F1

Análise: Mercedes precisa analisar rapidamente se vale a pena ter Rosberg

Nico Rosberg perdeu o resto de respeito que tinha com as queixas sem sentido de que seu companheiro andou propositalmente lento à sua frente para prejudicá-lo em Xangai. Com o psicológico abalado e sem poder nenhum de reação, vai continuar sendo presa fácil de Lewis Hamilton. Se é isso que a Mercedes quer, OK; do contrário, que já esteja analisando a saída do alemão da equipe
Warm Up / VICTOR MARTINS, de São Paulo
 Nico Rosberg aproveitou a quinta-feira para dar uma voltinha de bicicleta pela pista do Bahrein (Foto: AP)
A coletiva de imprensa do GP da China foi muito mais interessante que a corrida. Nico Rosberg saiu atirando para cima de Lewis Hamilton e acusou o companheiro de ter andado deliberadamente mais lento na sua frente, algo que lhe fazia destruir os pneus com mais rapidez e o deixava vulnerável a Sebastian Vettel, terceiro.

Lewis fez uma cara de quem não estava sacando que diabos o outro tava falando e respondeu, de início, o óbvio: “Ué, se você estava mais rápido, que passasse”; “Uai, eu tenho de me preocupar com a minha corrida, que você se vire com a sua”. E Rosberg, imponente e lívido, seguiu em sua queixa e prometeu falar muito mais na reunião que já deve ter acontecido em Xangai.

A reunião aconteceu, de fato, e Toto Wolff falou que teve de colocar panos quentes para acalmar os ânimos. Um estava irado com a atiude descabida e o outro, com o ataque destemperado e inexplicável. As emoções foram fortes. Tudo parecia OK. Mas horas depois, Rosberg deu mais uma demonstração de um pouco de sua insanidade ao gravar um vídeo no aeroporto de Xangai respondendo a uma pergunta de um Hamilton fake de Twitter. Chorão, não, bradava, quase chorando.


Nestes últimos dias, Rosberg veio tentando amenizar a situação. Falou em respeito, falou que era irrevalante o jeito que Hamilton conduzia o carro, falou também que o caso não era para tudo isso, falou que não ia mais falar no assunto. Daí foi e falou mais. E repetiu tudo que disse no domingo, que a lentidão deliberada era um fato. Hamilton, um tanto enfadado, rebateu com luva de pelica e que daria sua resposta na pista, como faz contra Rosberg desde os oito anos.
 
Naquele domingo, 12 de abril, Rosberg entregou o título a Hamilton, assumiu sua condição de Mark Webber em seus tempos de Red Bull com Vettel e perdeu o pouco do respeito que lhe sobrava. O restante da semana só reforçou a sensação.
 
Nas três primeiras provas do ano, Rosberg não conseguiu andar no ritmo de Hamilton em nenhum momento. Na China, quando esteve mais perto, não esteve nunca em condições de atacar o companheiro, aquele que estava mais lento. Na Malásia, prostrou-se na terceira colocação como se não houvesse amanhã. Nas classificações e treinos livres, nada. Se Rosberg queria mesmo uma revanche e vendetta pela derrota no ano passado, se estudou o parceiro e reaprendeu até a respirar, seu serviço foi muito mal feito e sua preparação, ineficiente e pobre.
Lewis Hamilton mantém a ponta na largada do GP da China em Xangai (Foto: AP)

Nico é um arremedo de segundo piloto tal qual Webber: depois do primeiro ano em que fez frente na briga pelo título, em 2010, passou a ser um passivo reclamão sem apresentar resultados. Até agora, Rosberg é o parceiro; daqui para frente, há de ser a equipe. Só que Lauda e Wolff não têm nenhum jeito de apresentar a mesma paciência de Christian Horner, que tiveram de esperar Webber se aposentar para se livrarem dele.
 
Assim, este Rosberg sem respeito, chorão e causador de problemas já não tem a utilidade esperada por seus patrões. E já que é assim, com só três provas no ano e um título que recai facilmente no colo de Hamilton, que a Mercedes ouse, que aproveite o momento para olhar para si e para os recursos humanos – pilotos – de que tem à disposição.

E não precisa olhar tão atentamente: tem ali um Pascal Wehrlein que já foi cotado para ser titular da Williams na ausência de Bottas, que guiou carro da Force India nos testes da pré-temporada, que tem vontade de aprender. Werhlein tem base e qualidade, mas precisa ser desenvolvido. Acima de tudo, não vai criar problema e, com o tempo, pode ser um problema na vida de Hamilton tal qual Daniel Ricciardo foi na de Vettel, para efeito de comparação. É o problema bom que qualquer grande quer ter, como foi no ano passado.
 
Este Rosberg já teve seu momento de piloto de ponta, pareceu ser combativo e adversário à altura, mas pecou justamente no fator em que deveria ser superior: o psicológico. Nego que reclama que o companheiro está mais lento à sua frente e sequer se aproxima para ultrapassar não tem a humildade para reconhecer suas limitações, mas tem a cara-de-pau suficiente para jogar seus erros na lomba dos outros. A F1 viu tantos outros assim, promessas que só caíram na vala comum.

Se a Mercedes for minimamente atenta, se liga do que tem e se livra deste fardo enquanto Hamilton vai contando as corridas para ser tricampeão da F1.
PAZ ENTRE RED BULL E RENAULT É RESULTADO DO PIOR INÍCIO DE TEMPORADA DA EQUIPE DESDE 2007