY; YUKI TSUNODA; FÓRMULA 1; ALPHATAURI;
Dupla entre Pierre Gasly e Yuki Tsunoda está confirmada na AlphaTauri para 2022 (Foto: Peter Fox/Getty Images/Red Bull Content Pool)

“Acho que nas curvas de baixa e média velocidade, os carros estarão mais próximos”, reconheceu. “Tenho algumas dúvidas para as de alta velocidade, porque com estes carros largos e os pneus grandes, há sempre um pouco de ar sujo atrás deles. Portanto, não tenho certeza de que será tão fácil de seguir. Vamos esperar e ver depois do primeiro teste”, apontou.

Por fim, tanto Red Bull quanto AlphaTauri vão lidar em 2022 com a saída da Honda da Fórmula 1, em ação anunciada desde o ano passado. A montadora japonesa ainda auxilia as equipes em relação à nova unidade de potência, mas não possui mais atribuições de fornecimento e se prepara para passar a tecnologia para a Red Bull Powertrains — divisão do time austríaco que ficará responsável pela produção a partir do ano que vem.

No entanto, Tost não espera uma grande diferença de um ano para o outro, já que as especificações do motor continuam as mesmas. A grande novidade será o novo combustível da F1, que causou algumas mudanças no percurso — algo que já havia sido adiantado pelo consultor-esportivo da Red Bull, Helmut Marko.

“Não espero grandes mudanças. Espero que o desempenho seja tão bom quanto no ano passado, pois a Honda fez um trabalho fantástico lá”, ressaltou. “A maior mudança é o combustível utilizado pela Unidade de Potência, que a partir deste ano vê a razão de biocomponentes aumentar para 10%. Isso exigiu algum tempo de investigação e algumas modificações na unidade de potência, e espero que o nível de desempenho seja o mesmo, para ter um motor tão poderoso quanto tivemos no ano passado da Honda”, encerrou.

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