F1

Análise: como Vettel superou Massa para conquistar pódio no GP da Austrália

Felipe Massa andou à frente de Sebastian Vettel até parar nos boxes na 21ª volta do GP da Austrália. Na volta à pista, viu-se preso atrás de Daniel Ricciardo e perdeu um tempo precioso na disputa com o novo piloto da Ferrari. Mas o bom ritmo do alemão também merece destaque

Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
Parecia claro desde o princípio que a luta pelo degrau mais baixo do pódio seria determinada pelas estratégias da Williams e da Ferrari no GP da Austrália. E de fato foi, com os italianos levando a melhor e colocando Sebastian Vettel à frente de Felipe Massa após a rodada de pit-stops ainda na primeira metade da corrida deste domingo (15).
 
Dois fatores foram fundamentais para o êxito de Vettel e do time italiano: o tempo que Massa perdeu no tráfego na volta à pista e a sequência de voltas rápidas do alemão antes de entrar para fazer a troca de pneus.
 
Terceiro no grid, Massa manteve a posição na largada e na relargada e imprimiu um bom ritmo no primeiro terço da prova. Foi mantendo a distância entre 1s e 2s, permitindo poucas vezes que Vettel ficasse a menos de 1s para poder usar o DRS.
 
Neste período, os tempos de volta dos dois pilotos vinham sendo bastante parelhos. Entre o 16º e o 20º giro, por exemplo, Vettel foi mais rápido em três e Massa nos outros dois, mas em nenhum deles a diferença chegou a ser de mais de 0s1.
Vettel foi quem se juntou à dupla da Mercedes no pódio do GP da Austrália (Foto: Getty Images)
Na 20ª passagem, uma mensagem de rádio mostrada na transmissão da TV revelou um diálogo entre Massa e seu engenheiro. O piloto relatou que começava a sentir degradação no pneu dianteiro esquerdo — nada grave, contudo. Logo a seguir, foi chamado aos boxes para trocar os compostos macios pelos médios naquele que seria seu único pit-stop da prova, na volta 21. A esta altura, a vantagem era de 1s6. Vettel parou só na 24.
 
“Tomamos a decisão de parar mais cedo porque Vettel estava um pouco mais rápido atrás de nós, mas, infelizmente, não deu certo”, disse o engenheiro-chefe da Williams, Rob Smedley.
 
O raciocínio não é equivocado. O normal é que o piloto que entre nos boxes antes consiga retornar andando mais rápido que o adversário direto e assim ganhe tempo. Mas não foi o que aconteceu com Massa. A volta da parada do #19 ficou na casa de 1min51s561. A de Vettel, em 1min51s263. A volta de saída do brasileiro foi em 1min38s947; a do alemão, 1min38s543. Nisso, foram-se 0s8.
 
Mas o grande problema para a Williams foi a 23ª volta, que deveria ser a melhor dos médios recém-montados no carro #19. Foi quando Massa alcançou o ex-companheiro de Vettel, Daniel Ricciardo, e ficou preso. Ricciardo vinha andando 1s mais lento que Massa e Vettel, na casa de 1min34s. Massa virou 1min34s555. Nisso, sumiu 1s9.
 
“A única parte decepcionante da corrida foi que o Vettel me pulou no primeiro pit-stop depois de perder um segundo e meio atrás do Ricciardo, o que foi o suficiente para perder a posição”, lamentou Massa.
 
Entretanto, se o momento inoportuno do pit-stop de Massa permitiu que Vettel passasse à frente, o trabalho do tetracampeão ao volante também teve grande importância para que a “ultrapassagem” fosse consumada.
 
Depois que Massa entrou nos boxes, Vettel emendou três voltas consecutivas na casa de 1min32s — uma tática que, nos anos 2000, era dominada por outro alemão da Ferrari… Ou seja, enquanto o brasileiro perdia a chance de ser rápido nas melhores voltas dos seus novos pneus, Vettel apertava o pé direito e ganhava tempo. Isso deu a ele alguns metros a mais de vantagem e impediu que o rival tivesse a chance de tentar um bote na saída dos boxes.
 
“Eu não consegui passar o Felipe de cara, e então tivemos uma grande estratégia e pudemos poupar um pouco os pneus para usar uma estratégia ‘ao contrário’ para ultrapassar alguém no pit-stop, e funcionou bem”, destacou o ferrarista.
 
As imagens do domingo do GP da Austrália

No trecho final da prova, com pneus médios, a Ferrari estabeleceu um ritmo bem mais forte e viu Vettel abrir mais de quatro segundos de vantagem e cruzar a linha de chegada 3s6 antes de Massa. “É verdade que a Ferrari teve uma pequena vantagem”, reconheceu o vice-campeão de 2008.
 
Foi assim que o time italiano venceu a primeira batalha daquela que pode vir a ser a disputa pelo vice-campeonato do Mundial de Construtores — a Red Bull começa o ano bem atrás em meio aos problemas do motor Renault.
 
Já na abertura da temporada, ficou provado o que Massa vinha dizendo na pré-temporada: o trabalho precisa ser perfeito para que a Williams possa conquistar mais do que em 2014. Nos detalhes, a Ferrari faturou o primeiro embate.
 
Mas também não tem nada perdido para os ingleses. Embora tenha corrido em Melbourne somente com um carro, devido à lesão de Valtteri Bottas, o prejuízo foi minimizado graças a um erro da Ferrari: uma roda ficou solta no segundo pit-stop de Kimi Räikkönen e fez o finlandês abandonar. Deslize por deslize, a Ferrari deixa Melbourne com apenas três pontos a mais no bolso — e, claro, um troféu.